Blog – Formação Política

FORMAÇÃO POLÍTICA

Radar das eleições

Aécio Neves saiu definitivamente a favor da candidatura de Eduardo Leite (RS) à presidência, pelo PSDB. De acordo com o deputado mineiro, chegou a hora do partido criar juízo e apresentar o único candidato que, de acordo com ele, reúne reais condições de vitória.

Aécio Neves (MG) articulou encontro de Leite com Paulinho da Força (Solidariedade)

Porém, alguns corregilionários do partido já entendem que a questão da candidatura do PSDB vai se judicializar. O estatuto da agremiação prevê que “os candidatos vencedores em eleições prévias terão seus nomes homologados nas convenções convocadas para esse fim“. João Doria pretende se agarrar a estas palavras para se ver candidato à presidência pelo partido.

Enquanto isso Eduardo Leite (PSDB) leva adiante sua candiatura “paralela“. Para tanto, tem se encontrado com figuras importantes da política nacional, entre eles, Michel Temer – um ardoroso defensor do semipresidencialismo que tem tentado impor a estatura da sua figura em conversa com presidenciáveis- dias atrás recebeu Simone Tebet (MDB), outra pretensa candidata à terceira via.

*

Já os integrantes do MDB do nordeste e do sul estão em atrito em consequência do apoio que algumas figuras históricas do partido tem dado à candidatura de Lula (PT). Os sulistas estão mais voltados a uma candidatura própria de Simone Tebet ou pretendem apoiar Bolsonaro (PL) à reeleição.

O cacique do MDB, Renan Calheiros é um dos apoiadores de Lula dentro do partido.

*

Após o afastamento de Sérgio Moro (UB) da corrida presidencial, Ciro Gomes (PDT) disse estar disposto a conversar com o gurpo que pretende oferecer uma alternativa à polarização Lula-Bolsonaro. Segundo Ciro, ele jamais comporia com um grupo que tinha em sua composição, a seu ver, um ‘inimigo da República‘, que é como ele tem tratado o ex-juiz que capitaneou a operação Lava Jato.

Ciro Gomes já admite compor a terceira via.

*

O estatuto da Federação Partidária que está sendo formada por PTPCdoB PV procurará, segundo a presiente do PT Gleice Hoffmann reproduzir os dizeres da lei eleitoral em relação às candidaturas, ou seja, a coordenação da união partidária preve 30% das vagas para mulheres e outros 20% reservadas para cotas etnico-raciais. A Federação deve lançar Lula para a cadeira de presidnte da república com Geraldo Alckmin (PSB) para vice.

Gleice Hoffmann quer uma Federação em consonância com a Lei Eleitoral vigente.
FORMAÇÃO POLÍTICA

Drops de política

ERNESTO GEISEL – 15/3/1974 A 15/3/1979

Geisel governou projetando a abertura política mas mantendo mão de fero contra a oposição.

Apesar de ter sido escolhido por Médici, Geisel representava uma ala mais moderada dos militares – com ele, o AI-5 seria sepultado. Porém, a moderação tinha limites. Geisel não se absteve de promover medidas antidemocráticas quando se sentia ameaçado. Lançou mão do “pacote de abril”, um conjunto de medidas que ampliava o poder da Arena quando percebeu que a oposição poderia dominar o Congresso, por exemplo.

Em 1975 houve o assassinato do jornalista Herzog, com a alegação de que ele havia se suicidado na prisão. A morte de outro preso político, Manoel Fiel Filho em 1976 fez com que Geisel definitivamente confrontasse a linha dura das Forças Armadas. Exonerou generais e demitiu um ministro militar que apoiava a linha dura. Assim, no final de seu governo a ditadura havia sofrido uma forte inflexão.

Na economia, toda a bonanza pela qual surfou o presidente Médici havia acabado e a fatura viria alta, em forma de uma inflação que em pouco tempo se tornaria incontrolável – o forte crescimento da economia já não se via mais.

Geisel conseguiu fazer seu sucessor após bater de frente com a linha dura da ditadura militar. Escolheu o então chefe do SNI – Serviço Nacional de Informações, João Baptista Figueiredo. Para isso teve de enfrentar inclusive uma ameaça de golpe. O caminho para a redemocratização estava, todavia, começando a ser pavimentado.

FORMAÇÃO POLÍTICA

Radar das eleições

Renata Abreu, presidente do Podemos disse que Sérgio Moro foi ingênuo ao deixar o partido e migrar para o União Brasil. Ela não parece estar errada se levarmos em consideração que hoje os presidentes de partidos – como é o caso de Luciano Bivar, do UB estão preocupados mesmo é com a quantidade de parlamentares que conseguem fazer. Moro, além de se eleger com facilidade para Deputado Federal, por exemplo, tem o poder de ‘puxar‘ vários candidatos para a legenda, aumentando o valor das verbas eleitorais do partido bem como o cacife de negociação com o ocupante do Planalto.

Renata Abreu, presidente do Podemos

PSDB MDB cumprem à risca a tradição de partido político dividido. Não conseguem se entender na hora de encaminhar um nome ao menos para tentar se viabilizar como terceira via. No partido dos tucanos, João Doria sofre para manter sua candidatura viável, quando tem uma ala importante do partido trabalhando por Eduardo Leite. No MDB Simone Tebet vê parte dos emedebistas olhando com simpatia para a candidatura de Lula. Assim fica difícil convencer quem está fora do partido a se juntar à uma candidatura quando o próprio partido não se une em torno de um único nome.

Aliás, o quadro está embaralhado. Tem muita gente dentro do PSDB que enxerga em Simone Tebet a candidata ideal para este ano. Deste modo o PSDB agora se fraciona em três vertentes: uma que apoia o vencedor das prévias João Doria, uma que quer anular o resultado das prévias e lançar Eduardo Leite, e uma que já enxerga na senadora do MDB a solução. Bom lembrar que esta ala quer se desvincilhar de uma campanha presidencial própria para ter mais recursos para bancar campanhas para governadores, senadores e para deputados.

Ala do PSDB já vê em Tebet a solução.

Já no que diz respeito às duas principais candidaturas o que se vê é Lula tropeçando na própria lingua ao defender a revogação da reforma trabalhista e Bolsonaro recuperando pontos perdidos. Nem as trapalhadas do seu governo, nem os fortes odores de corrupção que escapam aqui e alí têm sido capazes de segurar o avanço que ele tem obtido ao despejar dinheiro com verdadeiros ‘pacotes de bondades‘ típicas de ano eleitoral – especialmente ano de reeleição.

Do mais, o Partido dos Trabalhadores aprovou por 68 votos a favor e 16 contra a chapa Lula-Alckmin; enquanto Jair Bolsonaro (PL) lançou uma nova citação bíblica para uma nova campanha que, segundo o próprio presidente trata-se de ‘um resumo de vários livros que [leu]’: “Nada temeis, nem mesmo a morte, a não ser a morte eterna“.

Bolsonaro afina o discurso para uma nova campanha.
FORMAÇÃO POLÍTICA

Radar das eleições – Estaduais

Primeira sondagem datafolha para o governo de São Paulo aponta Fernando Haddad (PT) na liderança com 29% das intenções de voto seguido por Márcio França (PSB) com 20%; Tarcisio de Freitas (Republicanos), com10% e Rodrigo Garcia (PSDB), atual governador do Estado com 6%.

Este resultado deixa indefinida a situação entre PT PSB no Estado, confirmando o que França vinha advogando – de que seu nome é competitivo e de que ele tem mais chances de vencer eventual segundo turno do que Haddad, que não consegue atrair votos do centro.

No PL a situação também é delicada. Oficialmente o partido do presidente Jair Bolsonaro apoia Tarciso de Freitas mas ao menos 7 dos 17 deputados estaduais do partido declaram estar com Rodrigo Garcia.

*

O partido Novo deve romper uma tradição que mantém desde seu surgimento e compor uma aliança partidária para reforçar as possibilidades do governador do Estado Romeu Zema se reeleger. Em troca, pretende oferecer o cargo de vice governador e a vaga à disputa pelo Senado. O partido admite que precisa melhorar o relacionamente na Assembleia Legislativa, o que se dá necessariamente com a formação de alianças. Será a primeira vez que o partido participará de uma eleição sem a formação de uma chapa “puro sangue”.

*

No Rio de Janeiro Marcelo Freixo (PSB) sai na dianteira, marcando 22% das intenções de voto, seguido pelo atual governador Cláudio Castro (PL), com 18% – pesquisa Datafolha.

FORMAÇÃO POLÍTICA

Radar das eleições

Aécio Neves muda o tom em relação à João Doria mas não muda a essência do que pretende – afastar Doria da corrida presidencial e fazer o partido indicar Eduardo Leite (ex-governador do RS) para a chapa. Conforme o mineiro, quatro partidos – PSDBCidadaniaMDB União Brasil – se comprometeram a oferecer um cadidato único no dia 18 de maio e este nome deve ser o de Eduardo Leite. A Doria caberia fazer um gesto digno neste momento e aguardar uma próxima oportunidade. O paulista não parece disposto a concordar.

Aécio muda o tom, mas não o discurso.

Durante sua fala na Brazil Conference deste ano, Ciro Gomes (PDT) afirmou que pretende mostrar quem é, enquanto candidato – “Eu falo o que eu quero, do jeito que eu quero, uso palavrão. Estou aqui exibindo a minha vida, tenho esta personalidade.” Para um país que, dia sim, outro também, é obrigado a conviver com as grosserias do mandatário de plantão, esta expectativa é realmente angustiante -, o país precisa de menos gritaria e mais soluções.

A depender de Ciro Gomes, o país terá de se sujeitar a mais um governo verborrágico.

Ainda sobre a Brazil Conference, que foi realizada neste fim de semana em Boston, EUA, João Doria (PSDB) disse, por meio remoto, que está aconstumado a enfrentar primeiramente o seu próprio partido para depois encarar os adversários nas eleições – foi assim para a disputa à prefeitura de São Paulo, em 2016 e foi assim para a disputa pelo governo do Estado de São Paulo, em 2018.

Doria falou de maneira remota na Conferência.

Também participaram da conferência Sérgio Moro (UB), Simone Tebet (MDB), Eduardo Leite (PSDB). Representando o ex-presidente Lula, esteve presente o ex-governador da Bahia Jaques Wagner (PT), cuja única exigência foi a de não se encontrar, em hipótese alguma, com Sérgio Moro durante o evento.

Jacques Wagner representou Lula na Brazil Conference deste ano.
FORMAÇÃO POLÍTICA

Haverá uma terceira via?

Movimentos erráticos e muita indefinição – assim se encontra o quadro eleitoral para a presidência da república. Pode até parecer normal, pois ainda estamos a seis meses do pleito, mas alguns movimentos são incompreensíveis. Dois dos principais postulantes da terceira via fizeram movimentos tão estranhos quanto evasivos. No momento, não se sabe se Sérgio Moro (UB) continua candidato –  ele diz que sim, mas seu partido diz que não. João Doria, após o contorcionismo da semana passada segue intitulando-se o candidato do PSDB – o que, de fato é, mas quem quer buscar o protagonismo e deixá-lo no posto de vice é Simone Tebet (MDB) que esta semana colocou as mangas de fora e em conversa com Eduardo Leite (PSDB) disse que é a candidata à presidência, não a vice. Ciro Gomes (PDT) parece correr por fora e está mais para uma “quarta via” do que disposto a compor com a terceira. Nomes, como o de Luiz Felipe D´Avila (Novo) sumiram do noticiário. Prazo existe, mas é tempo de se juntar, não de espalhar.

Pré candidato pelo Novo, D´Avila não tem sido chamado às discussões.

*

Pelos lados do Peru a política treme. Protestos que começaram em função do aumento do preço dos combustíveis, que acaba puxando o nível de inflação para as alturas tiram a paz do governo recém empossado de Pedro Castillo. Na Hungria o premier Viktor Orbán consegue seu quarto mandato, agora com ampla maioria no parlamento para promover mudanças na Constituição que lhe serão muito oportunas em um futuro breve. Já foi dito e isto parece cada vez mais claro: o mundo entrou em um momento de confronto entre democracias e autocracias – e são as últimas que têm tido vitórias importantes ultimamente.

Governo peruano enfrenta onda de protestos.

*

E por falar em autocratas, Putin foi acusado de cometer crimes de guerra devido à execução de civis ucranianos nos arredores de Kiev. Conforme o exército russo se afastou do lugar o rastro de morte e destruição ficou visível. União Europeia e Estados Unidos prometeram aumentar as sanções econômicas  à Rússia. O presidente da França Emmanuel Macron defende a proibição de importação de gás e carvão da Rússia pela Europa, o que esbarra nos interesses da Alemanha. Já o presidente da Ucrânia Volodymyr Zelensky, em visita ao local, classificou a situação como um genocídio. O clima promete esquentar – Alemanha e França expulsam diplomatas russos em meio à negativa desses atos pelo Kremlin.

E o Oscar finalmente se pronunciou sobre o caso de Will Smith, que durante a cerimônia deste ano desferiu um tapa na cara do comediante Chris Rock por este ter feito uma piada sobre a condição de saúde de sua mulher Jada Pinkett Smith. O ator, que se encontra internado em uma clínica de reabilitação, foi banido das premiações do Oscar por 10 anos, todavia, o prêmio que recebeu foi mantido.

Academia afasta Smith por dez anos devido a agressão.

*

E a Academia Brasileira de Letras, ALB está se tornando mais eclética. Após Fernanda Montenegro tomar assento como a primeira atriz na casa, agora foi a vez do primeiro representante da MPB encontrar ali o seu lugar de imortal. Gilberto Gil tomou posse e ocupará a cadeira de nº 20 da instituição. No seu discurso de posse, Gil lembrou que chegou a ironizar a academia na capa de seu LP “Tropicalista”, de 1968. Justificando-se, disse que um amigo lhe lembrou que “as ironias sempre trazem seu revés, papéis trocados, eis aqui, vida vadia: fardão custoso, bordado a ouro, vistoso, me revestindo da cabeça aos pés”.

Gilberto Gil discursa ao tomar posse na ABL.

*

Lygia Fagundes Telles (1918-2022)

Mas a semana começou com o anúncio da morte da escritora Lygia Fagundes Telles. Ganhadora de quatro prêmios Jabuti, além do prêmio Camões em 2005, ela ficou conhecida como “a dama da literatura nacional”. Ocupava a cadeira de nº 16 da Academia Brasileira de Letras desde 1985. Lygia faleceu em sua casa, em São Paulo, aos 98 anos, ainda que registros sugiram que a autora teria 103 anos ao morrer. 

Damo de Abreu Dallari (1931-2022)

Também nos deixou, no dia 08 de abril, o grande jurista Dalmo de Abreu Dallari, professor emérito da Faculdade de Direito da USP, aos 90 anos, em São Paulo. Dallari foi grande defensor da Democracia no momento em que o Brasil vivia a longa noite da ditadura militar.

Boa semana a todos.

FORMAÇÃO POLÍTICA

Drops de política

EMÍLIO GARRASTAZU MÉDICI – 30/10/1969 A 15/3/1974

Durante o tempo em que Médici esteve no poder, o Brasil cresceu mas as liberdades diminuíram.

O governo de Médici conseguiu praticamente eliminar os grupos de luta armada que haviam se organizado pelo país. Mas para isso, valeu- se de torturas e assassinatos. Por outro lado, o forte crescimento econômico experimentado naquele momento colocava uma cortina de fumaça nas atrocidades que estavam sendo cometidas. Médici conseguiu expressivos índices de popularidade.

Através de forte campanha publicitária, o governo vendia a imagem de uma país composto por uma gente ordeira, fruto da mistura de três raças – a africana, a europeia e a indígina que deveriam lutar contra os comunistas, que seriam uma versão deturpada desta mesma gente. Mantendo a repressão, criou a “medalha do pacificador”, honraria que seria concedida àqueles que se destacassem nos porões da ditadura.

Interferiu diretamente nas eleições estaduais, obtendo para o seu partido – A Arena vinte e um governadores a seu favor. Como tinha o Congresso, recém aberto, sob seu comando, governou praticamente sem qualquer oposição política organizada.

Durante sua gestão a seleção brasileira de futebol sagrou-se tricampeã mundial (México, 1970), aumentando a euforia de um povo e de um país que chegava à condição de maior economia do hemisfério Sul e se aproximava das maiores economias do planeta. Foram realizadas grandes obras, entre elas, a usina hidrelétrica de Itaipu, projetando um “Brasil Potência”.

Em 1973 o primeiro susto: a infraestrutura energética, logística e de telecomunicações existente no país estava se mostrando insuficiente para assegurar um crescimento da economia tão elevado – o primeiro choque do petróleo, ocorrido neste ano, colocou o país diante de um desafio do qual ele não foi capaz de superar. A conta de todo este processo desenvolvimentista seria apresentada, todavia, ao próximo presidente militar, Ernesto Geisel.

FORMAÇÃO POLÍTICA

Lula e Alckmin se aproximam mais

Encaminhando para a formação de uma chapa que até poucos meses atrás poderia soar como impensável, Lula e Alckmin deram mais um passo para a consolidação desta união.

Um chapa improvável que se forma: Lula e Alckmin.

Geraldo Alckmin, que foi um dos fundadores do PSDB tem sua origem política atrelada ao MDB – depois PMDB, já no final do período da ditadura militar. Deste modo, Alckmin apareceu no cenário político no partido que fazia oposição ao regime militar que perdurou de 1964 até 1985. Portanto, não se pode falar que a origem de Alckmin seja a direita já que os políticos com esta coloração partidária estavam abrigados na Arena.

Com o passar do tempo o próprio PSDB, partido que surgiu de uma dissidência do PMDB passou do espectro político da centro-esquerda para a centro-direita. No momento, aliás, o partido dos tucanos está fazendo um movimento ainda mais à direita, podendo já ser considerado um partido que tem no livre mercado sua principal orientação – e não mais nas questões sociais.

Alckmin desfiliou-se do PSDB no fim do ano passado e após um período de negociação com alguns partidos, optou pelo PSB Partido Socialista Brasileiro, com a promessa de que iria ser alçado ao cargo de vice-presidente de Lula nas eleições de 2022.

Para Geraldo Alckmin esta aliança, aparentemente incoerente transformou-se na única porta que ele viu se abrir para o seu projeto de um dia ser Presidente da República do Brasil. Afinal de contas, no término de um novo mandato de Lula, o petista já estará com 80 anos, Alckmin estará com 73 anos, ainda em condições de enfrentar uma nova corrida eleitoral. Certamente este trato foi feito – “agora você, depois eu!”. Se um novo pretenso mandato de Lula for positivo, Alckmin terá condições reais de se eleger em 2026. Isto sem contar com a possibilidade de Lula, por um motivo ou outro ter de se afastar.

Deve-se levar em conta também que o antigo partido de Alckmin, PSDB não lhe proporcionou o apoio necessário para sua maior ambição – a Presidência. Nas eleições de 2018 o candidato Alckmin teve um desempenho abaixo de qualquer expectativa alcançando menos de 5% dos votos válidos no pleito. Basta lembrar que o candidato ao governo do estado de São Paulo, na ocasião João Doria alcunhou-se de Bolsodoria para atrair o voto dos bolsonaristas que nasceram do desencanto com a política, especialmente com os candidatos do PT.

Já pelo lado de Lula o esforço de atrair Alckmin para sua chapa se dá em função da necessidade que o candidato tem de atrair uma parcela do centro político para a esfera de sua candidatura. Alckmin é um vencedor em São Paulo, tendo governado o Estado em quatro ocasiões. Ele também tem a chave que abre para a chapa a porta de confiança de que o mercado precisa para escolher alguém para cuidar do país. Depois do erro cometido com a eleição de Jair Bolsonaro, a Faria Lima não quer se equivocar novamente. Neste sentido, alguns analistas tem enxergado em Alckmin o mesmo poder que teve a “Carta ao Povo Brasileiro” que Lula assinou durante a campanha de 2002, comprometendo-se a respeitar as leis do mercado. De lá para cá se passaram 20 anos e uma mera nova missiva não teria o poder de convencer o mercado das boas intensões de Lula.

Compreender estas nuances nos faz perceber que a união destes dois adversários políticos não é tão incoerente assim. Ambos têm bastante experiência política para assumir um país dividido como é o Brasil de hoje em dia. Visto por este ponto de vista, a união destes candidatos em uma única chapa pode até ser “vendida” aos eleitores como um esforço que cada um dos dois fazem em benefício do Brasil. Pode até funcionar. Com a palavra os marqueteiros.

FORMAÇÃO POLÍTICA

Radar das eleições

Simone Tebet (MDB) tem se apresentado como alternativa à polarização Lula/Bolsonaro. A pré-candidata disse que não há plano B – ela é candidata à Presidência, não à vice. Também disse em entrevista ao Estadão que MDBUnião Brasil PSDB pretendem fornecer uma única candidatura e que entre os tucanos, o candidato legítimo é Doria, por ter vencido as prévias, mesmo com Eduardo Leite tendo se manfestado no sentido de que aceita ser vice de Tebet em uma chapa que seria formada pelos três partidos, além do Cidadania, em coligação.

Tebet diz que qualquer que seja o candidato apresentado pelo PSDB, ela pretende figurar como cabeça na chapa.

Aliás, o presidentes dos partidos, respectivamente Baleia Rossi, Luciano Bivar, Bruno Araújo e Roberto Freire se reuniram na quarta-feira, dia 06 para falarem sobre a sucessão presidencial. Com o fim da janela partidária é hora de definição. Apesar de aparentemente não participar da conversa, uma ala do PDT, de Ciro Gomes já almeja se aproximar dos partidos que pretendem oferecer uma candidatura única à presidência. Na reunião foi fixada a data de 18 de maio para apresentar uma chapa única ao pleito para a presidência da República deste ano.

Ciro Gomes (PDT), João Doria (PSDB) e Sérgio Moro (UB) irão participar da Brazil Conference 2022, realizada anualmente pela comunidade brasileira de estudantes em Boston-EUA. Isto demonstra que Doria e Moro continuam em pré-campanha, indiferentes aos problemas internos que estão enfrentando em seus partidos para levar a candidatura adiante. A conferência acontece nos dias 09 e 10 de abril – sábado e domingo próximos.

Ciro Gomes é outro candidato que aceita compor com a condição de que ele seja o candidato à presidência.

Oficialmente o PSDB ignora as intenções de Eduardo Leite em ocupar o lugar de Doria. Foi acertado que as inserções em propaganda nacional que o partido tem direito na TV agora no final de abril serão dedicadas exclusivamente à candidatura de Doria. Aliás, o tesoureiro do partido César Contijo é leal defensor da candidatura do paulista ao Planalto.

Moro tem enfrentado dificuldades em se adaptar ao mundo da política. A maneira com o qual deixou o Podemos causou ressentimentos e deixou órfãos dentro do partido – parlamentares e pessoas sem mandato que acompanharam a sua filiação e que ficaram para trás diante de sua repentina saída. A cúpula do partido chama o ato de traição. Moro precisa entender que política sempre se faz com diálogo, nunca à base da canetada

Eu mudei, o Alckmin mudou, o Brasil mudou” – esta foi a frase que Lula utilizou para justificar a possível chapa Lula-Alckmin, que deve ser anunciada nesta sexta-feira, dia 08 durante reunião que pretende oferecer um candidato a vice de Lula agora em 2022 pelo PSB. Lula ainda disse mais, conforme o ex-presidente, ele e Alckmin podem ter sido adversários políticos, mas jamais inimigos.

Segundo Lula, ele e Alckmin foram adversários e não inimigos políticos.
FORMAÇÃO POLÍTICA

Radar das eleições

Após semana conturbada, o quadro da terceira via assim ficou: O PSDB tem oficialmente João Doria como candidato. Mas o partido está rachado, com uma ala do partido liderada por Aécio Neves (MG) tentando viabilizar Eduardo Leite (RS) como o candidato do partido. Sérgio Moro fez movimento repentino de mudança de partido e ingressou no União Brasil. Acontece que uma ala do partido, liderada por ACM Neto (BA) não aceita sua candidatura à presidência e chegaram a ameaçar impugnar a inscrição de Moro no partido – assim, Moro pode se candidatar a deputado federal por São Paulo, seu novo domicílio eleitoral. Ciro Gomes (PDT), Simone Tebet (MDB), Luiz Felipe D´Avila (Novo) e André Janones (Avante) continuam no páreo.

Ala do antigo DEM no União Brasil não aceita Moro como candidato à presidência.

Nem o fim da janela partidária demoveu Kassab de buscar um candidato próprio para disputar as eleições presidenciais pelo seu partido, PSD. Ainda que a prioridade do partido seja se viabilizar no Congresso Nacional, o ex-ministro quer um candidato para chamar de seu, nem que seja ele mesmo. Apoio a outro candiato, só no segundo turno e, ao que tudo indica, a Lula.

Seis governadores renunciaram ao cargo para concorrer a outros cargos políticos nas eleições de 2022. Os petistas Camilo Santana, do Ceará e Wellington Dias, do Piauí; bem como Flávio Dino (PSB) do Maranhão e Renan Filho (MDB), das Alagoas concorrem a uma vaga no Senado pelos seus respectivos Estados. Já Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul e João Doria, de São Paulo deixaram o comando de seus estados para disputarem quem representa o PSDB ns eleições presidenciais deste ano. De se lembrar que o paulista venceu as prévias do partido, realizadas em novembro do ano passado.

A falta de um vice governador nas Alagoas provocará eleição indireta, na Assembleia Legislativa para ocupar a vaga de governador do Estado.

O movimento que Doria fez no último dia 31 escancarou a situação conturbada e desorganizada que o PSDB atravessa. Rachado, não consegue encontrar o caminho a seguir. Além de haver divisões internas entre apoiadores de João Doria e Eduardo Leite (RS) pesa também o problema do fundo leitoral – ao se investir em uma campanha presidencial, falta verba necessária para se apostar no aumento da bancada. Para muitos, se é uma candidatura sem chance, melhor jogar a toalha e reforçar a aposta nas campanhas para o Legislativo.