Blog – Formação Política

FORMAÇÃO POLÍTICA

Radar das eleições – estaduais

Jair Bolsonaro (PL) interviu pessoalmente entre o presidente do seu partido Valdemar Costa Neto e o apresentador José Luiz Datena (PSC) para que o apresentador seja o candidato ao senado na chapa de Tarcísio de Freitas (Republicanos). Acontece que os dois haviam trocado farpas no último fim-de-semana ao ponto de Datena dizer que parecia que “a política havia desistido dele”. Bolsonaro quer o apresentador com ele em São Paulo.

Com a desistência de Doria à corrida presidencial, cresce a importância para o partido permanecer à frente do governo do estado. A disputa não será nada fácil. Rodrigo Garcia (PSDB) terá de passar por Márcio França (PSB) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) para enfim encarar Fernando Haddad (PT) num possível segundo turno. O grande trunfo do tucano é estar com as chaves do cofre e com a caneta nas mãos.

Lula  e Kalil (PSD) fecharam definitivamente o acordo que dará ao petista um palanque privilegiado no Estado. Como o outro forte candidato, Zema (Novo) estará comprometido com o candidato do seu partido, Luiz Felipe d’Ávila, isto representa um grande passo para Lula se firmar no segundo maior colégio eleitoral do país, que também é conhecido por fazer presidente aquele que vence por ali. Mas Bolsonaro ainda não desistiu de ter palanque com Zema no estado.

Ficou fechado, portanto, que o atual senador Alexandre Silveira (PSD) será o indicado da coligação para reeleição ao senado, deixando de lado o preferido de Lula, o atual deputado federal Reginaldo Lopes (PT), que irá coordenar a campanha  em Minas. Já o PT ficará com a vaga de vice de Kalil, que será ocupada pelo atual deputado estadual André Quintão.

O atual prefeito da capital Eduardo Paes (PSD) tem sido aconselhado a desistir de tentar lançar para o governo do estado o advogado Felipe Santa Cruz (PSD) já que esta candidatura não está decolando e isto pode ser colocado na conta de Paes, que não tem tido boa avaliação deste atual mandato. Outro que não quis embarcar neste projeto foi o ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia (PSDB) cujo pai, César Maia havia sido convidado para ser vice de Santa Cruz. Por hora, a resposta tem sido negativa.

O atual governador do Rio, Cláudio Castro, que é do partido do presidente Jair Bolsonaro (PL) tem convivido com algumas incoerências políticas na sua gestão. Existe um bloco intitulado “Castro-Lula”, que prega uma aliança velada entre o governador bolsonarista e o PT. Além do mais, o candidato ao senado pelo Partido dos Trabalhadores André Ceciliano mantém aliados bem próximos ao governador.

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Porquê parar numa terceira via?

É ponto incontroverso de que as eleições deste ano para a presidência da República está até o momento concentrada nos dois pólos que se auto excluem, num jogo interessante para ambos os lados pois isso lhes garante um lugar ao sol no segundo turno da disputa.

Lula e Bolsonaro saem ganhando com a polarização, eliminado assim pretensos adversários.

E, na tentativa de quebrar essa polarização tem-se buscado um nome de consenso que consiga se gabaritar para, deixando um dos pólos pelo caminho, possa enfim duelar pela presidência da República.

Este candidato teria grande chance de vencer porque teria todas as condições de captar os votos recebidos por aquele polo que saiu perdedor do primeiro round, eis que os eleitores deste jamais votariam no extremo que sobreviveu – matemática pura e lógica simples.

De saída, o PSDB, após unir-se em federação partidária ao Cidadania juntou forças com o MDB e, naquele momento, também ao União Brasil para oferecer um nome que pudesse preencher este vazio – o que convencionou-se chamar de “terceira via”.

Acontece que, como ficou claro com o decorrer do tempo, o PSDB não consegue se unir nem internamente. Rifou o vencedor de suas prévias partidárias, João Doria, sonegando a este o direito obtido pelo voto dos tucanos.

Mas antes mesmo disto o União Brasil – que foi formado pela fusão dos antigos PSL e DEM já havia se retirado do acordo por entender que esta pretensa terceira via, factualmente, não existe. Sabe-se todavia, que a razão não é essa – o partido quer, em verdade, apoiar o lado que melhor lhe convier – isso faz parte do jogo. O partido possui ativos importantíssimos nesse momento como vultosas verbas para gastar e bastante tempo de rádio e TV, tudo muito útil e cobiçado por qualquer candidato neste momento.

Luciano Bivar, do União Brasil preferiu retirar seu partido de chamada frente democrática e tenta viabilizar seu próprio nome à presidência.

Mesmo assim, este grupo – PSDB/Cidadania e MDB – vem se arvorando no direito de se apresentar como uma ‘terceira via’. 

Mas diante de todas estas dificuldades e de tantas candidaturas que vem enfrentando percalços para se firmarem, surge um questionamento. E quanto a Ciro Gomes (PDT), porque o ex-governador do Ceará não pode se apresentar efetivamente como esta terceira via?

Quando se cogita a falar dos candidatos à presidência, o nome de Ciro vem sendo negligenciado ou tratado apenas como um apêndice à esquerda, um certo desdém ao nome de um candidato que já foi ministro de estado, governado e que possui um livro escrito intitulado “Projeto Nacional: O dever da esperança”. O que se vê, na prática, é que Ciro não está conseguindo decolar com sua campanha, não atingindo 10% das intenções de voto.

Ciro Gomes tem sido ignorado tanto por Lula quanto por Bolsonaro que não respondem às suas investidas.

Observa-se que, após ter sido tirado do páreo nomes como o de Sérgio Moro (União) e João Doria (PSDB), trabalha-se agora para dar o mesmo destino ao nome de Ciro Gomes.

A verdade é que quanto menos candidatos sobrarem, mais perto se estará de se eleger um presidente logo no primeiro turno e certamente de um dos dois pólos que hoje se autoclassificam como perfeitos para assumir o comando da Nação mas que têm o outro como inaceitável e intolerável para governar o Brasil. Isto certamente significaria um risco à nossa democracia e mesmo à ordem institucional vigente.

É preciso que os dirigentes partidários compreendam o momento por que passa a política nacional e façam esforços para viabilizar o diálogo político. O que se tem visto é um mero cálculo de ganhos imediatos que, infelizmente, os caciques dos partidos sabem fazer bem.

Ao rifar bons nomes que poderiam promover um debate mais amplo sobre nossas questões fundamentais, estão, na verdade deixando de lado suas preocupações com o futuro da Nação, deixando-se conduzir por uma discussão maniqueísta que oculta o seu verdadeiro objetivo: tomar, ou nele se manter.

Em 2018, Bolsonaro foi eleito exatamente porque, devido ao atentado que sofreu, ficou impossibilitado de debater diante do eleitor e apresentar suas verdadeiras ideias. Depois, foi só colocar as redes sociais para fazer o trabalho da desinformação contra os adversários e atrair para si o apoio de dirigentes partidários, que já sentiam o cheiro do poder exalar daquela candidatura.

Já passou da hora de deixar esta neblina se dissipar para que outros nomes possam, juntos, debaterem o melhor para o país. Se Tebet se anuncia como uma provável terceira via, porque não Ciro Gomes ser uma quarta ou Luiz Felipe D’ávila (Novo), uma quinta opção?

Se Tebet é a terceira via, porquê não uma quarta ou uma quinta via?

Sendo a política a arte do diálogo, devemos nos esforçar para escapar da armadilha do discurso uniforme, que apenas renega as grandes questões a segundo plano e se contenta com o perigoso jogo do “nós contra eles”.

No fundo somos todos brasileiros e brasileiras e é o destino de todos que está em jogo – tenhamos boa-fé.

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Radar das eleições

PSDB já precificou seu apoio ao nome de Tebet (MDB) à presidência. Além da vice-presidência o partido quer que o MDB apoie o nome de um tucano nas eleições para governador do Rio Grande do Sul, Pernambuco e Mato Grosso do Sul.

Bruno Araujo, presidente do PSDB.

O partido Novo mantém a escrita e abriu mão dos R$ 87 milhões a que tinha direito para financiamento de campanha, verba vinda do Fundo Eleitoral. Para o cientista político e pré-candidato à presidência da República Luiz Felipe d’Avila, o partido não precisa de tanto para fazer uma campanha eleitoral. Trata-se, na verdade, de uma ato de coerência. O partido moveu ação no STF contra o valor do fundo deste ano, mas foi derrotado . O dinheiro ficará com os cofres públicos.

Pré-candidato pelo Novo, d’Avila dispensa o Fundo Eleitoral.
FORMAÇÃO POLÍTICA, Introdução à Política

Introdução à Política – Capítulo 5

A DEMOCRACIA REPRESENTATIVA –

A democracia forjada na Grécia era direta, ou seja, as deliberações eram tomadas por um grupo de cidadãos que se reuniam na ágora para legislar. Dalí eles ditavam normas para a sociedade seguir. Decisões que diziam respeito aos negócios da cidade-estado eram tomadas nas assembleias, mas quem as tomava eram os próprios cidadãos, portanto, eles eram o próprio parlamento.

A democracia na Grécia era direta, porém apenas os considerados ‘cidadãos’ podiam deliberar.

Acontece que o conceito de cidadão era restrito, o que concedia a uma pequena parcela da população definir o rumo de todos.

O surgimento da democracia representativa acontecerá como imperativo à limitação ao poder que o rei adquirira durante o absolutismo. Também a sociedade foi se tornando mais complexa, com o surgimento de novas funções sociais e com o desenvolvimento do comércio. Outras vozes, portanto, pleitearam serem ouvidas.

Pode-se dizer, enfim, que a democracia representativa foi uma demanda surgida das necessidades da classe burguesa, que encontrava na tradicional política do regime absolutista um forte entrave às suas pretensões e necessidades de expansão. Ideologicamente, foi o movimento intelectual do iluminismo que forneceu as bases teóricas para a evolução deste sistema.

Ao votar, o eleitor está dando um ‘mandato’ para que um político o represente no palamento.

Assim, a democracia representativa é o resultado de uma longa linha histórica que veio – através de confrontos e embates entre religião, economia e poder estatal – urdindo a libertação do ser-humano das amarras que o tempo foi-lhe impondo. Iluminismo e liberalismo nada mais são do que o resultado de uma demanda que o povo comum almejava, mas que não tinha condições de alcançar. Algumas mentes inquietas foram abrindo o caminho a seguir.

Voltaire colaborou na elaboração de uma enciclopéia que pretendia reunir o conhecimento humano em verbetes.

Os iluministas ambicionavam transformar uma sociedade tradicional de súditos em uma sociedade esclarecida de cidadãos. Ao questionar as explicações religiosas sobre o mundo, os pensadores deste período explicitaram o fato de que a fé não era capaz de dar resposta a todos os fenômenos.  Voltaire (1694-1778) criticou a igreja católica por sustentar resquícios feudais, como a servidão e pedia um governo esclarecido, ainda que monárquico. Defendia a crença em um ser supremo, mas aqui na Terra pedia um governo esclarecido e um Estado burguês.

Será neste contexto que se dará a independência dos Estados Unidos (1776) e a Revolução Francesa (1789). É significativo o fato de que a primeira constituição plenamente democrática e representativa nasce exatamente quando uma ex-colônia se liberta daquela que poderia ser considerada a mais democrática e representativa sociedade de então, a Inglaterra, que dera poder ao seu Parlamento através da Revolução Gloriosa, levando ao centro do poder uma burguesia que se tornara poderosa pela e através da Revolução Industrial.

A constituição norte-americana aprovada em 1787 é republicana, com a tripartição do poder e federalista, princípio pelo qual dá poderes aos estados federados para legislar sobre determinados temas. Diminui-se o poder central e entrega-se parte deste poder aos estados federados.

A independência das colônias inglesas da América, com a consequente formação dos Estados Unidos da América acabou por acelerar a divulgação das ideias de John Locke, Montesquieu e Rousseau e mostraram o caminho para a emancipação das colônias da América Latina, embaladas pelo processo das guerras napoleônicas que seguiram à Revolução Francesa. 

Em relação à Revolução Francesa, pode-se dizer, em síntese, que se tratou da tomada do poder político pela burguesia. Porém, as promessas de melhoria de vida para a população francesa não se cumpriram. Se a revolução ampliou o acesso ao poder a uma classe que se sentia excluída – a burguesia francesa, o resultado disto não beneficiou a camada mais pobre da população, que deu apoio à revolução e esperava se vir compensada com melhora das condições de vida.

A classe burguesa foi a grande beneficiada pela Revolução Francesa

Será durante a primeira fase da Revolução, conhecida como fase burguesa que a Assembleia Nacional promulgará a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, que estabelecia a igualdade de todos perante a lei e o direito à liberdade do homem.

Em 1791 esta mesma Assembleia proclamará a primeira Constituição francesa. Esta constituição manteve o sistema monárquico, mas diminuiu-lhe os poderes, condicionando-o a uma Constituição, de tal modo que o rei deveria respeitar esta Lei Maior. Desta forma, adotou-se a teoria de Montesquieu de separação do poder. Assemelha-se até aqui à Revolução Gloriosa ocorrida na Inglaterra, portanto.

Mas ao negar ao povo a possibilidade de participar de qualquer atividade de representação estatal, já que implantou o voto censitário, limitando assim o direito à participação, acabou por atrair a ira daqueles que haviam ajudado a burguesia ascender ao poder.

A tentativa de fuga do rei Luís XVI  em busca de apoio externo ainda em 1791, só fez com que as coisas se adiantassem e a camada mais baixa da sociedade, que já se sentia traída pelos resultados da revolução, se manifestasse ferozmente. A Convenção Nacional irá surgir do descontentamento da ala mais radical da Assembleia. Os jacobinos, que representavam a média burguesia, empobrecida pelas crises, se unirão à camada popular – os sans-culottes e conduzirão a revolução à sua fase mais dramática, isto é, ao Terror dos 1792 a 1794.

Agora, uma nova Constituição será escrita. Todavia, em 1795, com o predomínio novamente da alta burguesia, ainda que em meio a uma grave e constante instabilidade política e econômica, golpes, levantes e ameaças estrangeiras se tornaram comuns. 

Foi, enfim a necessidade de centralizar o poder na tentativa de apaziguar o país que aconteceu o golpe do 18 de Brumário, momento em que Napoleão Bonaparte sobe ao poder, consolidando os interesses burgueses. Ainda que nos anos seguintes as guerras e crises persistissem, a unidade nacional francesa sob uma República já se tornara estável o suficiente para Bonaparte iniciar seu projeto expansionista pela Europa. 

Ao desestabilizar as monarquias europeias, Napoleão ajudou no processo de independência das colônias espanholas e portuguesa na América.

O fato é que o processo que se iniciou em 1789 se estendeu ainda que com interrupções até os acontecimentos de 1830 e 1848 e acabaram por conduzir a sociedade francesa e grande parte da Europa à democracia representativa. Todo este processo também se relaciona diretamente às independências que ocorreram na América espanhola e portuguesa devido fato de que o período em que Napoleão assombrava o velho continente influenciou a independência das colônias espanholas já que estas terras não estavam entre os principais interesses do ditador francês e, no que diz respeito ao Brasil pela vinda da corte portuguesa em 1808, fugindo ao perigo que Napoleão representava para a corte portuguesa naquele momento.

Desta maneira, a forma representativa do poder legislativo acabou por se consolidar. Diferentemente da Grécia antiga, onde o próprio cidadão se fazia presente na assembleia – apesar do reduzidíssimo conceito de cidadão – agora serão os representantes eleitos que, de certa maneira substituirão os cidadão na assembleia, e a melhor forma de representação dos cidadãos perante a assembleia se dará através do voto popular em candidatos organizados na forma dos partidos políticos.

O sistema representativo moderno, que procura preservar os interesses dos cidadãos e de seus grupos foi estruturado pelo pensador francês Benjamin Constant.

Benjamin Constant (1767-1830)

Sendo os indivíduos e os grupos de indivíduos que compõem a sociedade, são os interesses destes indivíduos e grupos de indivíduos que devem ser debatidos e votados na assembleia. Os deputados, nomeados por estes indivíduos devem para lá levar as demandas dos representados e foi o aprimoramento deste sistema que exigiu a instituição dos partidos políticos.

Um dos princípios, pois, da doutrina de Benjamin Constant é a de que o governo representativo traduz os interesses mais gerais da sociedade porque é, em última instância, o governo das classes médias.

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Tebet é confirmada pelo MDB como candidata

Com a desistência de Doria, pista limpa para Tebet.

Um dia após a desistência de Doria, a Executiva Nacional do MDB reiterou a indicação da senadora Simone Tebet como a candidata do partido à presidência. Para o partido o nome de Tebet, além de se direcionar à maior fatia dos eleitores indecisos (exatamente as mulheres) ainda trás o benefício de ajudar o partido a atingir a quota necessária de destinar 30% do fundo eleitoral à candidaturas femininas – isso praticamente libera o paritdo desta obrigação.

Simone Tebet teceu elogios ao que ela chamou de ‘ato de grandeza’ de João Doria por ter desistido de concorrer à presidência, abrindo um caminho, segundo a Senadora, para a construção de uma união entre os partidos que pretendem participar do chamado centro democrático (neste momento, MDB, e PSDB/Cidadania).

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Doria desiste da corrida presidencial

João Doria desistiu da corrida presidencial. Em discurso proferido no início da tarde desta segunda-feira, Doria relembrou sua trajetória de vida – pública e privada, e reitirou-se da disputa presidencial. O até então pré-candidato, vencedor das prévias dos tucanos disse admitir que não é “a escolha da cúpula do PSDB”.

Ladeado por integrantes de sua familia e partido, Doria abre mão da disputa pela presidência

Simone Tebet, para quem as atenções da autoproclamada terceira via (PSDB/Cidadania e MDB) devem se dirigir, já se manifestou e disse que Doria nunca foi um adversário, sempre um aliado.

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Radar das eleições

As cúpulas dos partidos PSDBCidadania MDB entenderam que a melhor opção para se lançar como o que chamam de terceira via é mesmo Simone Tebet. O ex-governador de São Paulo, João Doria, já disse que não aceita a decisão e que irá a Justiça Eleitoral para rever esse posicionamento de seu partido, PSDB.

Simone Tebet (MDB) tem a preferência do grupo formado pelos líderes de PSDB/Cidadania e MDB

Contudo, dirigentes do tucanato convocarm João Doria para uma reunião que deve acontecer nesta segunda-feira, dia 23. O objetivo é fazer com que Doria desista de seu nome para a presidência e passe a apoiar Simone Tebet. Já para terça-feira está previsto o lançamento do apoio ao nome da Senadora pelos partidos PSDB/Cidadania MDB.

Existe também um entendimento de que o nome Tebet poderia compor chapa com Tasso Jereissati (PSDB), ex-governador do Ceará como vice. Assim, os tucanos ofereceriam o nome de um candidato conhecido e respeitado a nível nacional.

Tasso Jereissati (PSDB) pode emprestar sua experiência à chapa.

Porém isso pode dificultar as coisas. Acontece que Doria já prometeu levar a questão ao TSE no caso de seu nome não ser referendado pela sigla e pode ser que figurar como vice em uma chapa encabeçada por Tebet acabe com o risco da judicialização. Lançar Jereissati como vice seria definitivamente deixar Doria a ver navios.

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João Doria vai ficando pelo caminho

Vencedor das prévias realizadas pelo PSDB em novembro do ano passado, o ex-governador de São Paulo está vendo o seu nome ser preterido dentro da própria sigla por uma ala do partido dos tucanos que não admite a candidatura do paulista à presidência.

João Doria está sendo rifado pelo seu partido, PSDB.

Ao se sentir traído, todavia, Doria está experimentando do veneno que ele mesmo ajudou a destilar no interior do partido e que tem causado grandes estragos àquele que já foi uma das duas principais agremiações políticas do país e que vem perdendo o protagonismo ao longo do tempo.

Doria apareceu para a política recentemente, em 2016, vencendo uma também polêmica prévia partidária, na ocasião para se lançar à disputa pela prefeitura da capital. Sendo o escolhido, bateu o então prefeito Fernando Haddad (PT) e se tornou o prefeito de São Paulo ainda no primeiro turno, mas naquele momento tinha ali o apoio do governador Geraldo Alckmin (então PSDB). E aí está um ponto fundamental em toda esta estória – Alckmin foi o padrinho político de Doria.

Doria bateu Haddad (PT) ainda no primeiro turno com o apoio de Alckmin.

Depois, afoito, renunciou à prefeitura com menos de dois anos de mandato para concorrer ao governo do estado – novamente a tática deu certo e João Doria se tornou governador de São Paulo em 2018 e foi durante essa campanha que ele traiu o seu aliado Alckmin, que estava candidato à presidência mas patinava nas pesquisas. Doria então deu seu apoio a Jair Bolsonaro (então no PSL) que disparava nas pesquisas com um discurso liberal na economia e conservador nos costumes. Doria se uniu a tal ponto a Bolsonaro que chegou-se a criar a alcunha de “BolsoDoria”, o que lhe era muito conveniente à época. Alckmin naufragou com menos de 5% dos votos, Bolsonaro venceu a presidência e Doria assumiu o Palácio dos Bandeirantes.

Em detrimento a Alckmin, Doria apoiou Bolsonaro em 2018.

Acontece que todo mundo sabia – e Doria não escondia de ninguém – que o Bandeirantes lhe serviria apenas de trampolim para o Planalto – sua grande ambição política. Nisso surgiu logo o atrito com o presidente da República que havia mudado de discurso – Bolsonaro disse em campanha que trabalharia para por fim ao instituto da reeleição para presidente no Brasil, mas após eleito passou a trabalhar para a sua própria reeleição – agora Doria era uma pedra no caminho.

De olho fixo na presidência, João Doria renunciou ao cargo de governador do estado de São Paulo, abrindo mão de disputar uma reeleição na cadeira de governador, já com a certeza de que seria lançado pela sigla à presidência, afinal de contas, ele venceu as prévias.

Acontece que João Doria tem muitos rivais dentro do ninho tucano. Um destes é Aécio Neves, pelo qual Doria trabalhou pela sua expulsão do partido em um momento em que o mineiro estava fragilizado devido a denúncias que o envolviam em corrupção.

No momento de maior fragilidade de Aécio, Doria trabalhou por sua expulsão do PSDB.

Na verdade, Doria faz parte de uma ala que acabou por conduzir o partido da centro-esquerda para a centro-direita – é quase um partido dentro do partido. Políticos de grande expressão e envergadura dentro do PSDB não querem Doria candidato à presidência – até porque uma candidatura presidencial custa muito dinheiro e o partido quer se utilizar das verbas que dispõe neste ano para fazer o máximo de deputados, senadores e governadores porque, como tem se tornado claro, o partido tem perdido força ao longo do tempo – uma campanha sem chances de vitória à presidência significaria abrir mão de verba eleitoral para eleger governadores e parlamentares –  o que parece ser o foco do partido nesse momento.

Rejeição de quem?

O ponto que tem sido mais utilizado pela ala que não quer Doria candidato é o de que ele tem alta rejeição junto ao eleitorado. Na verdade, a rejeição ao nome de Doria se encontra instalada de maneira definitiva dentro do partido e não fora dele. Afinal de contas, para que serve o marketing político?

Uma campanha bem elaborada poderia diminuir esta rejeição e fazer sim o nome do candidato entrar em uma curva ascendente – isso não foi oferecido a Doria. O nome de Doria já tem projeção nacional, o que teria de ser ainda construído com Simone Tebet (MDB).

O fato é que o ex-governador de São Paulo tem bastante a mostrar de seu governo no estado de São Paulo, a começar por seu trabalho quando a vacina contra a terrível peste que se abateu sobre a humanidade nestes últimos anos estava sendo rejeitada pelo presidente, momento em que Doria assumiu a responsabilidade de trazer esta esperança para o povo de São Paulo e depois para o Brasil, através do Instituto Butatã.

O governo de São Paulo saiu na frente para vacinar pessoas contra a Covid-19 no Brasil.

Mas o governo de Doria alcançou outro feito – a despoluição do Rio Pinheiros em São Paulo, algo sempre falado, mas nunca realizado e que o ex-governador acabou por entregar o rio já com algum aspecto de vida, ainda que falte um bom caminho para sua despoluição.

Doria também conseguiu sanear as contas do estado. Saiu de um quadro deficitário em 2019 para um superávit de 41,9 bilhões de reais em 2022. Também implantou câmeras acopladas aos uniformes dos policiais militares do estado de São Paulo, o que diminuiu a letalidade das ações policiais.

Tudo isso poderia servir de cardápio para uma campanha eleitoral que fizesse seu nome enfim sair dos meros 2% de intenção de votos, mas a verdadeira rejeição de Doria encontra-se aninhada dentro de seu próprio partido.

Doria tem pouco tempo para agir e um caminho pode ser o judicial. Isso certamente pouco efeito teria junto ao eleitoral que, afinal seria quem julgaria a viabilidade de suas propostas. Quando não se consegue convencer nem seus próprios correligionários, fica difícil levar um projeto desta dimensão adiante.

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Drops de política

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO – 1º/1/1995 A 31/12/1998 e 1º/1/1999 a 31/12/2002

Fernando Henrique atualmente é o presidente de honra do PSDB

Beneficiado por uma emenda constitucional que implementou o instituto da reeleição para os cargos do executivo, tramada durante seu primeiro governo, Fernando Henrique governou por oito anos e esteve na presidência durante a passagem do milênio e também dos 500 anos do Brasil. O sociólogo carioca foi alçado à presidência devido ao sucesso do Plano Real, que deu estabilidade à moeda brasileira, livrando-a finalmente do processo inflacionário que corroía os rendimentos da população, especialmente da classe mais pobres.

Plano Real ajudou a turbinar a candidatura de FHC à presidência.

Fernando Henrique conduziu um processo de privatizações que pretendia diminuir o tamanho do Estado e dar um caráter mais liberal à economia, seguindo a cartilha do neoliberalismo, que avançava no mundo naquele momento – portanto, fez um governo alinhado com a ordem de uma economia global que surgia com força no mundo desenvolvido.

Além da economia, também a educação brasileira seguiu esses passos. Foi criada uma LDB – Lei de Diretrizes e Bases da educação brasileira, criado o Enem. Em 1998 e o país foi inserido no sistema internacional de avaliação da educação – Pisa. O resultado disto foi a constatação de que o ensino no Brasil necessita de atenção especial de nossos governantes, o que vem sendo reiteradamente negligenciada.

No decorrer de seu governo – que ia bem – foi apresentada proposta de emenda constitucional que permitisse a reeleição também para o executivo – prefeitos, governadores e presidente da república. E a partir deste momento o bom governo FHC começou a acabar.

Fernando Henrique nega, mas foi acusado de compra de votos para que a emenda constitucional fosse aprovada – e o mais grave para um democrata aceitar! – ela já valeria para o governo de plantão, uma verdadeira afronta à boa legislação.

Na economia, o país tornava-se muito dependente de capital estrangeiro que aportava por aqui com fins meramente especulativos, aproveitando-se das altas taxas de juros e da estabilidade alcançada pelo país. Crises internacionais atingiram o fluxo de capitais, em especial a da Rússia em 1998, o que impactou a moeda brasileira – o governo se viu então na obrigação de queimar suas reservas cambiais e a partir daí foi adotado o câmbio flutuante. Se de início o Real estava pareado com o Dólar, hoje uma moeda americana já oscila em torno de 5 Reais.

Fernando Henrique Cardoso e sua equipe econômica ainda implantaram um regime de responsabilidade fiscal, instituindo lei específica para isso e uma meta inflacionária, que até nos dias atuais vem sendo perseguida por sucessivos governos. Assuntos relacionados a estas medidas até hoje são destaque nas notícias de economia e política do país.

*

Em um artigo publicado nos jornais O Estado de S. Paulo e O Globo, no dia 06 de janeiro de 2020 Fernando Henrique disse ter sido um erro a instituição da reeleição para os cargos do executivo no Brasil. Ele assumiu sua parcela de responsabilidade no processo e ressaltou que talvez um mandato de cinco anos fosse a melhor alternativa. Nas palavras do ex-presidente:  “Devo reconhecer que historicamente foi um erro – se quatro anos são insuficientes e seis parecem ser muito tempo, em vez de pedir que no quarto ano o eleitorado dê um voto de tipo ‘plebiscitário’, seria preferível uma mandato de cinco anos”.

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Radar das eleições – estaduais

Apesar de no plano nacional PT e Solidariedade terem se entendido em apoio a Lula, o mesmo não se dará no plano estadual. Paulinho da Força, presidente do partido, já adiantou que para as eleições estaduais o Solidariedade se juntará à campanha de Rodrigo Garcia (PSDB).

Cresce a possibilidade de o PSB indicar o vice e o candidato ao senado pela chapa de Fernando Haddad (PT). Nesse cenário Márcio França desistiria da disputa pelo Palácio dos Bandeirantes em favor do petista e sairia candidato ao Senado.

Lula finalmente conseguiu equacionar seus interesses no segundo maior colégio eleitoral do país. A divergência estava na candidatura ao senado.  Kassab exigia para compor com o petista no estado que o atual senador Alexandre Silveira fosse o indicado da coligação ao senado, deixando de lado o preferido de Lula, o atual deputado federal Reginaldo Lopes (PT). Lopes será o coordenador em Minas da campanha de Lula. Isso garantiu a Lula estar no palanque de Alexandre Kalil, candidato ao governo do estado pelo PSD.

Também no Rio o PT pode abrir mão à disputa com candidato próprio ao Senado em favor de uma aliança, agora com o PSB. Iso garantiria para Lula lugar privilegiado no palanque de Marcelo Freixo, pré-candidato ao governo do estado. Apesar dos rumores, o deputado e presidente da Alerj André Ceciliano (PT) não admitiu ter saído da disputa – argumenta que como existe acordo entre PSB e PT no nível nacional a situação não se compara à de Minas, onde o entrave se dá com o PSD, que ainda não decidiu a quem apoiar no primeiro turno.

O Partido Liberal – PL encontra-se em crise no estado. Isto porque o presidente nacional da sigla Valdemar da Costa Neto andou interferindo no diretório ao trocar a presidência estadual do partido, retirando a deputada federal Magda Mofatto e colocando em seu lugar o Major Vitor Hugo, ex-lider do presidente Jair Bolsonaro (PL) na Câmara. Acontece que o Major é recém filiado à sigla.

Renan Calheiros (MDB) venceu a queda de braços que travou com o presidente da Câmara Arthur Lira (PP) em Alagoas. Seu candidato à eleição extemporânea ao governo do Estado que foi realizada neste fim de semana saiu vencedor. Paulo Dantas (MDB) assume o governo de Alagoas e deverá se candidatar à reeleição. É aliado ao clã Calheiros e já anunciou apoio a Lula, confirmando esta tendência do partido no Nordeste.