Blog – Formação Política

FORMAÇÃO POLÍTICA

Descompasso

Haverá reflexo no número de deputados nas Assembleias Estaduais

O Brasil enfrenta desafios urgentes: desigualdade social crônica, pressão sobre os serviços públicos, orçamento apertado, baixo investimento em educação básica e dificuldades para fazer a máquina pública funcionar com eficiência. Em meio a tudo isso, o Congresso Nacional aprovou o aumento do número de deputados federais e estaduais — decisão que, embora justificada como cumprimento de uma exigência constitucional, foi conduzida de forma distorcida e oportunista. 

De fato, a Constituição determina a proporcionalidade da representação popular entre os estados, e o Supremo Tribunal Federal havia cobrado do Parlamento uma readequação do número de cadeiras por Estado diante das mudanças demográficas do país. A tarefa era corrigir distorções, redistribuindo o número de cadeiras conforme a população de cada unidade federativa — e não simplesmente inflar a Câmara com novos parlamentares. 

Ao escolher o caminho mais cômodo — e politicamente vantajoso —, o Congresso contornou o verdadeiro debate sobre representatividade. Criou novas cadeiras em vez de reorganizar as existentes, aumentando o custo do Legislativo e agravando a fragmentação política. O resultado é uma “solução” que atende aos interesses corporativos dos partidos, mas não responde à demanda da sociedade por eficiência e equilíbrio institucional. 

Essa decisão evidencia o descompasso entre as prioridades da classe política e as urgências reais do país. Mais parlamentares não significam necessariamente melhor representação. O que o Brasil precisa é de um sistema político mais enxuto, transparente e comprometido com a melhoria da qualidade da democracia. 

Cabe agora ao presidente Lula exercer sua responsabilidade institucional e vetar esse projeto. Se ele está buscando um motivo para mostrar que não é culpado por tudo de errado que nossa classe política produz, eis uma oportunidade. É hora de convocar uma discussão séria sobre reforma política, racionalização dos gastos públicos e revisão do sistema de representação. Não se pode permitir que uma exigência constitucional legítima seja transformada em oportunidade para acomodar interesses políticos. O Brasil precisa de um Parlamento melhor — não maior. 

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Preços abusivos

Preço das hospedagens tem assustados as delegações.

A COP-30 em Belém, prevista para novembro deste ano, pode se tornar um constrangimento nacional. As tarifas de hospedagem na cidade explodiram, com preços que ultrapassam qualquer referência de razoabilidade — prática adotada tanto por redes hoteleiras locais quanto por grandes grupos internacionais. A justificativa é simples: demanda alta e liberdade de mercado. Mas é justamente esse o ponto de inflexão. A chamada “mão invisível” do mercado mostra, mais uma vez, que nem sempre responde às necessidades da sociedade com equilíbrio. 

O problema era previsível. Desde que Belém foi anunciada como sede da conferência, havia tempo e instrumentos para que o poder público — seja municipal, estadual ou federal — coordenasse a preparação do evento, inclusive em relação à hospedagem. Uma alternativa seria intermediar reservas com antecedência, negociando pacotes a preços justos para serem repassados às delegações. Em vez disso, optou-se por deixar o mercado agir por conta própria. Agora, autoridades tentam remediar a situação às pressas, enquanto delegações falam em reduzir suas comitivas e até cogitam pleitear a transferência da sede do evento. O Rio de Janeiro, por exemplo, sempre é uma opção — tem bom histórico em eventos internacionais. 

A disputa virou um jogo de empurra entre governo, setor hoteleiro e representantes estrangeiros. Enquanto isso, Belém se apressa em entregar o “Parque da Cidade”. Quanto ao real legado que a cidade pode receber — as obras de macrodrenagem e saneamento na periferia, essas ficam para serem concluídas “depois do evento”.  

O episódio todo revela um sintoma maior: em tempos de desafios climáticos globais, o Brasil ainda se preocupa em fazer coisas para inglês ver. Porém, desta vez, decidiu cobrar caro por isso.

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Novos ares

Lula e Bolsonaro em debate para a última eleição.

Pesquisa Genial/Quaest, divulgada dias atrás, indica que mais de 60% dos eleitores não querem ver a foto de Lula (PT) ou de Bolsonaro (PL) na urna eletrônica do próximo ano. Isso abre caminho para que novas propostas surjam. Tivessem com o juízo perfeito, cada qual em seu espectro buscaria de imediato um nome para apoiar. 

Lula tem Fernando Haddad (PT) ou o próprio Geraldo Alckmin (PSB). Já no campo da direita, Bolsonaro poderia considerar Tarcísio de Freitas (Republicanos), Ronaldo Caiado (União Brasil), Ratinho Júnior (PSD) ou mesmo Romeu Zema (Novo). São especulações. Porém, carecem de grandeza política para isso. Ambos se veem imbatíveis, o que reforça suas posições. 

Por outro lado, se nossos partidos cumprissem com sua nobre função no processo, tudo poderia estar mais claro e o ambiente menos poluído. Porém, o quê esperar de PT ou PL? Aliás, nosso partidos, em geral, fazem um cálculo que não prevê qualquer benefício para a sociedade. O cálculo é o do jogo político, de saber quem tem mais chances de convencer o eleitorado para abocanharem poder.  

O eleitor, ao contrário do que reza a lenda, sabe votar. O que lhe falta são opções porque são os partidos que oferecem o menu. Se os partidos ouvirem o recado da pesquisa, poderão repensar suas posições. A alta rejeição à presença de Lula e Bolsonaro neste ano que antecede o pleito, pode despertar-lhes o instinto.

O ex-presidente Michel Temer tem procurado criar condições para que, ao menos a direita se organize a fim de apontar um único candidato. Como Bolsonaro está impedido, pode funcionar. O problema é que Bolsonaro parece ter força suficiente para inviabilizar a proposta, pensando em salvar sua própria pele e apontando, por exemplo, sua mulher como vice-presidente seja em que chapa for. Outro problema é que os possíveis presidenciáveis não querem renunciar à chance que lhes apareceu. Nesse caso, nem a habilidade de Temer pode aparar essas arestas.  

Em verdade, cabe aos partidos essa decisão. A sobrevivência política pode sensibilizar os caciques da política de que é hora de mudança. O país precisa respirar novos ares. 

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Quem vai pagar a conta?

Ministro da Economia não consegue convencer Congresso a votar aumento de tributos

Vivemos a era do rentismo. O capitalismo produtivo, aquele que gira em torno do trabalho, da indústria e da inovação, cedeu espaço a um modelo em que o capital especulativo dita as regras. Hoje, ganha-se dinheiro sem produzir nada. Basta aplicar recursos onde os juros são mais altos. O dinheiro circula nas bolsas e nos fundos de investimento, enquanto a base da pirâmide luta para manter dignidade com salários comprimidos e serviços públicos cada vez mais fragilizados. 

Nesse cenário, qualquer tentativa de reforma tributária que busque equilibrar a carga entre consumo e patrimônio, entre os que vivem do suor e os que vivem do capital, encontra forte resistência. O discurso da responsabilidade fiscal, muitas vezes legítimo, torna-se um escudo para proteger os que contribuem pouco proporcionalmente à riqueza que acumulam. 

As propostas recentes do governo federal evidenciam esse impasse: a tentativa de aumentar o IOF foi barrada, e outras soluções apresentadas, como a tributação sobre setores mais rentáveis da economia foram imediatamente rejeitadas pelo agronegócio e pelo setor da construção civil. Em nome da competitividade e do “risco Brasil”, essas vozes se unem para manter seus privilégios — ainda que isso signifique sacrificar o equilíbrio das contas públicas e a qualidade dos serviços essenciais. 

A verdade incômoda. O modelo atual não se sustenta. As desigualdades corroem o pacto social, minam a democracia e impedem o crescimento sustentável. Mas, ao menor sinal de redistribuição, o mercado reage, a elite se agita e o debate é sequestrado por ideologias de esquerda e de direita, quando, no fundo, o dinheiro (e aqueles que de verdade o detém) não têm ideologia — têm interesses. A eles interessa, inclusive, o radicalismo político. É assim que o ambiente se torna turvo e favorece a agiotagem.

Aqui em baixo, seguimos tentando tapar buracos com cortes e emendas sem enfrentar o cerne do problema: quem realmente deve pagar a conta não aceita sequer entrar na conversa. E, se nada mudar, o custo será de todos — especialmente dos que já pagam demais. 

O corte de benefícios sociais já é, em si, uma forma de repassar a conta aos mais necessitados. Essa é a lógica. O processo carece de humanidade. Vai chegar a hora em que nem o Estado irá resistir. 

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Antipolítica

Zambelli agora se apresenta como cidadã italiana.

Refugiar-se no exterior é, de certa forma, um gesto que atravessa a história política brasileira. Muitos que discordavam dos rumos do país ou enfrentavam perseguições buscaram abrigo fora do território nacional.

O que se vê neste momento, no entanto, é de outra natureza. Trata-se de fuga — e não de exílio. Indivíduos que, suspeitos de envolvimento em atos que atentaram contra a ordem democrática optam por deixar o país para escapar da responsabilização judicial.

A deputada Carla Zambelli (PL), encontra-se fora do país alardeando ser uma cidadã italiana. Já Eduardo Bolsonaro (PL) causou perplexidade ao licenciar-se do cargo de deputado federal para, dos Estados Unidos, promover uma campanha de desmoralização da Justiça brasileira, valendo-se do ambiente trumpista que vigora por lá. 

É importante reconhecer: a Justiça brasileira tem sido questionada por sua seletividade. A sensação de que alguns pagam mais caro do que outros por erros semelhantes não pode ser ignorada. Mas quem acredita na inocência deve se defender. Quem acredita na democracia confia em suas instituições. 

Sair do país para não enfrentar um processo, evitar uma investigação ou escapar de um julgamento é, no mínimo, um reconhecimento tácito de culpa. Pode-se até alegar “perseguição política”, mas há um limite entre divergência legítima e atentado à institucionalidade. E esse limite foi ultrapassado por aqueles que tentaram, na marra, impor sua vontade ao país, rasgando a Constituição e desrespeitando o voto popular. Não conseguiram. 

Fugir da justiça não transforma ninguém em mártir. Apenas evidencia que, diante da prova dos fatos, muitos preferem se esconder a encarar as consequências de seus atos. E isso revela muito sobre o caráter de pessoas que uma parte da população lhes confiou o voto.

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Marina enfrenta o Senado

Ministra enfrenta resistência mesmo dentro do governo.

Diante de uma figura pública respeitada, tanto no país quanto lá fora — ambientalista reconhecida, ex-seringueira, ex-senadora e candidata à presidência, com histórico de integridade e coerência —, o Senado se apequenou. O que se viu na audiência a que a Ministra Marina Silva fora convidada para tratar da questão da margem equatorial da Foz do Rio Amazonas, foram provocações vazias, tentativas de constrangimento e um desfile de oportunismo por parte dos edis. 

De se lembrar que a atual Ministra do Meio Ambiente deixou o PT para fundar seu próprio partido exatamente por discordar dos caminhos tortuosos que a sigla seguia ao se lambuzar com o poder. Como poucas figuras públicas, ela representa uma trajetória de vida dedicada à construção de políticas públicas fundamentadas em princípios e ciência. É das poucas na política que sabe o porquê de estar ali. 

Enfrentou interesses poderosos, inclusive dentro de governos dos quais fez parte, sempre com coragem e clareza de propósitos. Dizer “não” quando o caminho mais fácil era ceder, tem sido uma constante em sua carreira. 

O atual Senado, por outro lado, parece mais preocupado em agradar lobbies momentâneos a oferecer uma visão de país. Em vez de reconhecer a importância de um debate sério sobre sustentabilidade, transição energética e preservação ambiental, preferiu instrumentalizar o tema com ataques pessoais e ensaios de palanque político. 

É sintomático e lamentável: em tempos em que o mundo discute adaptação climática, fontes limpas e responsabilidade ambiental, o Brasil — potência única no setor — relega a pauta à retórica rasa e ao jogo de interesses. E o faz atacando justamente uma de suas vozes mais consistentes. Perde-se uma grande oportunidade de se destacar no futuro ao manter a mente presa ao passado. 

Marina saiu daquela triste audiência como entrou: com altivez. Já a Casa revisora da República saiu menor ao demonstrar que, com as devidas exceções, no Senado Federal sobra arrogância e falta compromisso com o país. Deveria ser lugar de estabilidade e serenidade política. Tem sido palco de um teatro pobre em conteúdo e pródigo em vaidade. 

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Mapa invertido, mundo revelado 

Dilma apresenta na China mapa elaborado pelo IBGE.

O mapa tradicional, com a Europa no centro e o Norte posicionado acima do Sul, não é uma verdade geográfica, mas uma construção histórica e cultural. Aprendemos desde cedo que esse é o “mapa certo”, quando, na realidade, trata-se de uma representação que reforça uma lógica de poder: o Norte como dominante, civilizado e desenvolvido, e o Sul como periferia, subalterno, fonte de recursos e mão de obra.  

Tanto é assim que o termo “Sul Global” não diz respeito unicamente à geografia, mas a uma posição econômica e política no mundo. Ao apresentar um mapa onde o Brasil ocupa o centro e o Sul está na parte superior, o IBGE apenas expõe o quanto nossa visão de mundo foi moldada por séculos de colonialismo e dominação cultural.  

Este, inclusive, foi o mapa que a ex-presidente Dilma Rousseff, hoje à frente do Banco dos BRICS, apresentou ao presidente da China, Xi Jinping, exatamente para simbolizar a quebra dessa visão eurocêntrica e hierarquizada do planeta.  

O mais curioso é que boa parte das críticas ao mapa parte justamente de grupos que vivem bradando discursos sobre “patriotismo” e “orgulho nacional”, mas que, na prática, parecem mais desconfortáveis com qualquer tentativa de reposicionar o Brasil no centro da própria narrativa. Uma incoerência flagrante.  

A reação contrária, claro, não vem do desconforto com a geografia, mas com o que ela representa: a desconstrução, ainda que simbólica, de um mundo onde uns sempre estão por cima — literalmente — e outros, por baixo. Mais do que uma polêmica sobre cartografia, é um espelho de como naturalizamos, até nas coisas mais simples, estruturas de poder que insistem em se perpetuar. 

Em um mundo que passa por transformações profundas, com o fortalecimento de blocos do Sul Global, o avanço dos BRICS e uma ordem multipolar cada vez mais evidente, não faz mais sentido continuarmos presos a representações construídas no auge do colonialismo. Vale lembrar que até mesmo o Meridiano de Greenwich, hoje referência universal, foi estabelecido em 1884, durante uma conferência internacional dominada pelos interesses britânicos, quando o Império ainda ditava as regras do comércio global e da navegação.

O centro do mundo foi, literalmente, colocado onde interessava à potência da época. O planeta de hoje, no entanto, exige novas referências, novas narrativas e um olhar menos submisso a lógicas impostas há mais de um século.

O mapa, por óbvio, trata-se apenas de uma demonstração disto — não se quer mudar os livros escolares! Mas é bom ensinar às crianças que aquilo que tomamos como natural muitas vezes é apenas uma construção histórica, fruto de escolhas feitas por quem detinha o poder em determinado momento. É fundamental que elas entendam que o mundo não tem lado de cima ou de baixo, nem centro absoluto — e que representações também carregam ideologia, visão de mundo e relações de poder. Pensar criticamente sobre isso é, antes de tudo, um exercício de liberdade e autonomia intelectual. 

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Primeira-dama não é cargo público

Interferências de Janja vêm chamando a atenção.

No Brasil, não existe o cargo de primeira-dama. A companheira (ou companheiro) do presidente da República, por mais presente que esteja na vida pública, não exerce qualquer função institucional. Ainda assim, a atuação de Janja da Silva tem chamado atenção — e, em alguns casos, ultrapassado os limites do papel informal esperado de alguém nessa posição. 

Durante a última viagem de Lula à China, surgiram relatos de que Janja teria se pronunciado sobre um tema sensível diretamente ao presidente Xi Jinping, causando desconforto diplomático. O episódio não é isolado. Em outra ocasião, Janja enviou recados públicos a Elon Musk durante um momento de tensão entre o bilionário e autoridades brasileiras — algo que caberia ao Itamaraty ou ao próprio presidente, e não à sua esposa. 

A questão é menos sobre o que Janja pensa — ou mesmo suas intenções — e mais sobre o desenho republicano que nossa Constituição estabelece. Lula, ao tratar sua esposa como se ela compartilhasse o poder formal do governo, reproduz uma prática personalista e pouco democrática. Não há previsão legal para que a primeira-dama integre comitivas oficiais com voz ativa em assuntos de Estado, tampouco interfira em decisões estratégicas. 

É preciso restabelecer os limites. A democracia exige clareza institucional. Governar é um ato técnico, legal e político — e não deve ser confundido com relações pessoais. O Brasil não é uma extensão do gabinete familiar, e a liturgia do cargo de presidente deve ser respeitada por todos — inclusive, e principalmente, por quem o ocupa. 

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IDH como obsessão 

Educação precisa ser levada a sério no Brasil.

O Brasil subiu algumas posições no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Isso deveria nos motivar a querer mais. O brasileiro comemora muito mais a chance de vencer uma Copa do Mundo ou a de ter um Papa brasileiro do que aquilo que, de fato, importa para nossa sociedade avançar.

O IDH mede o nível de resposta que um governo proporciona à sociedade: seja na educação, seja na longevidade, seja na renda. Mas é na educação que o Brasil mais patina. Nosso principal problema está na baixa qualidade do ensino básico, na evasão escolar, nas desigualdades regionais e na dificuldade de garantir que crianças e jovens saiam da escola preparados para a vida e para o mercado de trabalho. Sem isso, o país não avança em nenhuma outra área.

Países como Uruguai e Chile, menores em território e população, subiram no ranking porque fizeram o mínimo pela eduação e logo os resultados vieram. Por aqui, seguimos distraídos por disputas políticas e projetos de poder que ignoram o básico: precisamos dar boa educação aos nossos jovens.

Mais do que troféus, shows ou holofotes, o Brasil precisa fazer do desenvolvimento humano uma causa nacional. Que tal sonharmos em ser um país com uma das melhores educação da América Latina? Ou um dos mais seguros para se viver? Ou ser o que oferece uma boa qualidade de vida para todos e não uma ótima, mas para poucos?

Se nossa maior festa fosse celebrar o avanço real do nosso povo, aí, sim, estaríamos no caminho certo. O IDH deveria ser o placar que todos deveríamos acompanhar. Esta deveria ser nossa maior obsessão.

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Federações e fusões partidárias

Caiado tem pretensões à presidência.

O sistema partidário brasileiro, historicamente marcado pela fragmentação, tem passado por um processo de reestruturação que, embora ainda incipiente, aponta para uma maior racionalidade política. A formação de federações partidárias e a fusão entre siglas refletem não apenas exigências legais, mas também a necessidade de sobrevivência e competitividade num ambiente político mais restrito.

A recente criação da Federação entre União Brasil e PP e o anúncio do processo de fusão entre PSDB e Podemos são exemplos claros dessa tendência. Sem dúvida, a principal razão dessas movimentações é a cláusula de desempenho. Este mecanismo, previsto pela legislação eleitoral, limita o acesso ao fundo partidário e ao tempo de propaganda gratuita para os partidos que não atingem um percentual específico de votos. A cada eleição, esse critério torna-se mais exigente, forçando as legendas a repensarem sua viabilidade.

Nesse rearranjo, dois tipos de motivação emergem. A busca por clareza e coerência ideológica que facilite a compreensão do eleitor; ou meras alianças de conveniência, movidas pela necessidade de assegurar espaço de poder. A Federação União-PP se encaixa nesta segunda categoria. Trata-se de uma união pragmática de forças já bastante expressivas no Congresso, num momento em que o próprio poder do Legislativo tem colocado o Executivo como refém.

No entanto, essa federação nasce com desafios internos significativos. Ambos os partidos possuem influentes lideranças que irão se chocar, o que pode gerar tensões sobre decisões estratégicas, distribuição de recursos e candidaturas. A disputa por protagonismo pode comprometer a coesão da federação e revelar contradições em momentos decisivos.

Por outro lado, a fusão entre PSDB e Podemos sinaliza uma tentativa de resgatar relevância política diante do encolhimento eleitoral, especialmente do partido tucano. Trata-se de um esforço mais racional de recomposição partidária, que pode contribuir para a recuperação de um espaço de centro moderado no espectro político.

A redução do número de partidos efetivos impacta positivamente o sistema democrático: facilita a formação de maiorias estáveis, reduz a fragmentação legislativa e torna mais claro para o eleitor quem representa o quê. Com menos siglas, a prestação de contas torna-se mais clara, e a governabilidade tende a melhorar.

Ainda que algumas federações nasçam mais pela sobrevivência do que por afinidade programática, o movimento de consolidação partidária é positivo para o Brasil. Resta saber se as novas estruturas conseguirão se manter coesas e comprometidas com uma agenda pública que vá além dos interesses de curto prazo. Afinal, a verdadeira reforma política ainda está por ser feita — mas essas alianças já são um passo na direção a um sistema mais transparente e funcional.