Blog – Formação Política

FORMAÇÃO POLÍTICA

Radar das eleições

Após semana conturbada, o quadro da terceira via assim ficou: O PSDB tem oficialmente João Doria como candidato. Mas o partido está rachado, com uma ala do partido liderada por Aécio Neves (MG) tentando viabilizar Eduardo Leite (RS) como o candidato do partido. Sérgio Moro fez movimento repentino de mudança de partido e ingressou no União Brasil. Acontece que uma ala do partido, liderada por ACM Neto (BA) não aceita sua candidatura à presidência e chegaram a ameaçar impugnar a inscrição de Moro no partido – assim, Moro pode se candidatar a deputado federal por São Paulo, seu novo domicílio eleitoral. Ciro Gomes (PDT), Simone Tebet (MDB), Luiz Felipe D´Avila (Novo) e André Janones (Avante) continuam no páreo.

Ala do antigo DEM no União Brasil não aceita Moro como candidato à presidência.

Nem o fim da janela partidária demoveu Kassab de buscar um candidato próprio para disputar as eleições presidenciais pelo seu partido, PSD. Ainda que a prioridade do partido seja se viabilizar no Congresso Nacional, o ex-ministro quer um candidato para chamar de seu, nem que seja ele mesmo. Apoio a outro candiato, só no segundo turno e, ao que tudo indica, a Lula.

Seis governadores renunciaram ao cargo para concorrer a outros cargos políticos nas eleições de 2022. Os petistas Camilo Santana, do Ceará e Wellington Dias, do Piauí; bem como Flávio Dino (PSB) do Maranhão e Renan Filho (MDB), das Alagoas concorrem a uma vaga no Senado pelos seus respectivos Estados. Já Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul e João Doria, de São Paulo deixaram o comando de seus estados para disputarem quem representa o PSDB ns eleições presidenciais deste ano. De se lembrar que o paulista venceu as prévias do partido, realizadas em novembro do ano passado.

A falta de um vice governador nas Alagoas provocará eleição indireta, na Assembleia Legislativa para ocupar a vaga de governador do Estado.

O movimento que Doria fez no último dia 31 escancarou a situação conturbada e desorganizada que o PSDB atravessa. Rachado, não consegue encontrar o caminho a seguir. Além de haver divisões internas entre apoiadores de João Doria e Eduardo Leite (RS) pesa também o problema do fundo leitoral – ao se investir em uma campanha presidencial, falta verba necessária para se apostar no aumento da bancada. Para muitos, se é uma candidatura sem chance, melhor jogar a toalha e reforçar a aposta nas campanhas para o Legislativo.

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Um em cada quatro brasileiros está com fome

Foi divulgada uma pesquisa do Datafolha na qual apontou que 24% dos entrevistados consideram insuficiente a quantidade de comida que dispõem em casa, gerando insegurança alimentar, especialmente no Nordeste e entre desempregados. Não por acaso foi também constatado que número praticamente igual (23%) da população brasileira depende neste momento do Auxílio Brasil. Porém, como o valor da ajuda do governo é considerada abaixo das necessidades, a insegurança alimentar é o resultado. Em um país que é um dos maiores países produtores de alimentos do mundo e em pleno século XXI isto é realmente o reflexo da má conduta de sucessivos governos  em relação ao social – o simples, puro e populista assistencialismo não é capaz de tranformar o Brasil em país menos desigual.

Milhões de brasileiros estão enfrentando dificuldades para encontrar alimento para suas famílias

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Tem muita gente querendo dar um jeito nisso. Muitos são os pré-candidatos, além do atual presidente que pretende se qualificar mais uma vez para o cargo. Nesta semana, dois deles, João Doria e Sérgio Moro patrocinaram cenas que demonstram o quão confuso será o processo eleitoral deste ano. Tanto um quanto outro desistiram de concorrer e depois desistiram de desistir. 

Enquanto Doria fez um movimento que cheira a blefe, Moro mudou repentinamente de partido e foi para um que tem uma ala que não o aceita como pré-candidato a  presidente. Se durante a filiação Moro disse que aceitava a condição, acordou na manhã seguinte disposto a enfrentar o novo partido e agora corre o risco de ficar sem partido nenhum – uma ala do União Brasil queria impugnar sua filiação – e, sem partido não há como concorrer a nenhum cargo. A ala do União que pretendia desfiliar Moro também recuou e diz que o projeto do ex-juiz é em São Paulo. A conferir.

Sérgio Moro se filiou no União Brasil

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Temos assistido a algumas atitudes na política brasileira ultimamente que chegam a beirar o ridículo. Nesta semana, o deputado Daniel Silveira (União – RJ) protagonizou uma cena que parece infantil – enfurnou-se no Congresso para não ter de cumprir decisão do Ministro do STF Alexandre de Moraes de ter de  usar tornozeleira eletrônica. Calculou que se escondendo no Congresso não precisaria cumprir ordem judicial. Após refrescar a cabeça – e alertado das consequências do ato – decidiu usar o desagradável equipamento – a decisão resolveu mexer no bolso no deputado. A verdade é que, nesses tempo de redes sociais, aparecer é tudo!

Silveira enfim coloca uma tornozeleira eletrônica e cumpre decisão judicial.

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O Governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) comemorou seu aniversário de 43 anos com uma mega festa no Jockey Club, na Zona Sul da cidade, com direito a shows de Alcione e Belo. Segundo estimativas, uma festa deste porte gira em algo de R $500 mil a 1 milhão de reais. Inquirido, o governador disse que o valor para bancar a festança foi arrecadado através de vaquinha eletrônica na Internet

Governador do Rio comemora seus 43 anos de vida com uma grande festa..

O mais incrível é que o governador vai tentar a reeleição. Para o povo do Rio, que nesta semana enfrentou uma greve de coletivos e viu o lixo se acumular nas calçadas da cidade e enchentes, isto deveria soar como piada. Só que não! Nada a se admirar se ele ganhar de presente mais quatro anos de governo. 

… enquanto o lixo se acumulava nas calçadas devido a greve dos lixeiros.

Aliás, é bom lembrar porque a memória anda curta. Castro foi alçado a governador após o vencedor das últimas eleições Witzel ter sido destituído do cargo. Detalhe – o atual governador é do mesmo partido do Presidente Bolsonaro, o PL.

Um artigo publicado no jornal O Globo (31.mar) assinado pelo economista Paulo Gala, dá conta de que as reservas cambiais do país continuam muito bem, obrigado. É uma ótima notícia, especialmente quando se teme uma situação global cada vez mais conturbada. Para o economista “comparado com países emergentes frágeis, o Brasil está em posição mais confortável, tendo trocado o passivo externo público de dólares por reais nos últimos dez anos”. 

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Faleceu esta semana Elifas Andreato, ilustrador que transformou as capas dos velhos discos de vinil em verdadeiras obras de arte. São inúmeras as capas de álbuns que se tornaram icônicas, como a do LP “A Arca de Noé”, de Vinícius de Moraes e Toquinho ou os retratos de Chico Buarque e de Adoniran Barbosa, entre outros. Trabalhou em um tempo em que a computação gráfica não existia.  Imprimia ludicidade a obras musicais, lúdicas por si mesmas. Era uma combinação emocionante.

Elifas Andreato (1946-2022)

Boa semana a todos.

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Drops de Política

COSTA E SILVA – 15/3/1967 A 31/8/1969

Se de início Costa e Silva era um linha-dura, no governo foi se tornando mais moderado.

Foi com Costa e Silva que o que se convencionou chamar de “milagre econômico” se iniciou. Também foi com ele que o regime endureceu. Assinou, a contra-gosto o AI-5 e logo depois adoeceu. Seu governo foi concluído por uma Junta Governativa Provisória, que conduziu o país de 31 de agosto de 1969 até 30 de outubro do mesmo ano.

A chegada de Costa e Silva ao poder representava a chegada da “Linha Dura” ao poder. Esta ala era mais nacionalista e imaginava os militares com um papel muito maior para a história do país, isto é, pretendiam permanecer por um tempo bem maior no governo e não somente o tempo para ‘colocar a casa em ordem’.

Na economia, foi oferecido muito crédito rural. Repasses do governo federal a estados e municípios caíram para quase a metade, o que afetou principalmente localidades pobres, especialmente do Nordeste. Mas o crescimento econômico foi garantido através do sofrimento social. O PIB do Brasil cresceu 4,7% em 1967 e 11% em 1968.

A oposição, como não encontrava meios legais para se manifestar, passou a radicalizar suas posições. E ante o aumento das agitações sociais e das greves, o que se viu foi uma resposta no mesmo nível de um governo que descambava para a violência.

Carlos Lacerda, um apoiador ferrenho do golpe, passou a criticar o governo militar, chamando-a de ‘ditadura corrupta’ pela primeira vez em dezembro de 1967. Um ano depois, em dezembro de 1968, sob pressão, Costa e Silva baixou o AI-5, a partir daí quaisquer garantias democráticas estavam extintas no Brasil.

Ao que tudo indica, Costa e Silva não queria manter a escrita do AI-5 válida por muito tempo, para tanto, articulou uma nova constituição para 1969, porém, adoeceu e teve de deixar o governo. Após curto período em que o país foi governado por uma junta militar, tomou posse Emílio Médici. Com ele se consolidava o milagre econômico, mas também o período mais ferrenho da ditadura militar.

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Janela Partidária – o quê fazer?

Você se lembra em quem votou?

O instituto da janela partidária foi criado para permitir que candidatos mudem de partido sem correr o risco de perder o mandato. Infelizmente no Brasil, devido à baixa identidade ideológica, muitos partidos podem mudar sua orientação durante os quatro anos de uma legislatura, tempo em que um político deve estar vinculado a ele. Afinal de contas, antes de se votar em um candidato, você vota em um partido! Seria injusto, então, forçar um deputado, por exemplo a renunciar seu cargo se por acaso desejasse mudar de casa para concorrer em um novo pleito eleitoral.

Partidos com ideologia mais apurada perdem menos.

Mas o número de deputados que recorreram a este instituto nesta janela que se encerra hoje, dia 02 de abril, demonstra que nossos políticos estão pouco confortáveis em sua sigla. Foram mais de 100 deputados que alteraram suas cores no Congresso, o que representa mais de 20% dos deputados.

O maior beneficiado nesta janela partidária foi o Partido Liberal (PL), que no final do ano passado trouxe para os seus quadros o atual presidente Jair Bolsonaro. O partido sai desta janela com 30 deputados a mais do que entrou, demonstrando que os deputados gostam de estar onde o poder está. A bancada do PL na Câmara passou de 42 para 72 deputados – sete deixaram o partido, mas 37 assinaram a filiação.

Outro partido aliado ao chamado centrão que se deu bem foi o Progressistas (PP). Foram 15 adesões contra apenas 2 perdas. O Republicanos ganhou um saldo de 10 deputados a mais do que entrou na janela. O partido também pertence ao centrão.

Observa-se assim que o grande vencedor deste vai-e-vem foi o centrão.

Partidos do chamado “centão” se sairam bem nesta janela.

O fato é que, além de permitir que os políticos se agasalhem em um novo partido, a janela partidária acaba por realinhar o Congresso – a favor ou contra um presidente que vive o último ano na cadeira do chefe do executivo, caso não consiga ou não possa se reeleger.

Esta lógica também vale para os governadores de estado e prefeitos municipais já que o instituto também alcança os deputados estaduais e vereadores. De se observar que no caso dos vereadores, o último ano da atual legislatura se dará em 2024, quando o mandato de Prefetios e dos edis será renovado – ou não. Desta maneria, neste momento não há janela partidária para vereadores, somente para deputados (estaduais e federais)

E você eleitor, o que deve fazer?

Você deve primeiramente se lembrar do seu candidato. Se ele venceu e está cumprindo o mandato que você conferiu a ele deve investigar se ele mudou de partido nesta janela partidária. Se sim, procure saber o motivo – pode ter sido por um justo motivo, ainda que por justo motivo pode-se mudar de partido a qualquer tempo com a autorização do TSE. Se o motivo foi o de apenas se acomodar debaixo das asas do poder, cuidado.  Ele pode não estar horando com o mandato que você lhe conferiu. Lembre-se que neste ano você irá renovar o mandato do seu representante na “casa do povo” e certamente este candidato irá lhe pedir seu voto de confiança novamente. Veja se ele é mesmo digno disto antes de lhe dar mais quatro anos de mandato – depois não adianta reclamar!

Para te ajudar, segue a relação fornecida pelo Justiça eleitoral, seguindo a ordem dos que mais perderam:

DEPUTADO FEDERALDesfiliou-seFiliou-se
Bia Kicis (DF)União BrasilPL
Carla Zambelli (SP)União BrasilPL
Carlos Jordy (RJ)União BrasilPL
Caroline de Toni (SC)União BrasilPL
Chris Tonietto (RJ)União BrasilPL
Coronel Armando (SC)União BrasilPL
Coronel Chrisóstomo (RO)União BrasilPL
Coronel Tadeu (SP)União BrasilPL
Daniel Freitas (SC)União BrasilPL
Eduardo Bolsonaro (SP)União BrasilPL
Filipe Barros (PR)União BrasilPL
General Girão (RN)União BrasilPL
Hélio Lopes (RJ)União BrasilPL
Junio Amaral (MG)União BrasilPL
Léo Motta (MG)União BrasilPL
Loester Trutis (MS)União BrasilPL
Luiz Lima (RJ)União BrasilPL
Luiz Philippe de Orleans e Bragança (SP)União BrasilPL
Major Fabiana (RJ)União BrasilPL
Major Vitor Hugo (GO)União BrasilPL
Marcelo Alvaro Antonio (MG)União BrasilPL
Marcio Labre (RJ)União BrasilPL
Nelson Barbudo (MT)União BrasilPL
Onyx Lorenzoni (RS)União BrasilPL
Sanderson (RS)União BrasilPL
Sóstenes Cavalcante (RJ)União BrasilPL
Charlles Evangelista (MG)União BrasilPP
Doutor Luiz Ovando (MS)União BrasilPP
Felício Laterça (RJ)União BrasilPP
Lourival Gomes (RJ)União BrasilPP
Norma Ayub (ES)União BrasilPP
Pedro Lupion (PR)União BrasilPP
Tereza Cristina (MS)União BrasilPP
Aline Sleutjes (PR)União BrasilPros
Joice Hasselmann (SP)União BrasilPSDB
Daniel Silveira (RJ)União BrasilPTB
Doutora Soraya Manato (ES)União BrasilPTB
Luis Miranda (DF)União BrasilRepublicanos
Cristiane Yared (PR)PLPP
Luiz Antonio Correa (RJ)PLPP
Vicentinho Júnior (TO)PLPP
Abílio Santana (BA)PLPSC
Capitão Fabio Abreu (PI)PLPSD
Luiz Nishimori (PR)PLPSD
Marina Santos (PI)PLRepublicanos
Marcelo Moraes (RS)PTBPL
Maurício Dziedricki (RS)PTBPodemos
Eduardo Costa (PA)PTBPSD
Luisa Canziani (PR)PTBPSD
Nivaldo Albuquerque (AL)PTBRepublicanos
Wilson Santiago (PB)PTBRepublicanos
Pedro Lucas Fernandes (MA)PTBUnião Brasil
Jefferson Campos (SP)PSBPL
Aliel Machado (PR)PSBPV
Julio Delgado (MG)PSBPV
Ricardo Silva (SP)PSBPV
Liziane Bayer (RS)PSBRepublicanos
Marcelo Nilo (BA)PSBRepublicanos
Otoni de Paula (RJ)PSCMDB
Delegado Eder Mauro (PA)PSDPL
Joaquim Passarinho (PA)PSDPL
Fábio Faria (RN)PSDPP
Neucimar Fraga (ES)PSDPP
Pedro Augusto Palareti (RJ)PSDPP
Mara Rocha (AC)PSDBMDB
Ruy Carneiro (PB)PSDBPSC
Danilo Forte (CE)PSDBUnião Brasil
Otávio Leite (RJ)PSDBUnião Brasil
Rose Modesto (MS)PSDBUnião Brasil
Tiago Dimas (TO)SolidariedadePodemos
Doutora Vanda Milani (AC)SolidariedadePros
Augusto Coutinho (PE)SolidariedadeRepublicanos
Doutor Leonardo (MT)SolidariedadeRepublicanos
Gustinho Ribeiro (SE)SolidariedadeRepublicanos
Marlon Santos (RS)PDTPL
Flávio Nogueira (PI)PDTPT
Túlio Gadêlha (PE)PDTRede
Alex Santana (BA)PDTRepublicanos
José Medeiros (MT)PodemosPL
Bacelar (BA)PodemosPV
Diego Garcia (PR)PodemosRepublicanos
Roberto de Lucena (SP)PodemosRepublicanos
Capitão Alberto Neto (AM)RepublicanosPL
João Roma (BA)RepublicanosPL
Luizão Goulart (PR)RepublicanosSolidariedade
Carlos Henrique Gaguim (TO)RepublicanosUnião Brasil
Fábio Reis (SE)MDBPSD
Marcos Aurélio Sampaio (PI)MDBPSD
Herculano Passos (RJ)MDBRepublicanos
Eros Biondini (MG)ProsPL
Capitão Wagner (CE)ProsUnião Brasil
Clarissa Garotinho (RJ)ProsUnião Brasil
Pastor Eurico (PE)PatriotaPL
Roman (PR)PatriotaPP
Capitão Derrite (SP)PPPL
Ricardo Izar (SP)PPRepublicanos
Célio Studart (CE)PVPSD
Leandre (PR)PVPSD
Da Vitória (ES)CidadaniaPP
Rubens Júnior (MA)PCdoBPT
David Miranda (RJ)PSOLPDT
Marília Arraes (PE)PTSolidariedade
Fonte: Justiça Eleitoral
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Radar das eleições – DORIA DESISTE (será?)

Doria disse que irá sair do PSDB

João Doria (PSDB) supreende e anuncia sua desistência à disputa à presidência. Disse que permanece no cargo, frustrando os planos de Rodrigo Garcia (PSDB) que pretendia concorrer ao governo do Estado. Uma ala do partido exige, todavia, que o governador renuncie abrindo espaço para uma candidatura viável de Garcia. Doria se sente traído pelo partido, que deve abandonar.

Outro que sinaliza jogar a toalha é Sérgio Moro. O ex-juiz decidiu deixar o Podemos e deve migrar para o União Brasil e concorrer a uma vaga de Deputado Federal. Desta maneira, a disputa começa a afunilar e a ganhar os contornos de uma pleito que promete ser disputado voto a voto.

Apesar de negar, Moro deve procurar se blindar no Congresso.
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Radar das eleições

Com as trocas de partidos políticos que estão acontecendo neste momento – a janela partidária vai até o dia 1º de abril, sexta-feira – o presidente Jair Bolsonaro aumentou sua base de apoio no Congresso para 171 deputados pertencentes aos partidos PLPPRepublicanosPSC PTB. Por enquanto, o PL foi o partido que mais ganhou deputados, 33 e o União Brasil o que mais perdeu, 27 – o União é a fusão dos antigos DEM PSL.

Após anunciar sua decisão de renunciar ao governo do Rio Grande do Sul mas de permanecer no PSDB, Eduardo Leite deve inciar, junto com integrantes do MDB União Brasil uma espécie de campanha estra oficial à sua pré-candidatura à presidência.

A ala do PSDB que tenta lançar Leite como o candidato da terceira via tenta atrair o MDB – de Simone Tebet – e o ex-presidente Michel Temer. Entre os tucanos que se engajaram nesta empreitada, destaque para Aécio Neves (PSDB-MG) que passou os quatro últimos anos encastelado no Congresso mas que agora ressurge disposto a emplacar o presidenciável da sigla.

Aécio Neves é o grande articulador da candidatura de Eduardo Leite

Por outro lado, João Doria, vencedor das prévias do partido irá promover um evento na próxima quinta-feira no qual passará o governo do Estado de São Paulo a seu vice Rodrigo Garcia (PSDB) para enfim engajar-se na sua pré-candidatura definitivamente, ignorando os chamados de alguns de seus partidários a desistir do pleito.

Rodrigo Garcia deve ser o candidato tucano ao governo de São Paulo

Não se sabe se Gilberto Kassab vai tentar um quarto nome para lançar à Presidência pelo PSD ou se vai apoiar logo no primeiro turno a candidatura de Lula – o que pretendia fazer apenas no segundo turno caso seu candidato não se qualificasse. É que após Rodrigo Pachedo não aceitar ser candidato e Eduardo Leite ter desistido da ideia de migrar do PSDB para o partido de Kassab, também seu “plano C” falhou. Paulo Hartung disse não ao convite do ex-ministro.

ex-governador do ES Hartung declinou ao convite de Kassab.

Apesar de rumores de que Moro desistiria de sua candidatura para se abrigar no Legislativo, o candidato do Podemos nega a informação e diz que não só permanece na construção de sua campanha como rejeita dar apoio a qualquer candidato com 1% ou 2% de intenção de votos. Apesar de ter apenas 8% na última sondagem do Datafolha, o candidato diz que tem muito espaço para crecer.

Bolsonaro exonera nove Ministros, que devem concorrer a algum cargo eletivo agora em 2022. Para o cargo de Deputado Federal, Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia) – disputa vaga por São Paulo; para o Senado: Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos) – pelo Amapá; Flávia Carolina Péres (Secretaria de Governo) – pelo DF; Gilson Machado (Turismo) – por Pernambuco; Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional) pelo Rio Grande do Norte e Tereza Cristina (Agricultura) – pelo Mato Grosso do Sul. Já para o cargo de Governador de Estado saem João Roma (Ministério da Cidadania) – governo da Bahia; Onyx Lorenzoni (Trabalho) governo do Rio Grande do Sul; Tarcísio de Freitas (Infraestrutura) – governo de São Paulo.

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Radar das eleições

O governador do Rio Grande do Sul Eduardo Leite (PSDB) deve conceder uma entrevista coletiva nesta segunda-feira, dia 28 para dizer se fica ou não no partido. O grupo que tenta convencê-lo a ficar quer promover uma virada de mesa e forçar Doria a desistir de concorrer à presidência ou simplesmente atropelar a decisao das previas na qual o governador paulista saiu vitorioso. A artimanha é a seguinte: Doria venceu as prévias mas MDB União Brasil não reconhecem este resultado e para compor uma aliança exigem a presença do gaúcho como candidato.

Leite deve falar sobre seu futuro político neste segunda-feira.

Eduardo Leite teria até o dia 02 de abril para renunciar ao governo do Estado mas adiantará a jogada para dia 28 de março num aceno claro de que pretende disputar as eleições para Presidente. O PSD, do ex-ministro Gilberto Kassab já demonstrou total interesse em tê-lo como candidato mas o partido tem apoiadores de Lula e de Bolsonaro. O próprio Kassab já disse pretender apoiar Lula em um eventual segundo turno, caso não haja um candidato de seu partido na rodada final.

Porém, aliados do governador de São Paulo já se mobilizam naquilo que enxergam como uma tentativa de golpe contra a candidatura de João Doria e pressionam um posicionamento firme do presidente do partido Bruno Araujo em defesa do resultado das prévias.

Doria classifica como ‘golpe’ qualquer tentativa de o tirar da disputa.

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A última sondagem sobre a intenção de voto do eleitor feita pelo Datafolha apontou uma melhora no posicionamento do atual presidente Jair Bolsonaro (PL). Isto é atribuído ao início da distribuição do “Auxílio Brasil” mas também à condução dos passos – e das palavras – do presidente por profissionais do marketing.

Lula (PT) permanece em primeiro lugar nas pesquisas e a entrada de Alckmin (PSB) como seu vice ainda não repercutiu nas sondagens – até porque a chapa Lula-Alckmin ainda não foi lançada oficialmente.

Em relação a terceira via, ela continua congestionada, ou melhor, nenhum dos pretensos candidatos conseguiu se descolar dos demais para assumir liderança e protagonismo. Sérgio Moro (Podemos), Ciro Gomes (PTB), João Doria (PSDB), André Janones (Avante), Vera Lúcia (PSTU), Simone Tebet (MDB), Felipe d´Ávila (Novo), Eduardo Leite (PSDB) aparecem na casa do um dígito das inteções. Decepcionante mesmo foi o resultado de Doria, que marca míseros 2%.

Notícias dão conta de que o primeiro a jogar a toalha deve ser Moro. Se desistir da candidatura pode se lançar a deputado federal, puxar votos para o seu partido (Podemos), ganhar imunidade parlamentar – já que pode ser atacado pelo poderoso de plantão – e de quebra liberar 8% de votos que não iriam nem para Bolsonaro nem para Lula. Integrantes do Podemos reclamam também de que Moro se fechou em torno de um núcleo duro e só compartilha opiniões com estas pessoas, afastando-se da vida partidária.

Moro tem sido visto por integrantes de seu partido como ‘centralizador’.
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Educação e futuro

O ministro da Educação Milton Ribeiro foi acusado de manter um gabinete paralelo para a liberação de verbas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação gerenciado por dois pastores que não tem nenhuma ligação com o MEC e sequer são funcionários públicos. Mais e mais prefeitos estão aparecendo para denunciar o caso. Um escândalo, mesmo em um país que historicamente negligencia a educação. Apesar do PNE – Plano Nacional de Educação ser uma política de Estado, e não de governo, seus objetivos dificilmente serão atingidos desta maneira. A título de exemplo, o jornal O Globo (24.mar) noticiou que o país tem, neste momento, mais de 3500 obras de escolas atrasadas que já consumiram R $3,5 bilhões.  O país tem sofrido com a má condução da administração do Estado, mas a educação tem sofrido mais e isso compromete diretamente o nosso futuro com Nação civilizada.

Ministro tem encontrado dificuldades para se manter no cargo.

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E, quem diria, a “Cracolândia”, na região central de São Paulo, se esvaziou rapidinho depois de uma ordem. Não foi ordem judicial nem o resultado da tentativa de diversos governos que já tentaram melhorar a situação do local – a ordem veio do crime organizado. A polícia de São Paulo atribui a saída à atuação de agentes infiltrados e operações que resultaram na prisão de 92 traficantes na área. Especula-se que a Cracolândia deixou de ser interessante para a organização criminosa Primeiro Comando da Capital – PCC, que hoje participa do tráfico internacional de drogas. Nova aglomeração de usuários se formou na região da praça Princesa Isabel, também no centro de São Paulo.

“Cracolândia” amanheceu completamente desocupada.

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O Governo do Estado de São Paulo entrega neste fim de semana a obra da “Nova Tamoios”, rodovia  que leva ao litoral Norte de São Paulo desde a Dutra ou da Carvalho Pinto, até Caraguatatuba. Trata-se de uma obra que utilizou tecnologia inédita no país permitindo a construção de viadutos e túneis sem ofender ao meio ambiente. A velocidade na descida da serra passará dos atuais 40 Km/h para 80 Km/h, tornando a viagem mais rápida e segura. Só de túneis são 12,8 quilômetros. 

Túneis tornam o trajeto menos sinuoso.

Passados um mês de guerra, quem parece dar sinais de fadiga é a Rússia. Vladimir Putin disse que a primeira fase da guerra está chegando ao fim. A estratégia é tentar conquistar territórios a leste da Ucrânia e desistir de Kiev. Isto certamente só dará mais fôlego e motivo para os ucranianos continuarem a resistência. O problema é que a palavra de Putin não vale muita coisa – tudo muda conforme o vento.

Ucrânia tem imposto forte resistência às pretensões de Putin.

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A queda de um Boeing 737-800 da China Eastern Airlines com 132 pessoas a bordo no sul da China causou espanto porque a aeronave despencou de 8700 metros em menos de dois minutos, o que supõe uma queda na vertical. O histórico de segurança da aeronave é bom. Não se trata do mesmo Boing que sofreu acidentes em 2018 na Indonésia e em 2019 na Etiópia e que depois ficou muito tempo sem voar até ser liberado pelas autoridades do setor. O acidente está sob investigação. 

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A Azzurra está fora da Copa do Mundo pela segunda vez consecutiva. Atual campeã europeia de seleções, a Itália conseguiu a façanha de perder em casa para a seleção da Macedônia do Norte.  Mesmo que vencesse ainda teria de enfrentar Portugal, que bateu a Turquia e agora encara a zebra macedônica. Por falar em Copa do Mundo, o sorteio dos grupos será dia 1º de abril, em Doha, no Catar.

Itália está fora da Copa do Catar que se inicia em novembro.

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O ex-procurador da República Deltan Dallagnol foi condenado a pagar indenização por danos morais no valor de R $75 mil ao ex-presidente Lula devido à famosa exposição do PowerPoint no qual colocava Lula no centro de um esquema criminoso contra verbas estatais. O STJ entendeu que a exposição extrapolou o objeto do processo no qual Lula era réu. O tempo passa e o jogo muda. Vaquinha na Internet arrecadou mais de 300 mil reais. Sinal dos tempos…

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A disputa judicial entre a prefeitura de São Paulo e a União pelo uso do Campo de Marte acabou em acordo e quem vai sair ganhando é a população. A Prefeitura da capital pretende transformar parte da área em um parque até o fim de 2024. O projeto inclui ainda um museu aeroespacial. 

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Fernanda Montenegro tomou posse na Academia Brasileira de Letras – ABL. Ela, que há pouco tempo sofreu ataques na Internet e que foi defendida pela colunista da Folha de S. Paulo Mariliz Pereira Jorge intitulando-a ‘incancelável’ vai ocupar a cadeira 17 da Academia, sucedendo o diplomata Affonso Arinos de Mello Franco. Aos 92 anos Fernanda Montenegro se torna “imortal”.

Atriz toma posse como ‘imortal’ na Academia.

Boa semana a todos.

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Drops de política

CASTELLO BRANCO – 15/4/1964 A 15/3/1967

Castello pertencia a uma ala dos militares que não pretendia permanecer no poder indefinidamente.

Após o golpe Militar, o país permaneceu durante mais de uma semana sob um governo provisório cuja presidência foi exercida pelo presidente da Câmara Ranieri Mazzilli mas com o governo de fato sendo exercido pelo Comando Supremo da Revolução – uma junta militar composta pelos chefes de cada uma das forças armadas – Exército, Marinha e Aeronáutica. 

Em 15 de abril de 1964 foi empossado Castello Branco, eleito por um Colégio Eleitoral composto pelos deputados que conseguiram se manter no posto após o expurgo feito pelo primeiro Ato Institucional, que cassou mandatos, demitiu funcionários públicos, suspendeu direitos políticos e prendeu muitos opositores.

Mesmo assim, Castello sempre teve a preocupação de conferir um ar democrático ao seu governo – pertencia a uma ala dos militares que pretendiam apenas superar aquele momento para entregar o governo aos civis. Porém, não foi isso o que aconteceu.

Os Estados Unidos não só apoiaram o golpe como foram benevolentes com a nova gestão. Enviaram US $50 milhões em empréstimos. Na economia, o novo governo brasileiro criou o Paeg, um programa de arrocho que extinguiu os subsídios do Estado para o trigo e o petróleo. Foi criado o FGTS para o trabalhador, mas foi extinta a estabilidade permanente de emprego para quem tinha mais de 10 anos de trabalho em uma mesma empresa.

No campo ‘político’ existia uma clara rivalidade entre Castello Branco e Costa e Silva, que representava a linha-dura e seria o próximo presidente do Brasil, contra a vontade de Castello.

Se o golpe teve a complacência de setores da classe média, do empresariado e até da imprensa, cinco meses depois já ficava claro a arapuca em que o Brasil havia se metido. Em 1º de setembro de 1964 o jornal Correio da Manhã mudou seu posicionamento e iniciou uma campanha de denúncia dos crimes praticados pelo novo regime. “Temos o dever de reagir e pedir contas ao govêrno (sic) […] Até quando terão o presidente Castelo Branco e seus ministros ouvidos surdos aos gritos que por tôda (sic) parte ecoam? Estará a tortura intitucionalizada pela ‘Revolução Redentora’?”.

Depois veio o Ato Instituicona nº 2 – AI 2 que extinguiu os partidos políticos existentes e criou o bipartidarismo: Arena – Aliança Renovadora Nacional e MDB – Movimento Democráticos Brasileiro, o primeiro composto pelos apoiadores do regime e o segundo por uma “oposição consentida”.

Logo após terminar seu mandato Castello morreu em um acidente aéreo mal explicado. A cauda do avião bimotor em que viajava foi atingida por um caça da FAB em exercício de treinamento. Cogita-se que Castello preparava um pronunciamento denunciando o acirramento do regime.

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Radar das eleições

Geraldo Alckmin se filiou ao PSB na última quarta, dia 23. Após assinar a ficha de filiação, discursou. Disse que Lula é ‘fruto da democracia’ e que ‘o ex-presidente é hoje quem melhor representa o sentimento de esperança do povo brasileiro’. Depois destas palavras, difícil imaginar uma chapa que não seja Lula-Alckmin.

Alckmin assina com PSB com vistas à formar chapa com Lula.

Já o lançamento da pré-candidatura de Bolsonaro (PL) está marcada para domingo, dia 27. O presidente está inclinado a indicar o general Braga Netto para ser seu vice. Isto contraria sua base no Congresso, formada por partidos do centrão, que preferem a Ministra da Agricultura Tereza Cristina (União). Para os políticos, além de uma mulher no cargo, acenaria para o pessoal do agronegócio. Para analistas, mantendo um general no cargo, renova a apólice do seguro-impeachment.

anúncio do lançamento da pré-candidatura do presidente Bolsonaro.

Eduardo Leite deve decidir seu futuro político até o final desta semana. O tempo urge! Ou confia no PSDB que lhe acena para uma virada de mesa no resultado das prévias realizadas em novembro passado, ou vai para os braços de Kassab, que promete lhe lançar como candidato à presidência pelo PSD. O prazo se esgota dia 02 de abril.

PSDBMDB União Brasil tentam afinar o discurso para lançar uma candidatura única à Presidência, até o mês de junho. Acontece que a conta não fecha. João Doria (SP) e Eduardo Leite (RS) por exemplo, devem deixar o governo de seus respcetivos estados até o dia 02 de abril. Sem esta definição, como dar o passo?

Leite tem difícil decisão a tomar.

Guilherme Boulos (Psol) anunciou sua desistência à candidatura ao governo do Estado de São Paulo, abrindo flanco na esquerda para Fernando Hadad (PT), ainda que exista o desejo de Márcio França (PSB) de disputar a pré-candidatura com o petista. Boulos ouviu Lula, para o qual o mais importante estado do país nunca esteve tão perto de ser governado pelo PT . Ele será candidato a deputado federal.

Boulos vai ser candidato a Deputado Federal por São Paulo, pelo Psol.