Blog – Formação Política

FORMAÇÃO POLÍTICA

Radar das eleições

O dia 18 de maio, anunciado por um suposto ‘centro democrático’ como a data do anúncio de um candidato que o representasse, se tornou afinal o dia em que a cúpula do PSDB tentará demover João Doria – o candiato que venceu as prévias do partido – da tentativa de se candiatar à presidência.

João Doria tem sido rifado dentro de seu próprio partido.

A missão não será fácil. Doria está se esquivando de se reunir com a cúpula porque sabe das verdadeiras intenções dos dirigentes tucanos. O ex-governador de São Paulo inclusive já deixou entender que pretende judicializar a questão caso o resultado das prévias não seja seguido.

O apoio dado por Fernando Henrique Cardoso a Doria hoje é visto muito mais como um apoio moral do que uma voz efetiva dentro do partido. Apesar de ter se manifestado no sentido de que as prévias devem ser respeitadas, FHC não faz parte da cúpula partidária neste momento.

Já para Aécio Neves, até então um confrontante de Doria dentro da agremiação, o que foi feito com o ex-governador foi o seguinte: retiraram ele do governo de São Paulo para abrir caminho para Rodrigo Garcia, que era vice de Doria – numa articulação que teria sido comandada pelo presidente da sigla Bruno Araujo. Aécio se diz favorável a uma candidatura tucana e é contra o partido se coligar com o MDB em apoio a Simone Tebet.

Aécio Neves trabalhou pela candidatura de Eudardo Leite (RS), derrotado nas prévias.
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O jogo duro das coligações

Vencer uma eleição presidencial não é tarefa fácil. O candidato tem de convencer o eleitor de que é o mais preparado para assumir a responsabilidade de conduzir o país pelos próximos quatro anos. Mas, antes disso, um político tem de passar por outras etapas igualmente difíceis e desgastantes e que vão impulsionar – ou fazer naufragar – uma possível candidatura. Trata-se da escolha do candidato pelo partido e, após isso, a obtenção de apoio de outros partidos que eventualmente não irão lançar candidatura própria para a presidência.

Apesar de ter vencido as prévias do PSDB, João Doria tem encontrado resistências à sua candidatura.

Portanto, o primeiro passo cabe ao partido ao qual ele pertence – sua disponibilidade em lançar um candidato próprio. Acontece que isto envolve um aspecto que tem sido crucial para os partidos e que neste momento mostra-se claro e evidente em alguns partidos, especialmente no MDB e no PSDB.

Emedebistas históricos investem contra a candidatura de Tebet.

Em ambas agremiações, existe uma ala muito forte que prefere não lançar candidato à presidência para que todo os valores que serão creditados referentes ao fundo eleitoral seja direcionado para a divulgação de candidaturas de deputados, senadores e governadores. 

Faz sentido – quando a possibilidade de eleger o presidente é remota, melhor apostar as fichas na tentativa de vencer disputas regionais nos estados e obter a maior bancada possível tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal. Duas vantagens: além de aumentar a participação do partido nos fundos partidários e eleitoral, aumenta o poder do partido em negociar com o executivo – por cargos e verbas. Veja, isto não é ilegal e faz parte do jogo político – o problema é quando partidos ou grupo de partidos – como o Centrão – sequestram a governabilidade e impõe decisões ao mesmo.

Ultrapassado este passo, ou seja, caso um partido decida por lançar um candidato, inicia-se uma batalha intestina em relação à qual nome lançar. Ás vezes, isto é natural. É o caso, por exemplo do PT de Lula ou Bolsonaro pelo partido que atualmente o abriga, o PL ou mesmo Ciro Gomes, no PDT. O problema surge quando mais de um nome se apresenta para a disputa com reais condições de encabeçar uma chapa. 

Apesar de ser considerado algo democrático, isto pode representar uma outra dor de cabeça ao pretenso candidato. Caso atual é o de João Doria que, apesar de ter vencido as prévias de seu partido, o PSDB, enfrentou resistência de uma importante ala que preferia o nome do derrotado nas prévias, Eduardo Leite (ex-governador do Rio Grande do Sul).

Vencidas estas duas etapas chega uma realmente desafiadora – a da construção de uma coligação que dê de fato sustentabilidade à candidatura. É aqui que os caciques dos diversos partidos começam a conversar e a tecer uma rede por vezes incoerente.

Há algumas coligações que são coerentes e até esperadas. Isso se dá devido à posição ideológica dos partidos. Assim, à esquerda uniram-se PT, PSB, PV, Psol, PCdoB, Rede e Solidariedade para juntos unirem suas forças em prol da candidatura Lula-Alckmin. Aliás, o fato de Alckmin ter migrado para o PSB após sua saída do PSDB foi exatamente porque PT e PSB formam uma união totalmente coerente e mesmo histórica.

Ao centro, pretendeu-se formar uma ampla coligação com a intenção de apresentar um candidato que possa representar uma terceira via em relação à polarização Lula-Bolsonaro. Este projeto tem falhado exatamente porque os presidentes dos partidos de centro não têm conseguido entrar em um entendimento em relação a esse nome. Neste grupo estão o PSDB e Cidadania (que estão em processo de formação de uma federação partidária), o MDB acima mencionado, mas também e o União Brasil (partido formado pela fusão de dois partidos, DEM e PSL que juntos se tornaram o partido que mais receberá verbas do fundo eleitoral).

O problema é que, à exceção do Cidadania, trata-se de partidos muito grandes e que possuem alas internas que se digladiam, levando em conta também os interesses regionais. Assim, dentro do PSDB, além daqueles que são favoráveis à candidatura de Eduardo Leite em lugar de João Doria, já tem uma ala sendo assediada por Jair Bolsonaro, o que racha o partido em três. Pelos lados do MDB existe uma importante ala – a nordestina –  que pretende apoiar Lula. 

No próximo dia 18 foi prometida a definição de uma candidatura única que representaria este autodenominado ‘centro democrático’, composto por PSDB/Cidadania, MDB e União Brasil. 

Porém, a União Brasil foi o primeiro que deu mostras claras de que esta coligação naufragou – lançou como pré-candidato à presidência o seu próprio presidente Luciano Bivar e deixou para os diretórios regionais, na prática, a decisão de apoiar Lula ou Bolsonaro. Qualquer apoio a nível nacional ficaria para o segundo turno. 

Presidente do UB Luciano Bivar se adiantou, lançou-se como candidato e deixou a ‘terceira via’ enfraquecida.

À direita, Bolsonaro (PL) faz uso da força que sua caneta presidencial tem para atrair o apoio de outros partidos. Ele já se envolveu até a medula ao Centrão – composto neste momento pelo PL, PP e  pelo Republicanos. Aposta na busca de parte do MDB, do PSDB e do União Brasil para conseguir apoios importantes e vencer as eleições – inviabilizando qualquer tentativa de formação de uma coligação ao centro. Lula também faz isto ao investir sobre o PTB que, no caso de uma coligação ampla, poderia compor uma candidatura de centro-democrática. Parece que a ambos convém a polarização.

O fato é que uma eleição se começa a ganhar conforme vai-se angariando apoios. Este momento é bem interessante – é quando o xadrez político está de fato sendo jogado. Observar estes movimentos permite inclusive perceber se uma coligação é sincera, formada com coerência ou apenas formada com interesses específicos – no caso, vencer as eleições e/ou estar perto do poder.

Se o Brasil vai conseguir encontrar uma porta de saída para sair deste estado de letargia em que se encontra depende muito do que vem sendo negociado agora. Assim, esse momento merece toda a atenção por parte do eleitor e é bom que este eleitor entenda como e porque este jogo é jogado.

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Drops de política

ITAMAR FRANCO – 2/10/1992 A 31/12/1994

Itamar Augusto Cautiero Franco (1930-2011)

Itamar Franco é o típico político mineiro. Como vice de Collor, soube manter-se afastado dele durante o árduo processo que consumia politicamente o presidente. Aliás, aproveitou-se do momento para tecer uma boa base parlamentar. Criou o que ficou conhecido como “o cinturão do Itamar” uma aliança de deputados e senadores que pregaram que, caso o presidente fosse destituído, esse processo não atingiria o vice. Foi com essa base sólida que pode depois implantar o Plano Real. 

Assumindo o governo, destituiu todo o ministério de Collor e instituiu seu próprio Ministério – escolheu ministros de vários partidos e regiões do país. Promoveu uma reunião com os presidentes de dezenove partidos com o objetivo de firmar um pacto de governabilidade. 

Atendendo ao que pedia a Constituição de 1988 promoveu um plebiscito para que a população deliberasse sobre a forma e o sistema de governo no país –  apesar de sua preferência pelo parlamentarismo, o presidencialismo saiu vitorioso.

Itamar trocou de Ministro da Economia. Eliseu Resende deixou o cargo por envolvimento com a construtora (adivinhem!) Odebrecht (isso em 1993 –  o escândalo da Lava Jato só foi explodir mais de 20 anos depois!). Para o cargo, chamou o sociólogo e então Senador Fernando Henrique Cardoso. Esse convocou o economista Pérsio Arida e uma equipe econômica foi formada, cujo Presidente do Banco Central era Pedro Malan. Foi essa equipe, de filosofia liberal que elaborou o Plano Real. A palavra de ordem que veio a seguir era: privatizações.

Também o bom momento da economia mundial abriu a possibilidade de investimentos externos diretos no país e o governo soube se aproveitar destes ventos favoráveis. Já o Mercosul, criado em 1991 possibilitou um incremento no comércio externo brasileiro. Essas duas situações: aumento dos investimentos externos diretos na economia e o aumento das exportações ajudam a explicar o sucesso do Plano Real.

Portanto, foi a grande capacidade política deste mineiro (que na verdade nasceu dentro de um navio durante uma rota entre Salvador e o Rio de Janeiro) que permitiu ao país finalmente encontrar um caminho que o livrasse do que na época era ficou conhecido como o “dragão da inflação”. 

Apesar de ter enfrentado problemas e mesmo escândalos, pode-se dizer que Itamar Franco fez um bom governo para o povo brasileiro.

Itamar é o exemplo claro do que a política é capaz de produzir na vida de cada um de nós. Quando conduzida dentro das regras e com parcimônia, grandes resultados podem ser conseguidos. Porém, quando pensada apenas sob o escrutínio dos ganhos de momento e de ocasião, pode botar a perder muitos benefícios arduamente conquistados. 

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Radar das eleições

João Doria continua enfrentando dificuldades para se firmar como candidato à presidência pelo PSDB e, num plano mais amplo, pela já enfraquecida terceira viaMDBPSDB/Cidadania vão fazer uma pesquisa quantitativa e qualitativa para ver quem tem mais possibilidades de chegar a um segundo turno – Doria ou Simone Tebet – o que se assemelha a uma segunda etapa desta ‘corrida de obstáculos’ que o ex-governador de São Paulo vem enfrentando. Além disto, tem gente dentro do próprio PSDB ainda insistindo no nome de Eduardo Leite (RS), o que torna a pista bastante escorregadia.

Doria tem enfrentado uma ‘corrida de obstáculos’ para se lançar à presidência.

Por outro lado, Lula e Bolsonaro tem trabalhado para minar qualquer possibilidade de outro candidato aparecer entre os dois com reais chances de chegar ao segundo turno. Lula tem mirado o PDT, partido de Ciro Gomes e o MDB enquanto Bolsonaro tem angariado apoio junto ao PSDB e a União Brasil. O jogo é interessante para ambos já que uma terceira via competitiva poderia atrapalhar os planos destes dois extremos.

Porém, Ciro Gomes (PDT) também se movimenta e acenou à Simone Tebet (MDB). Segundo Ciro, Tebet tem sido abandonada e traída pelo MDB – e foi além. Disse que a senadora poderia ser sua vice. Tebet também tem enviado mensagens a Ciro. Disse que o ex-governador do Ceará “tem a grandeza de dizer o que está em risco no Brasil. Ele explica, e explica corretamente, que o PT e Bolsonaro são os dois lados da mesma moeda.”

Ciro acena para Tebet, que acena para Ciro

Devido a disputas regionais, a chapa Lula-Alckmin vai enfrentar dificuldades em vários estados. PT PSB duelam em estados importantes como São Paulo e Rio Grande do Sul. Neste último a preocupação é maior já que o petista tem forte rejeição por lá e Alckmin poderia reverter parte desta rejeição.

Lula também tem enfrentado dificuldades no segundo mais importante colégio eleitoral do país, Minas Gerais. Por lá, o PSD de Alexandre Kalil ainda não fechou apoio ao petista. Quando Lula foi a Minas, no início da semana, Kalil não o encontrou, tampouco tergivesou – foi direto – só encontraria Lula se o impasse sobre a vaga para o senado fosse resolvido e pendesse para o lado de Alexandre Silveira (PSD), o que não aconteceu. Lula prefere o deputado federal Reginaldo Lopes (PT).

Candidato a governo de Minas, Kalil evitou Lula durante a passagem do petista pelo estado.

O candidato à presidência pelo Avante, deputado federal Andre Janones vem ganhando força nos meios digitais. Atualmente já tem 11,5 milhões de seguidores e é o presidenciável com o maior crescimento proporcional de seguidores nas redes. Segundo o candidato, é ele mesmo quem alimenta suas contas. “Eu ligo o celular e começo a falar com o povo”.

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Radar das eleições – estaduais

A escolha do candidato ao Senado que representaria o bolsonarismo em São Paulo está acirrada. A deputada federal Carla Zambelli (PL) e a deputada estadual Janaína Paschoal (PRTB) protagonizam uma discussão que já se estendeu para o campo das redes sociais. A disputa ganhou corpo depois que José Luiz Datena (PSC) sinalizou que não deve disputar a vaga por não estar sentido receber o apoio necessário para isto. Quem também está de olho na oportunidade de representar o bolsonarismo na disputa à vaga do Senado por São Paulo é o ex-presidente da Fiesp Paulo Skaf (Republicanos).

Alguns governadores que irão se candidatar à reeleição têm tentado se afastar da disputa Lula-Bolsonaro. Para Zema a tarefa tem sido mais amena – com alta popularidade, o governador se dá ao luxo de apoiar o candidato de seu próprio partido no primeiro turno, Luiz Felipe Dávila (Novo). Além de coerente, é bem confortável para Zema deixar qualquer apoio para o segundo turno quando, espera ele, estará reeleito e livre para optar entre os dois prováveis candidatos que duelarão na rodada final das eleições.

Já Kalil (PSD) tem vacilado no apoio a Lula. O ex-prefeito de Belo Horizonte e pré-candidato ao governo de Minas quer ver o impasse sobre o candidato ao Senado pela chapa ser definido. Diante do impasse do PSD, o PSB já pensa em lançar o ex-ministro da saúde de Lula, Saraiva Felipe para a disputa pelo governo do estado e garantir um palanque para o petista em Minas.

Candidato à reeleição ao Senado, Romário (PL) deve levar de suplente a ex-esposa do atual presidente e mãe de Flávio e Eduardo Bolsonaro, Rogéria Bolsonaro. Isto para diminuir a resistência do eleitor bolsonarista ao nome do ex-jogador.

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil e candidato ao governo do estado Felipe Santa Cruz (PSD) convidou o ex-prefeito do Rio, Cesar Maia (PSDB) para ser seu vice. A chapa tem o apoio de Eduardo Paes (PSD), atual prefeito da capital carioca. Além de vice, Santa Cruz quer que Maia coordene a comunicação e o programa que servirá de base para um eventual governo.

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Radar das eleições

Após forte campanha de mobilização chamando o jovem a se alistar para o processo eleitoral deste ano, o atual presidente do TSE Ministro Edson Fachin comemorou o resultado. Foram mais de 2 milhões de jovens que tiraram o título de eleitor de janeiro até o prazo final, 4 de maio. A campanha contou com a adesão de artistas como Anita e Leonardo diCaprio.

O ator Leonardo Dicaprio ajudou a internacionalizar a campanha.

Em mais uma derrota para a pré campanha de João Doria, o seu partido PSDB resolveu apostar mais nas candidaturas para governadores. Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul são prioridades mas em especial São Paulo, onde o partido pretende permancer no poder. Para isso, a candidatura de Rodrigo Garcia terá aporte de 21 milhões de reais para turbinar sua campanha – o partido governa o estado há 28 anos.

Rodrigo Garcia viu sua campanha ao Palácio dos Bandeirantes ser tubinada com verba partidária.

Correligionários do Partido dos Trabalhadores tem cobrado de sua presidente Gleice Hoffmann (PR) maior atenção às candidaturas para o legislativo pelo partido. Lembram que não é suficiente para Lula vencer as eleições se não conseguir formar uma boa base no parlamento – estaria refém do centrão.

*

União Brasil se afastou definitivamente do grupo de centro e lançou a pré-candidatura do presidente do partido Luciano Bivar à presidência. Desta maneira, jogará todas as suas fichas na constituição de uma robusta bancada no Congresso e deixará qualquer apoio a um candidato à presidência para o segundo turno.

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Lançada a chapa Lula-Alckmin

Lula e Alckmin unem suas histórias para concorrer à presidência.

Origens distintas

Foi lançada no último sábado, dia 7 de maio a chapa que irá concorrer à presidência formada pela coligação entre o Partido dos Trabalhadores – PT, o Partido Socialista Brasileiro, PSB cuja alianças atrai também partidos mais à esquerda, como o PCdoB e PV – partidos com os quais o PT deve formar uma federação, além do Psol, Rede, Solidariedade.

Para o PT, “a eleição presidencial deste ano colocará em disputa dois projetos muito claros: o da democracia e o do fascismo.”, restringindo desta maneira o pleito a apenas as duas candidaturas que se polarizam.  Se auto determinando democrático, o partido procura adjetivar seu oponente como fascista – faz parte do jogo.

O que é de se admirar é a improvável e, até certo tempo, impensável união de duas figuras públicas que se destacaram por caminhos tão diferentes durante suas vidas públicas. 

Lula surgiu como o panfletário da porta das fábricas que, aos poucos foi consolidando-se como um líder mais ‘palatável’ à esquerda, até conseguir se eleger presidente da república em 2002.

As origens de Lula está ligada aos movimentos grevistas dos anos 1980.

Geraldo Alckmin, ao contrário, sempre teve sua imagem ligada à de um político moderado. Iniciou sua caminhada no MDB (que fazia oposição ao regime militar) e ajudou a fundar o PSDB – que de início tinha uma posição de centro-esquerda. Durante seus mais de 30 anos no PSDB, Alckmin forjou a imagem de se opor fortemente aos ditames do PT, especialmente aos de seu líder, Luiz Inácio Lula da Silva.

Moderado, Alckmin sempre soube ‘escolher as palavras’ para transmitir suas ideias.

Há justificativa para a formação desta chapa?

Por incrível que pareça, há. Quando se fala nos partidos que a compõem (PT e PSB) a aliança é quase natural. O diferente aí foi o fato de Alckmin ter se filiado ao partido socialista.

Além disso, o discurso petista de que as próximas eleições serão definidas pelo embate democracia x fascismo é suficiente para ajudar a justificar esta estranha união. Seria, portanto, um esforço maior em torno de uma proposta democrática que iria forjar a chapa. Somente unindo forças até então antagônicas se poderia combater um mal maior – que é aquele que atenta contra o próprio processo democrático.

Por esta ótica, Lula aceitaria se unir a um candidato que sempre contestou suas atuações políticas porque o momento pede grandeza – não é momento de fazer as escolhas mais coerentes e sim as mais eficazes. Já Alckmin aceitou colocar seu nome junto ao de seu antigo oponente porque trabalha em prol da Democracia – para tanto sujeitou-se inclusive a filiar-se a um partido que não tem muita ligação com a história política do ex-governador de São Paulo.

Assim, enquanto Lula faria o papel de conversar com o povo, que se encontra neste momento bastante necessitado, Alckmin conversaria com a elite, que também se vê desorientada. Pode funcionar.

Como a chapa foi formada:

Em uma palavra, a chapa foi formada no susto! Na verdade, duas figuras deram o início àquela que tem sido considerada uma das chapas mais improváveis da política recente do país – o deputado federal Gabriel Chalita (sem partido) e o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT). Foram meses de uma costura delicada que acabou desencadeando em uma chapa que pretende, com a conhecida parcimônia de Alckmin, trazer Lula mais para o centro mas que tem tido, até agora, o efeito contrário – a força e o vigor do discurso de Lula é que tem conduzido Alckmin mais à esquerda.

Após o lançamento oficial da chapa, a dupla seguirá em périplo pelo país. Não se sabe o desfecho disto tudo. A dupla diz que pretende garantir a democracia no país – pode ser. Uma análise mais profunda, todavia, pode demonstrar que  Lula, ao almejar uma nova chance na presidência, pode ter em mente inclusive o desejo de vingança. Para Alckmin, esse parece ser o único caminho para um dia conseguir o posto mais alto do Executivo nacional – sua última tentativa foi um fracasso e ser vice de uma chapa vitoriosa neste momento pode-lhe abrir chances enormes.

As Vitrines

O fato é que ambos, a despeito de envoltos em escândalos de corrupção – Lula inclusive condenado por envolvimento nos casos relacionados à operação Lava Jato, e Alckmin com o desagradável mal explicado (e investigado) do caso do Rodoanel durante seus governos no Estado de São Paulo, ambos têm muito a expor.

Para ser breve, durante o governo Lula o Brasil experimentou forte crescimento econômico e reduziu o famigerado fosso da diferença social existente e persistente no país. O Brasil alcançou, durante a sua gestão, o honroso posto de sexta economia do mundo, desbancando a Inglaterra e chegando a ameaçar muito de perto a francesa.

Parecia que o Brasil finalmente tinha alcançado o destino de “país do futuro”.

Já Alckmin soube conduzir como ninguém a “locomotiva São Paulo” – o Estado disparou como o mais importante estado da federação. Haja vista enquanto São Paulo, governado por sucessivos governos do PSDB conseguiu se modernizar e enriqucer como nunca, o Rio de Janeiro, apesar de ter sediado inclusive uma Olimpíadas (de 2016), não acompanhou o rítmo paulista.

Durante os “anos Alckmin” São Paulo se consolidou como cidade global.

Desta maneira, os dois candidatos tem o que ‘colocar à mostra’ em suas vitrines, apesar de ter também muita coisa para deixar escondida no porão.

Em suma: 

Não se pode condenar a chapa apenas porque até então os candidatos seguiram caminhos diversos – é parte da política às vezes mudar de rota para evitar o despenhadeiro – aliás, isso faz parte da vida como um todo.

Melhor avaliá-la frente às outras opções que nos próximos meses serão oferecidas ao eleitor.

Acompanhar de perto todo este processo é fundamental para a escolha – o país tem, neste momento pouco espaço para equívocos. Que vença o melhor e mais preparado para assumir o país nestes tempos tão estranhos. Boa sorte ao Brasil!

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Drops de política

FERNANDO COLLOR – 15/3/1990 A 2/10/1992

Atualmente Collor é Senador da República por Alagoas.

Fernando Collor de Mello foi o primeiro presidente enfim eleito pelo voto popular após o longo período da Ditadura Militar. Para concorrer, criou-se um partido – o PRN – Partido da Reconstrução Nacional -que logo angariou a simpatia da elite e da imprensa. Em pouco tempo despontou como uma imagem moderna mas também agressiva, que discursava furioso contra a esquerda – naquele momento representada tanto por Leonel Brizola (PDT) quanto por Lula (PT). Na verdade, Collor foi a solução encontrada – e inventada – para impedir a vitória da esquerda nas eleições daquele ano.

Collor promoveu uma ampla abertura do mercado brasileiro, que era muito fechado. Para se ter uma ideia, naquele momento – inícios da Revolução Tecnológica – o brasileiro só podia comprar computadores feitos no Brasil – e nossa indústria de computadores era muito defasada em relação à mundial. O mundo já estava embarcando na Internet enquanto o Brasil parecia uma grande ilha isolada de toda aquela evolução nas comunicações. 

Isto também acontecia em relação aos automóveis – o brasileiro não tinha acesso a carros mais modernos e devia se contentar com os modelos que eram produzidos pela indústria instalada no Brasil – por isso, Collor chamou nossos carros, naquela ocasião de “carroças”.

Mas para conter a inflação Collor foi ousado e propôs um plano econômico que simplesmente sequestrou valores depositados em poupança e em conta-correntes a partir de certo valor – equivalente a 1250 dólares americanos (o que hoje seria algo em torno de R $6.000,00). O valor seria devolvido paulatinamente após um período – fez isso para evitar que o brasileiro tivesse dinheirono bolso para comprar, o que desencadearia o processo inflacionário novamente.Só que, apesar de todo este esforço o processo inflacionário não foi contido. Pouco tempo depois, novo pacote foi lançado, novamente congelando preços e salários, mas a situação econômica do país – e do brasileiro apenas se deteriorou.

Politicamente, Collor perdeu logo o apoio que tinha no parlamento. Seu partido era insignificante e não tinha forças para sustentá-lo diante de deputados que se viam cada vez mais pressionados pela opinião pública em relação ao presidente – faltava um escândalo para ferir definitivamente o governo de morte – e não demorou muito a aparecer.

O próprio irmão de Collor, Pedro, denunciou em entrevista à revista Veja que o presidente liderava um esquema de corrupção, tendo como testa de ferro o tesoureiro de sua campanha, Paulo César Farias, que ficaria conhecido como PC. O caso era simples – com o consentimento de Collor, PC extorquia dinheiro de empresários que tinham negócios com o governo.

O Partido dos Trabalhadores logo protocolou um pedido de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito – CPI para apurar os fatos. A imprensa teve papel fundamental na elucidação de todo o esquema. Collor ficou isolado politicamente e resolveu fazer uma jogada arriscada – convocou o povo a sair às ruas com as cores verde e amarelo para demonstrar apoio ao seu governo. O povo saiu, mas de preto, sinalizando que desaprovava seu mandato.

A CPI terminou seus trabalhos com a conclusão de que a conduta do presidente não era compatível com “a dignidade, a honra e o decoro do cargo de chefe de Estado.” Logo veio o pedido de impeachment.  Collor foi afastado do cargo e Itamar Franco, seu vice, assumiu interinamente. Enquanto se dava a votação final do processo no Senado, o advogado de Collor interrompeu a mesma para anunciar a renúncia do presidente, em uma tentativa de evitar danos maiores, porém, o prazo para isso já havia se esgotado. Collor foi afastado do cargo em um processo que a imprensa acabou anunciando como uma vitória da democracia.

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Radar das eleições – estaduais

O candidato e atual governador do estado Rodrigo Garcia (PSDB) tem trabalhado intensamente para garantir sua permanência no Palácio dos Bandeirantes. Para tanto, vem visitado o interior do estado, concendo entrevistas e corrido para imprimir seu estilo no governo, promovendo mudança em cargos. Pretende imprimir um discurso centrista para fugir à polarização Bolsonaro/Lula e tem até mesmo se afastado de Doria, já que a rejeição do ex-governador – do qual ele era o vice – é grande.

Em São Paulo a velha disputa entre PT e PSDB está sendo reeditada ao ponto do candidato que tem o apoio de Bolsonaro Tarcísio de Freitas (Republicanos) não estar conseguindo formar alianças importantes. O próprio PL, partido do presidente tem demonstrado inclinação à candidatura de Rodrigo Garcia, do PSDB. Pelos lados do PT, Fernando Haddad lidera as pesquisas de intenção de voto.

Existe uma tradição pela qual quem vence em Minas, vence as eleições no Brasil. Isso tem preocupado os bolsonaristas. Acontece que a campanha de Carlos Viana (PL) tem mostrado incapacidade de decolar. Desta maneira, aproximar-se do atual governador do Estado Romeu Zema (Novo) seria a solução.  O problema é que quem parece não querer Bolsonaro em seu palanque em Minas é Zema, que pontua com folga nas pesquisas de intenção de votos para o governo do Estado e tem lá suas dúvidas sobre o desempenho do presidente como cabo eleitoral no estado.

Lula (PT) definiu seu candidato ao governo de Pernambuco. Descartou a candidata do Solidariedade Marília Arraes (que deixou o PT este ano) e fincou apoio ao deputado federal Danilo Cabral (PSB). O que pesou para a decisão, segundo o ex-presidente foi o acordo a nível nacional firmado com os socialistas, já que Alckmin, que ingressou este ano no PSB é o seu vice. Marília, por sua vez, disse que continua fiel ao apoio a Lula para a presidência do país.

Nas Alagoas, a disputa pelo governo do Estado, que deveria se dar em outubro, já está quente devido às eleições indiretas extemporâneas que deveriam ter ocorrido na segunda-feira, dia 2 de maio para a escolha, pelos deputados estaduais, de um governador tampão, mas que foi adiada por decisão do STF. 

Os dois principais caciques políticos do estado, Arthur Lira (PP) e Renan Calheiros (MDB) fazem uma queda de braços que certamente irá refletir diretamente no pleito do final do ano. Quem estava governando o estado era Renan Filho (MDB) que renunciou ao cargo para concorrer ao Senado. Como ele não tinha vice, já que o mesmo também renunciou para se tornar prefeito de um município do interior das Alagoas – Arapiraca, o cargo ficou vago. 

Assim, vaga está em aberto. Cabe à Assembleia Estadual investir um novo governador já que aquele que estava na linha de sucessão, o presidente da Assembleia também renunciou. Dezesseis parlamentares protocolaram a candidatura para o governar o Estado até o final deste ano.

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Radar das eleições

A chapa Lula/Alckmin atraiu para si o apoio do Solidariedade em um momento em que as candidaturas procuram aquinhorar apoio político para se viabilizarem. Uma ala inportante do PSD, composta pelo senador Omar Aziz (AM) e pelo vice-presidente da Câmara dos Deputados Marcelo Ramos (AM), por exemplo, tem se inclinado à candidatura do petista.

Senador amazonense tem se inclinado a favor de apoio a Lula

É que para o presidente do Solidariedade Paulinho da Força a batalha que acontecerá entre direita/esquerda no Brasil não se restringe ao nosso país. Para o deputado “você vai ter uma guerra não da direita no Brasil, mas da direita no mundo”. Daí insistir que nesse momento “é preciso unir forças” em torno de uma candidatura que promova a troca ideológica da condução do país.

Presidente do Solidariedade vê uma batalha global entre direita/esquerda.

Porém o presidente do PSD Gilberto Kassab disse que tem despontado como a única terceira via possível é Ciro Gomes (PTB) e mais, considera nesse momento difícil mas não impossível levar o seu partido a apoiar o petebista no primeiro turno das eleições. Ciro, através do Twitter agradeceu o afago.

Kassab fez afagos a Ciro (PTB)

Já João Doria continua enfrentado dificuldades em se viabilizar como candidato. Enquanto as cúpulas do MDB e do PSDB tentam convencer o ex-governador de São Paulo a sair como vice de Simone Tebet, Doria pretende formar uma chapa puro sangue, indicando para vice a senadora Elizaine Gama (AM). O paulista tem ameaçado levar a questão ao TSE caso o resultado das prévias do seu partido não sejam respeitadas pelo partido.

Doria fala em chamar a Senadora Elisaine Gama (AM) para compor uma chapa puro-sangue.