Blog – Formação Política

FORMAÇÃO POLÍTICA

Radar das eleições

General Braga Netto é anunciado como vice de chapa com Bolsonaro.

Jair Bolsonaro (PL) confirmou o nome do General Walter Braga Netto (PL) como seu vice em um eventual novo mandato. Isto vai de encontro ao que pretendia a ala política governista, isto é, o Centrão, que preferia Tereza Cristina (PP) no posto. A decisão demonstra que o “seguro impeachment” continua a ter influência na escolha e que ameaças golpistas continuam na agenda do presidente.

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A campanha de Simene Tebet (MDB) deverá ser baseada em uma mensagem de esperança e acalanto ao eleitorado brasileiro que, segundo pesquisa qualitativa realizada pelo partido anda desencantado e pessimista. Segundo o partido, quando a campanha eleitoral se iniciar oficialmente, em agosto, Tebet irá finalmente sair dos inexpressivos números de intenção de votos que atualmente tem – em torno de 2%.

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Temer se sente ressentido com discurso de Lula.

Apesar dos esforços de Geraldo Alckmin (PSB) em reaproximar o ex-presidente Temer (MDB) de Lula (PT) o medebista parece mesmo disposto a apadrinhar Tebet (MDB). Temer se sente incomodado com o discurso de Lula sobre desfazer o que ele tem por legado de seu governo – a reforma trabalhista e a imposição do teto de gastos.

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PSB se organizou para negociar com o PT as alianças regionais em bloco. Assim, caso Márcio França desista de concorrer ao governo de São Paulo e o partido apoie Haddad (PT) isso servirá de moeda de troca para pedir o apoio petista nas eleições de outros estados, como as do Espírito Santo, Rio e Pernambuco. O partido também definiu como serão divididas as verbas vindas do fundo eleitoral, destinando 80% do valor para campanhas a deputado federal e estadual.

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Pista curta para Tebet decolar

Tebet (MDB-MS) tem o tempo contra si nesse momento

Lançada como pré-candidata à presidência pelo MDB-PSDB/Cidadania, Simone Tebet (MDB) tem pouco tempo para emplacar sua candidatura. Sua missão é tornar-se conhecida do grande eleitorado e enfim começar a pontuar nas pesquisas de intenção de votos. Porém, não foi o que aconteceu após o lançamento do seu nome. 

Pesquisa Datafolha recém divulgada não apontou nenhuma alteração nas intenções de votos que a senadora possui. 

Isso inclusive encoraja a ala do partido que pretende apoiar Lula (PT) na campanha. Um dos maiores defensores disto, Renan Calheiros (MDB-AL) tem insistido em que uma candidatura que possui em torno de apenas 1% de intenção de votos não pode ser levada adiante.

Para Simone, o tempo urge. A pista para que sua candidatura decole e ultrapasse a velocidade necessária para sair do solo está se tornando muito curta – mas, em política, sabemos, tudo é possível.

O União Brasil, que de início participava de uma suposta aliança ao centro, abandonou o projeto porque, segundo o presidente do partido Luciano Bivar, os partidos que deveriam se juntar ao esforço não estavam se entendendo nem mesmo internamente. No PSDB, por exemplo, João Doria foi abandonado ao relento pelo presidente da agremiação Bruno Araújo, mesmo após ter sido cacifado em primárias para concorrer à presidência.

Com este discurso, Bivar retirou o partido da aliança e lançou sua própria candidatura à presidência. Ainda, segundo o presidente do União Brasil, Simone Tebet pode não ter o nome enfim homologado em agosto, quando as candidaturas finalmente se encontrarão com o prazo final para serem registradas – e o discurso de Calheiros apenas reforça essas suspeitas.

O fato de ser pouco conhecida pode ser contornado – vários presidentes chegaram lá mesmo desconhecidos do grande público – Fernando Collor, em 1989 e o próprio Jair Bolsonaro em 2018 são exemplos disto. Além disto, se bem construída, sua imagem tem potencial para atrair a simpatia do grande eleitorado.

Tebet também tem a seu favor o quase certo reforço de ter um vice de peso. Tasso Jereissati (PSDB-CE) tem uma longa e estabelecida carreira política e sabe como e onde angariar os apoios necessários para ajudar na caminhada, ainda que pelo viés puramente político a candidatura da senadora perdeu muito ao ver o União Brasil afastar-se do projeto.  

Agora, é acompanhar os próximos lances. A falta de unidade das siglas que compõem essa aliança podem, todavia, comprometer qualquer esforço. Tanto MDB como PSDB historicamente se automutilam nesses momentos. Alckmin, por exemplo, em 2018 se viu vítima de uma ala tucana nas últimas eleições e naufragou fragorosamente além de que, ultimamente, tem sido mais negócio apostar em uma bancada maior do que se esforçar por tentar fazer o(a) Presidente da República.

Assim, em alguns estados (do nordeste) o MDB tende a apoiar Lula e em outros (do sul) o PSDB tende a estar com Bolsonaro.

Também existe o fato de o MDB ser um partido que teve muitos políticos envolvidos em acusações de corrupção na operação Lava Jato. Dias atrás Tebet foi inquirida sobre isso em um podcast do Portal G1 e sua resposta foi meio evasiva: disse que não pertence a essa ‘ala’ do partido. Como assim, a candidata admite que seu partido tem uma ala corrupta?

Questões difíceis para a candidata responder – e superar. Estamos a menos de cem dias do pleito. Se for para decolar, tem de ser logo.

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Drops de política – Sistemas eleitorais – as regras do jogo!

A maneira como as regras eleitorais são produzidas podem ajudar ou inviabilizar uma candidatura. Não é à toa que as regras no Brasil vivem mudando – umas para ajudar quem está no poder a se manter nele, mas também existem mudanças que ao longo do tempo vão tornando o sistema mais democrático. O importante é que conquistas não sofram recuos!

A estrutura do voto

Aqui iremos comentar sobre as maneiras com que é permitido ao eleitor expressar seu voto. Você já pensou nisso? Existem diferentes maneiras pelas quais o eleitor possa se manifestar. Por exemplo – ele deve votar em um candidato ou em um partido? E quando a eleição se dá para mais de um cargo – o eleitor pode votar em partidos diferentes para cada candidato que irá tentar eleger?

É o eleitor quem tem o poder da decisão!

Existem diversas fórmulas – mas o que importa é oferecer ao eleitor uma que ele entenda e que afinal de contas atenda às necessidades de determinada sociedade.

Para sermos breves e objetivos, vamos falar como está estruturado o voto no Brasil de acordo com as regras atuais.

Nas eleições que irão acontecer agora em outubro o eleitor é chamado a votar para escolher o Presidente da República e seu vice, o governador do seu Estado e seu vice, um Senador para o seu estado, um deputado federal que irá atuar na Câmara dos Deputados em Brasília e um deputado estadual que irá atuar na Assembléia Legislativa do seu estado, que fica situada na capital.

Para os cargos de Presidente da República, Governador de Estado e Senador, a votação se dá pelo voto majoritário. Para os cargos de deputado – federal e estadual a eleição é proporcional.

Para os cargos de Presidente da República e Governador de Estado pode haver a necessidade da realização de um segundo turno, marcado para o dia 30 de outubro deste ano. A eleição de segundo turno se dá quando um candidato não obtém, em primeiro turno, mais da metade dos votos válidos – excluindo portanto os nulos e brancos.

Para o cargo de Senador não há a necessidade do segundo turno, saindo vencedor aquele que obtiver a maior quantidade de votos válidos, assim, um senador pode ser eleito com 30% dos votos, por exemplo.

Coligações são permitidas para os cargos do executivo e do senado mas não para os cargos do legislativo. Para esses cargos, diante da atual legislação só é permitida a formação de federações partidárias, que são uniões mais estáveis e não apenas para se disputar aquela eleição especificamente.

Quanto às cadeiras do legislativo – deputados federais e estaduais elas são preenchidas de maneira proporcional –  e estaremos tratando do assunto no próximo post mas, por hora, basta saber que é permitido ao eleitor votar tanto no nome de um candidato como em um partido. Todavia, quando da contagem dos votos, o que vale mesmo é o voto dado ao partido. É que, após sabermos quantos votos aquele partido obteve, as vagas deste partido específico serão preenchidas em conformidade com os votos dados ao candidato – é o que se chama de lista aberta.

Veja o que diz a Agência Senado sobre a lista aberta:

É uma variante do sistema de eleição proporcional no qual as vagas conquistadas pelo partido ou coligação partidária são ocupadas por seus candidatos mais votados, até o número de cadeiras destinadas à agremiação. A votação de cada candidato pelo eleitor é o que determina, portanto, sua posição na lista de preferência.” Fonte: Agência Senado

Assim, o partido não apresenta, a priori, uma lista sequencial que deve ser acolhida, mas apenas os candidatos que serão apresentados a um cargo eletivo. Somente após o pleito é que esta lista será obrigatoriamente formada de acordo com a quantidade de votos que cada candidato recebeu. Se a lista fosse fechada, aí sim as cadeiras seriam preenchidas em conformidade com a relação apresentada previamente pelo partido, mas não é o caso no Brasil.

Mas eu preciso votar no candidato de um mesmo partido, coligação ou federação partidária para todos os cargos que vou eleger?

Não necessariamente. Você pode votar para um candidato do partido X para Governador, por exemplo, um do partido Y para o Senado e ainda um do partido Z para deputado Federal e do partido W para Deputado Estadual – não há a necessidade de haver coerência nisso –  o seu voto, você decide! Apesar de haver críticas a isso, porque o voto pode ser tido como incoerente, outro ponto de vista pode mostrar que o voto está equilibrado – afinal de contas, sempre é bom que haja oposição pois é ela que oferece pontos de vista diferentes sobre determinado assunto e, não podemos negar, nossa sociedade é muito diversa!

Falaremos com mais detalhes sobre a eleição majoritária e a eleição proporcional no próximo post. Até lá!

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Radar das eleições

Pesquisa Datafolha confirma que a disputa eleitoral deste ano parece mesmo caminhar para a polarização Lula (PT) – Bolsonaro (PL). Simone Tebet (MDB) ainda não saiu dos 2% que já tinha e Ciro Gomes (PDT) só com um empurrãozinho da margem de erro consegue atingir os dois dígitos de preferência do eleitor. Estamos a 100 dias do primeiro turno e somado, os dois candidatos têm três quartos do eleitorado (75%).

Pelo Datafolha Lula tem 47% das intenções de voto
Jair Bolsonaro, apesar de problemas recentes mantém 28% das intenções

Ciro, na expectativa de ver seu nome mais lembrado nestas pesquisas começa a radicalizar o discurso. Em entrevista à CBN disse que está lutando “contra o sistema” e que vai revogar a autonomia do Banco Central, a que chamou de “criminosa”. Disse também que pretende “botar o povo na rua” caso enfrente um Congresso hostil ao seu programa de governo. Tudo isso nada democrático…

Ciro radicaliza discurso

Lula e Alckmin se adiantaram e lançaram plano de governo. O plano proposto é uma tentativa de abertura de maior diálogo com o centro – para tanto, eliminou definitivamente o termo revogação da reforma trabalhista efetuada por Temer. Lula (PT) colocou como prioridade máxima o fim da fome e a melhora da renda da população. Já Alckmin (PSB) pregou um “desenvolvimento que não destrua o meio-ambiente”.

Apesar de pouco provável, uma união entre Ciro e Tebet (MDB) não é impossível porém, as discordâncias no campo econômico são gritantes. Passa pela autonomia do Banco Central, privatizações de estatais, reformas implementadas pelos governos Temer (MDB) e Bolsonaro (PL) – em praticamente tudo eles divergem o que praticamente inviabiliza uma chapa entre os dois.

Uma séria ameaça à candidatura Tebet vem do sul. Ao abrir mão de candidatura própria para estas eleições presidenciais o PSDB negociou com o MDB a desistência deste partido pelo governo do Rio Grande do Sul. Para isso, o atual candiato Gabriel Souza deveria desistir e se colocar como vice de Eudardo Leite. Acontece que isso ainda não aconteceu e Souza permanece na disputa. Segundo Leite, isso tem o potencial de minar o apoio do PSDB à Tebet (MDB) no plano nacional.

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Radar das eleições – estaduais

Rodrigo Garcia (PSDB) não jogou a toalha em relação ao apoio do União Brasil à sua candidatura. Costurou um acordo para, além de oferecer palanque a Simone Tebet (MDB), também receber Luciano Bivar (UB). Apesar dos desentendimentos entre PSDB e UB no nível nacional, Garcia está conseguindo contornar a crise, ao menos em São Paulo.

Na verdade, alas diferentes do partido estão medindo forças no estado. Como Garcia é oriundo do antigo DEM, os integrantes da União remanescentes daquela agremiação querem apoiar o tucano, mas o presidente nacional da sigla insiste em segurar o apoio. Luciano Bivar disse, em entrevista ao Estadão, que a aliança em São Paulo com o PSDB é inconcebível. Disse ainda que o União estava com o PSDB mas que o PSDB saiu do União – isso para afirmar que está disposto a conversar até com Haddad (PT).

Já Tarcísio de Freitas (Republicanos), que tem o apoio de Bolsonaro (PL), faz nítido movimento de afastamento de bolsonaristas raízes – tem aberto espaço para uma campanha mais ampla e, para tanto, tem atraído o PSD, de Kassab. Enquanto alguns bolsonaristas se queixam, outros mantém a calma e a paciência. Atribuem o movimento ao momento da campanha e pensam que em pouco tempo os espaços serão novamente abertos.

Lula (PT) foi ao Rio na tentativa de atrair Eduardo Paes (PSD) à coligação que terá Marcelo Freixo (PSB) como governador e provavelmente Cesar Maia (PSDB) como vice. Além de Paes não aceitar o convite, tentou reverter o jogo e ofereceu um segundo palanque a Lula no Rio. O prefeito insiste em avalisar a candidatura de Felipe Santa Cruz (PSD) ao governo do estado. Lula disse que terá de pensar no assunto.

Já em Minas, o União Brasil confirmou o desentendimento com o PSDB e definiu apoio a Alexandre Kalil (PSD). Kalil está com Lula (PT) para a presidência. Bivar, presidente da sigla e pré-candidato à presidência pelo UB, estava negociando apoio a Romeu Zema (Novo) mas o acordo não saiu – Kalil ganhou o round.

Romeu Zema (Novo) recebeu uma camisa do Cruzeiro do ex-jogador e atual empreendedor Ronaldo, que sempre foi um apoiador de Aécio Neves (PSDB). O principal adversário de Zema, Alexandre Kalil (PSD) foi presidente do Atlético Mineiro – que a polarização política não avance aos gramados em Minas!

Alagoas está ficando pequena para tanto cacique político. O ex-presidente Fernando Collor (PTB) desistiu de tentar sua reeleição ao Senado e vai se arriscar ao governo do Estado porque a estrada para Brasília está estreita. Collor diz contar com o apoio do atual presidente Jair Bolsonaro (PL) para governar o estado. O espaço para o senado ficou estreito porque Renan Filho (MDB) aparece muito à frente nas pesquisas. Collor tentará atrair a base de prefeitos ligados ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP) também com forte influência na política alagoana.

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Radar das eleições

Tebet concede entrevista ao portal G1

Simone Tebet (MDB) já tem falado como candidata à presidência e, assim, começa a enfrentar temas espinhosos. Ao conceder entrevista ao podcast O Assunto, do portal G1 foi questionada sobre medebistas que caíram diante de escândalos de corrupção – a senadora esquivou-se e disse pertencer a outra ala do partido.

Os presidentes do MDBPSDB Cidadania, Baleia Rossi, Bruno Araújo e Roberto Freire irão coordenar a campanha de Tebet ao Planalto. Isto demonstra que os partidos estão dispostos a tornar de fato viável a candidatura, ao menos no plano nacional. Falta uma maior adesão nos diretórios regionais, já que os palanques – tanto do MDB quanto do PSDB – estão sendo assediados por Lula e Bolsonaro.

É que, no momento em que a candidatura Tebet-Jereissat precisa sair da inércia e ganhar alguns pontos nas intenções de votos do eleitor, tanto MDB quanto PSDB, no nível regional estão se acomodando ou com Lula (PT) ou com Bolsonaro (PL).

Porém, para o presidente do MDB Baleia Rossi isso diz pouco. Para ele, as alianças nos estados não tem relação com a eleição presidencial – e afirma “Simone vai crescer e será a grande novidade da eleição”.

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Bivar é pré-candidato pelo União Brasil à presidência.

Luciano Bivar disse, em entrevista ao Estadão, que sua candidatura é ‘pra valer’ e que um partido das dimensões do União Brasil não entraria em uma disputa se não enxergasse reais condições de lutar pela presidência. Disse que tem uma proposta pronta – o imposto único. Bivar justificou ter saído da aliança formada por MDB PSDB/Cidadania porque não acredita que Tebet será homologada como candidata em agosto.

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Sérgio Moro está politicamente sequestrado

Sérgio Moro encontra dificuldades na política.

Os poderes do Estado são três – Legislativo, Executivo e Judiciário e as habilidades que as pessoas precisam ter para desempenhar cada uma destas funções estatais também são diferentes.

O Judiciário, diferentemente dos demais, exige uma profunda preparação e anos de estudo árduo para  que um candidato chegue ao posto de juiz de direito, por exemplo.

O posto ocupado por Sérgio Moro, antes de se aventurar pelas searas da política partidária era o de Juiz Federal – um cargo muito cobiçado por aqueles que pretendem exercer a magistratura.

Sérgio Moro abandonou o relativo conforto de quem tinha uma caneta poderosa nas mãos,  primeiramente porque acreditou que ao se tornar Ministro da Justiça de um candidato que se propunha a se afastar do que chamava de ‘velha política’ poderia, de fato e de direito, transformar o Brasil – este foi o grande e – porque não dizer, – nobre motivo – pelo qual Moro renunciou sua carreira na magistratura.

Chegado no Executivo e, como Ministro de Estado, imaginou que poderia acelerar algumas  mudanças na Legislação penal brasileira que ele entendia como necessária para tornar o país um lugar melhor e mais justo para se viver. Tentou emplacar as famosas “10 medidas” que trabalhou a quatro mãos com o então Procurador Deltan Dallagnol. Essas medidas já vinham sendo perseguidas pelos juristas antes mesmo de Moro entrar na política, porém, quando pensou que estivesse realmente em condições de implementá-las, não obteve o apoio necessário – os ventos da Lava Jato já estavam mudando.

Enquanto esteve à frente do Ministério da Justiça, Moro teve de tapar o nariz para conseguir respirar o ar que envolvia o governo. Mas não teve como suportar a tentativa de interferência da presidência da República nas questões de alternância no comando da Polícia Federal, em especial na do Rio de Janeiro. Deixou o governo acusando o presidente disto.

Renata Abreu, presidente do Podemos abriu as portas do partido para a candidatura de Moro.

Após temporada nos Estados Unidos, Moro se apresentou ao país como pretenso candidato à presidência. O partido que lhe acolheu e apostou em seu nome foi o Podemos. Apesar de não ver sua candidatura decolar, Moro começou sua pré-campanha com o apoio deste partido.

Porém, no final de março deste ano, Sérgio Moro surpreendeu e abruptamente deixou as fileiras do Podemos e embarcou no União Brasil, certamente iludido por ter sido acolhido no partido que hoje tem o maior tempo de propaganda eleitoral, bem como as maiores verbas do fundo eleitoral e partidário. Deu um passo mal calculado.

Luciano Bivar disse ‘não’ à candidatura de Moro à presidência.

De cara, o partido negou-lhe a condição de candidato à presidência. A vaga está ocupada, atualmente, pelo presidente da agremiação, Luciano Bivar. Então Moro se resignou e aceitou concorrer ao cargo de Senador da República pelo mais importante estado da Federação: São Paulo – nada mal!

Pensando bem, o cargo de Senador poderia ser, verdadeiramente, um excelente laboratório para Moro exercitar as habilidades que a política exige. Mas, no início deste mês, novo golpe foi desferido contra as pretensões de Moro – o TRE-SP negou a transferência do domicílio eleitoral de Moro para São Paulo. Como Moro se recusou a levar o caso ao Superior Tribunal Eleitoral, restou-lhe se candidatar ao Senado pelo seu estado de origem, o Paraná.

Dallagnol também procura encontrar seu espaço na política partidária.

Algumas questões ainda dificultavam o caminho de Moro na empreitada. Primeiro, seu aliado Senador Álvaro Dias (Podemos) irá concorrer à mesma vaga – e este ano se elege apenas um senador por estado. Outro problema – para se candidatar ao cargo que lhe sobraria, o de Deputado Federal, entraria em rota de colisão com seu colega Dallagnol (Podemos), já que o ex-procurador também irá concorrer ao mesmo cargo, certamente dividindo seus eleitores.

Não bastasse todas essas desventuras, agora uma nova tacada foi dada – desta vez por uma filiada do partido União Brasil no Paraná que pretende definitivamente jogar uma pá de cal em qualquer pretensão de Moro a algum cargo político nestas próximas eleições. 

Foi protocolado um pedido interno, pela ala bolsonarista do partido no estado, para a impugnação da filiação ao partido no Paraná – isso porque Moro se filiou ao União em São Paulo. O pedido pede para que seja declarada a “inexistência de filiação do impugnado”, o que afastaria em definitivo suas pretensões no estado. Uma resolução do Tribunal Superior Eleitoral já declarou que para cargos estaduais o candidato deve estar filiado ao partido no estado pelo qual vai se candidatar. Independentemente disto, também o PT promete levar o caso ao TSE.

Enfim, Moro está com o seu destino político sequestrado pelo partido ao qual se filiou em fins de maio deste ano.

Moro é aquilo que na política se chama de puxador de votos – e a ideia do partido é que Sérgio saia ao cargo de Deputado Federal pelo Paraná enquanto sua mulher, Rosângela, se candidate à mesma vaga por São Paulo. É uma estratégia que pode render bons frutos ao partido. Mas pode ser que Moro veja todas as suas expectativas frustradas – o fato de não conhecer bem os meandros da política profunda pode ter lhe roubado a oportunidade de se iniciar, verdadeiramente, na política partidária – ao menos nesse momento. Alí, a astúcia dita as regras. Cabe ao ex-juiz se adaptar a esta nova realidade se quiser colocar seu nome à apreciação do povo brasileiro.

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Drops de política – Sistemas eleitorais – as regras do jogo!

A maneira como as regras eleitorais são produzidas podem ajudar ou inviabilizar uma candidatura. Não é à toa que as regras no Brasil vivem mudando – umas para ajudar quem está no poder a se manter nele, mas também existem mudanças que ao longo do tempo vão tornando o sistema mais democrático. O importante é que conquistas não sofram recuos!

 Distritos eleitorais- parte 3 – A Magnitude de um distrito eleitoral.

Hoje iremos falar um pouco sobre a magnitude de um distrito eleitoral. Isso é importante porque quanto maior a magnitude, menores serão as condições que o eleitor terá de acompanhar e cobrar o desempenho de seu candidato.

Quanto maior a Magnitude de um distrito eleitoral, mais difícil fica cobrar os atos do eleito.

Você já percebeu que o prefeito é muito mais cobrado do que um vereador? Que o governador sempre tem seu nome ventilado quando um problema se torna grande no estado, mas o deputado federal nem sempre é associado a isso? Ou, o mais importante, já percebeu como o presidente tem diariamente seu nome exposto nos jornais por coisas de que nem sempre ele é diretamente responsável?

Isso se dá porque a magnitude dos cargos do executivo é de apenas um, ou seja, neste caso M=1. Isto deixa o candidato eleito muito exposto a críticas e torna a missão da oposição muito mais fácil.

O cargo de Presidente da República é o mais exposto. Sua Magnitude é 1 para um distrito que abrange todo o país

Agora, pense nos cargos do Legislativo. Quando se vota para vereador, você vota em um único candidato mas são eleitos, a depender do tamanho do município, até 55 vereadores!

Pense em um município médio, com uma população na casa dos 400 mil habitantes. Ora, são eleitos 23 vereadores de diversos partidos em cadeiras que são distribuídas de maneira a tornar a representação a maior possível naquela casa.

Agora, imagine se esse mesmo município fosse dividido em 23 setores (bairros, por exemplo). Pense se você pudesse votar apenas nos candidatos que apresentassem candidatura dentro de seu setor. Significa que você votaria para o “vereador do seu bairro”, você saberia exatamente quem ele é! A disputa ficaria muito mais personalizada e você conheceria bem o vereador que ganhou. Seria muito mais fácil cobrar dele na mesma proporção que cobra do seu prefeito.

Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro: 51 vereadores

Desta mesma maneira, se seu Estado fosse dividido em tantas regiões eleitorais quanto são o número dos deputados estaduais eleitos para a Assembleia Legislativa. Tomemos a Bahia como exemplo. Estaria aquele estado dividido então em 63 regiões, cada uma elegendo um deputado estadual. 

A mesma lógica poderia se dar para o posto de deputado federal. Ora, se temos 513 deputados federais na Câmara dos Deputados em Brasília, bastaria dividir nosso imenso  Brasil em 513 distritos e cada distrito elegeria apenas um (o seu!) deputado federal. Tem vários países que funcionam assim. A Inglaterra e os Estados Unidos, por exemplo.

Porém, qual é o problema deste sistema? Já falamos disto – o problema da representatividade. Minorias poderiam ser deixadas de lado, esquecidas, preteridas. Quantos distritos, afinal de contas iriam eleger negros, mulheres, portadores de necessidades especiais ou representantes dos LGBTQIA+?

Não existe solução fácil para a representatividade política. O jeito é acompanhar o que nossos representantes fazem – afinal de contas, o fato de não sabermos exatamente quem nos representa não nos impede de acompanhar – e de cobrar – resultados. Aliás, seria até mais cômodo – não importa quem me representa, todos me representam e assim posso cobrar de todos!

Mas, dada a nossa falta de tempo ou de disposição em acompanhar o dia-a-dia da casa que toma decisões em nosso nome, nossos legisladores se utilizam dessa ‘pulverização’ como uma cortina de fumaça protetora para o que eles fazem no parlamento. 

Imagine que muitos eleitores sequer sabem se o seu candidato foi eleito. Mesmo aqueles que conferem se elegeu um candidato (ou não), passado curto período de tempo sequer se lembra em quem votou! Isso se transforma em um verdadeiro ‘salvo conduto’ para os eleitos que em pouco tempo se fecham em grupos dentro de um parlamento que pouco representa seus eleitores.

Diante desta constatação, deveríamos mesmo temer tanto a falta de representatividade das minorias? Da maneira como está, corre-se o risco de ninguém ser dignamente representado, mas apenas os interesses paroquiais de cada parlamentar.

Ao fim e ao cabo, não há outro caminho –  temos de estar de olhos bem abertos ao que acontece nas casas legislativas pois é de lá que saem nossas leis e, boas ou más, são elas que ditam como nossa sociedade deve se portar.

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Radar das eleições

João Doria (PSDB) anunciou que se afasta momentaneamente da vida pública e retorna ao setor privado. Escreveu um artigo para o Jornal Folha de S. Paulo no qual adverte que “estamos diante do dilema de dar um passo atrás com alguém que não teve pulso para combater a corrupção ou manter um governo que é comprovadamente ineficiente em todas as suas áreas de atuação”.

Doria anunciou retorno ao setor privado.

Já Eduardo Leite (PSDB), outro candidato que disputou as prévias do partido e que igualmente saiu da corrida presidencial anunciou que tentará novamente o governo do seu estado, Rio Grande do Sul, deixando a pista do PSDB livre para a Senadora Simone Tebet (MDB).

Mais um pretenso candiato à presidência colocado à margem da disputa, Sérgio Moro (UB) permanece sem saber qual será o seu destino político. Após ser rejeitado pelo TRE de São Paulo, sabe que vai se lançar a um cargo pelo seu estado, Paraná. Acontece que sua pretensão do Senado esbarra no desejo do partido, que lhe quer candidato à Câmara do Deputados – Moro ficou refém do União Brasil.

Ciro Gomes (PDT) segue acreditando em sua candidatura. Em entrevista à reporter Renata Lo Prete disse que pretende entregar nos primeiros seis meses de seu governo o que governos anteriores não coseguiram – em especial a reforma tributária. Ciro chamou o pacote de reformas de ‘reconstitucionalização‘ do Brasil. Para ele, hoje, o que se vê é o “Supremo fazendo política, Congresso executando Orçamento, Executivo sendo testa de ferro de ladrão.”

Ciro concedeu entrevista à jornalista da Globo News.

Na verdade, Ciro não vive um bom momento em sua campanha. O candidato tem enfrentado dificuldades para acertar palanque nos estados do Sul e ainda não apresentou o seu vice. Não é visto como uma terceira via para a polarização Lula-Bolsonaro, o que acaba por abrir espaço para Simone Tebet (MDB) crescer. Novas pesquisas de intenção de voto estão a caminho.

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Radar das eleições – estaduais

O acordo firmado entre PSDB e MDB que pretende lançar Tebet para a presidência e Jereissati a vice mexeu com a candidatura de Rodrigo Garcia (PSDB) em São Paulo. Tanto o União Brasil quanto o PP, de Arthur Lira, disseram que irão retirar o apoio à reeleição de Garcia.

Devido ao alto grau de polarização das campanhas de Romeu Zema (Novo) e Alexandre Kalil (PSD), o PSDB já pensa em lançar uma ‘terceira via’ no estado. Aécio Neves, atualmente acomodado na Câmara, pretendia permanecer seguro por lá, mas aparece em primeiríssimo lugar nas intenções de voto para o Senado. O partido lançou o olhar sobre ele para o governo de Minas. Será que ele se arrisca?

Zema e Kalil têm se utilizado da estratégia da polarização inclusive para afastar outras candidaturas que por ventura possam se destacar. O partido de Bolsonaro, PL, lançou o senador Carlos Viana, e o PSB, que no estado não fez a aliança feita no nível nacional com o PT, lançou o ex-ministro da Saúde no governo Lula, Saraiva Felipe.

Marcelo Freixo (PSB) certamente terá como vice o ex-prefeito da capital Cesar Maia (PSDB), o que acaba por inviabilizar a candidatura de Felipe Santa Cruz (PSD), o preferido do atual prefeito do Rio Eduardo Paes. Agora, Lula será acionado para atrair o apoio do próprio  Eduardo Paes à chapa. A ideia é formar no Rio uma forte oposição ao candidato de Bolsonaro (PL), o atual governador Cláudio Castro (PL). 

A ex-ministra (da Mulher, Família e Direitos Humanos) Damares Alves (Republicanos) não sabe se terá o apoio de Jair Bolsonaro (PL) para a disputa ao Senado pelo DF mas adianta que manterá seu nome mesmo que o presidente opte por levar adiante a candidatura da também ex-ministra (da secretaria de Governo) Flávia Arruda (PL) ao mesmo cargo. 

E esperada para esta segunda-feira a desistência de Gabriel Souza (MDB) à disputa pelo governo do Rio Grande do Sul. Eduardo Leite (PSDB), que chegou a ser cotado para a presidência da República, deve se apresentar novamente para a disputa pelo Palácio Piratini. Gabriel Souza deve ser o candidato a vice de Leite.