Blog – Formação Política

FORMAÇÃO POLÍTICA

Radar das eleições

A questão sobre a representatividade das mulheres na política ganhou peso após o primeiro debate entre os presidenciáveis.

Tanto Ciro Gomes (PDT) quanto Lula (PT) não conseguiram se sair bem sobre o assunto. Bolsonaro (PL) manteve seu discurso, que agrada boa parcela de seu eleitorado, apesar de muito longe de agradar as mulheres.

Já para as candidatas Simone Tebet (MDB) e Soraya Thronicke (União) quanto mais o assunto permanecer em evidência, melhor.

Jornalista Vera Magalhães foi atacada por Bolsonaro durante debate no último domingo.

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Durante entrevista ao Jornal Nacional Lula (PT) acusou Bolsonaro (PL) de agir como um “bobo da corte”, o que contrasta diretamente com outra acusação a qual o atual presidente tem sido exposto – a de ser um autocrata, candidato a ditador. Ou dá para ser as duas coisas ao mesmo tempo?

Enquanto isso, o presidente da Câmara Arthur Lira (PP) – que, segundo Lula é quem verdadeiramente governa do país – parte para a reeleição ainda acobertado por uma liminar do TJ de Alagoas de 2018. Lira foi condenado, em 2016, por improbidade administrativa e o caso encontra-se parado no STJ.

FORMAÇÃO POLÍTICA

A questão principal é: como trabalhar o Congresso?

Muito pouco adianta candidatos apresentarem propostas se não demonstrarem como pretendem lidar com o Parlamento para aprovarem suas projetos.

Principais candidatos se reuniram para debaterem propostas – mas como colocá-las em prática?

No decorrer da semana passada, como é de costume nos pleitos presidenciais, o Jornal Nacional, da Rede Globo de televisão, serviu de cenário para uma série de entrevistas que foram concedidas pelos candidatos mais bem colocados nas pesquisas de intenção de votos. Os entrevistadores foram os jornalistas William Bonner e Renata Vasconcellos.

O fato é que não é difícil perceber que os candidatos sabem exatamente do que o Brasil precisa. Na época em que Fernando Henrique se candidatou ao cargo pela primeira vez, sua propaganda eleitoral mostrava o tucano se apoiando em cinco metas, enquanto a propaganda mostrava os dedos de uma mão sendo preenchidos: emprego, saúde, agricultura, segurança e educação.

De lá para cá – e lá se vão quase trinta anos – podemos concluir que apenas a agricultura realmente se desenvolveu no Brasil, ainda que às custas da diminuição da importância da indústria, o que deixou um outro item – o emprego – vacilando entre bons e maus momentos.

Na saúde, a despeito de todas as deficiências que o sistema apresenta, ao menos conseguiu-se criar o SUS que chega a causar vergonha – atrasos em consultas e exames, falta de leitos – mas também orgulho, como no caso dos transplantes, totalmente de graça e muito eficiente.

Quanto à segurança e educação, infelizmente, pouco avançamos – e são desafios essenciais para o desenvolvimento do Brasil.

Sim, todos os candidatos têm algumas receitas para tudo isto. O problema é que para transformar planos em realidade, precisam do parlamento, afinal de contas, não são ditadores e nem os queremos por aqui.

Nesse passo, o primeiro candidato a ser entrevistado, Jair Bolsonaro (PL), que na campanha de 2018 jurou que sabia como lidar com o problema, acabou delegando seu governo ao chamado centrão e, durante sua entrevista, não apresentou nada que pudesse nos livrar desta situação.

Ciro Gomes (PDT) apresentou uma esdrúxula solução – convocar o povo – com o aval do parlamento – para comparecer às urnas e votar em plebiscito assuntos que são, por ordinário, competência do Congresso, numa espécie de democracia direta. 

Lula (PT) disse que irá conversar com o Congresso e que pretende trabalhar durante a campanha para formar maioria na Casa. Sabe bem do que está falando. Foi no final de seu primeiro mandato, em 2006, que estourou o escândalo do mensalão, pelo qual as propostas do governo eram aprovadas mediante pagamento de uma mesada aos deputados que sustentavam. Essa é a maneira de Lula negociar?

Por fim, Simone Tebet (MDB) disse que pretende trabalhar com as patologias do Congresso tornando-as transparentes, isto é, através de um decreto que faça com que os ministros de Estado relatem qual foi o parlamentar que enviou o recurso e qual a destinação do mesmo, matando com uma canetada – termo utilizado pela candidata – com o orçamento secreto.

Terminadas as entrevistas, começa-se o período das campanhas no rádio e na TV. E também os debates. No primeiro deles, promovido pelo portal UOL, pelo Jornal Folha de S. Paulo e pelo grupo Bandeirantes e TV Cultura, prometeu-se muito, mas a questão principal ficou em aberto. 

Como fazer com que o Congresso Nacional trabalhe em prol do povo brasileiro? 

É preciso enfrentar esta questão.

FORMAÇÃO POLÍTICA

O recado está dado – ditadura nunca mais!

Democracia não se resume ao respeito às eleições. Instituições devem ser preservadas para poderem colaborar, cada qual em sua esfera, com a criação de sociedades mais justas e igualitárias.

Pesquisa Datafolha divulgada na semana que passou não deixa dúvidas. O povo brasileiro quer viver sob a Democracia. Para três em cada quatro cidadãos brasileiros, a Democracia é um bem a ser preservado. Para apenas 7% dos entrevistados, “em certas circunstâncias é melhor uma ditadura”. Isso é uma resposta dura a quem quer que seja que esteja sonhando, neste momento, com um retrocesso institucional. Convém mudar o discurso.

Quando se fala em ruptura institucional, infelizmente a imagem que nos vêm à mente é a de nosso atual presidente Jair Bolsonaro (PL).

Mas, na posse do Ministro Alexandre de Moraes como presidente do TSE – Tribunal Superior Eleitoral, na noite do último dia 16 de agosto, parece que finalmente Bolsonaro foi colocado frente a frente com uma senhora que não tem por costume perdoar a quem não lhe respeita – a República.

Bolsonaro esteve frente a frente com os poderes da República.

Diante dos poderes republicanos ali representados, o chefe do Executivo nacional rosnou sem poder mostrar os dentes. Bolsonaro sentiu o peso do Estado. Seu semblante o denunciou. 

Vez após outra, nosso atual presidente vem protagonizando momentos que ficarão para a história – e a história há de confirmar que, a despeito de todos os ataques que um dia um presidente promoveu contra as instituições que, em última análise, lhe garantiram governar um país do porte do Brasil, foram elas que sobreviveram.

Poucos dias antes deste acontecimento sui generis, as arcadas do Largo de São Francisco, em São Paulo, foram palco de uma manifestação que uniu a sociedade civil, enviando um recado muito claro para quem quer que se aventure a tentar alterar o curso de nossa história: enfrentará resistência.

Preocupado em não fazer esse movimento cair no esquecimento, o grupo que idealizou o manifesto em favor da democracia pretende criar um fórum permanente para a defesa da democracia brasileira- até porque estão convocados pelo próprio presidente, para o próximo dia 7 de setembro atos que, a princípio,  pretendem atentar contra o processo democrático.

Segundo os organizadores, a ideia é manter uma “vigília cívica contra as tentativas de ruptura”. O grupo será instituído com representantes da sociedade civil e deve manter acesa a chama dos atos promovidos em 11 de agosto, pela USP.

Cuida-se de notícia alvissareira, na medida em que o tom das ameaças contra nosso elogiado sistema eleitoral vem aumentando conforme as eleições se aproximam. E, a despeito disso, a ideia é manter o grupo em funcionamento mesmo após as eleições. Devemos lembrar que a invasão ao Capitólio – algo até então impensável de acontecer nos Estados Unidos – ocorreu dois meses após as eleições.

E para contrapor a qualquer ato antidemocrático, também está previsto para o dia sete de setembro  uma missa com o Padre Júlio Lancellotti, famoso por suas ações sociais na cidade de São Paulo. Uma missa em ação de graças por um momento tão sublime – nossos 200 anos de independência política!

A sociedade civil e agora os poderes republicanos já mostraram que exigem o cumprimento das regras democráticas quando da alternância do poder, o que se dá de quatro em quatro anos. 

O atual presidente tem a prerrogativa de tentar permanecer no cargo. A prerrogativa que lhe falta é a de tentar desestabilizar o processo eleitoral. 

Se no momento assitimos a um Congresso que vacila diante de um presidente que intenta romper os seus limites institucionais, é bom ver que a República tem outras instituições para lhe frear os ímpetos – e o semblante de Bolsonaro no plenário do TSE deixou claro que ele entendeu muito bem o recado – ditadura nunca mais! 

FORMAÇÃO POLÍTICA, Introdução à Política

Introdução à Política – Capítulo 7

OS PARTIDOS POLÍTICOS –

Os partidos políticos são instituições primordiais para o bom funcionamento da democracia representativa porque são eles quem formam o elo essencial que existe entre o cidadão e o poder emanado pelo Estado, ou seja, entre o legítimo possuidor do poder soberano – o povo – e aquele que deve de fato conduzir e direcionar a sociedade – o poder estatal.

Os cientistas políticos enxergam duas relações distintas entre os eleitores e os eleitos e nestas duas relações é o partido político quem faz o perfeito intercâmbio entre estes atores. 

Se por um lado o eleitor escolhe o candidato através do partido político, por outro, é o partido político quem apresenta este candidato ao eleitor. No ato de seleção do candidato, o partido político exerce uma função muito importante para a democracia representativa, que é a de agregar mentes e corações que percebam a vida de maneira semelhante.

Os partidos políticos são instituições que existem para orientar o voto do eleitor, agregando candidatos que possuem uma mesma visão estratégica da sociedade.

Isto acontece no momento em que um pretenso candidato a um cargo político se identifica com determinado partido e a ele se apresenta, através da filiação partidária. Desta forma o partido político opera como que uma triagem fundamental, separando para o eleitor aqueles que pensam como ele pensa daqueles que pensam de maneira diferente

Mas, além de oferecerem candidatos, os partidos políticos também atuam no parlamento de maneira a participar da criação das regras que regem uma sociedade – as leis – apoiando ou se opondo ao governo de turno, ajudando a promover o necessário equilíbrio que deve existir naquela casa porque, um governo sem oposição tende a se tornar autoritário, e um governo com muita oposição não consegue governar.

Ao votar, o eleitor acaba por promover uma espécie de espelhamento da sociedade no parlamento e são os partidos que, através de suas determinadas ideologias, se comprometem a representar esse eleitor.

Porém, qual é o limite desta representação? O que acontece se um candidato ou um partido não honrar com o desejo deste eleitor?

A doutrina da representação

Será John Lock que pela primeira vez irá preparar uma doutrina do sistema representativo. Isto se deu no livro “Segundo tratado sobre o governo civil“, publicado em 1689, onde o autor advoga o fortalecimento do Parlamento. Um ano antes, com a Revolução Gloriosa começava o ciclo de consolidação do governo representativo na Inglaterra.

Foi através da Revolução Gloriosa que os princípios de um governo representativo foram elevados à condição de Lei.

Porém, a representação nas assembleias somente se vinculará ao sufrágio – isto é, ao voto popular – bem mais tarde, e esta vinculação é uma chave para se compreender o atual estado democrático de direito.

Portanto, na Inglaterra o sistema representativo já vinha se consolidando desde a Revolução Gloriosa. Ali, inicialmente foi dado direito de voto aos proprietários e este direito será posteriormente ampliado durante a Revolução Industrial.

E a instituição que fará a ligação entre os interesses de quem vota e aqueles que os representa será o partido político.

Em relação à questão do mandato ser vinculativo ou não, foram os pensadores Edmund Burk (1729-1797) e Stuart Mill (1773-1836) quem debateram profundamente o assunto no seio do próprio Parlamento inglês.

Burk proferiu um discurso em que não deixa dúvidas. Através de seus argumentos, de que o mandato não pode estar vinculado ao eleitor porque quando um deputado é eleito, ele é eleito para representar os interesses da Nação e não os interesses locais e particulares ele quis retirar qualquer possibilidade de um eleitor questionar o comportamento político do eleito após este estar investido no cargo.

Já Stuart Mill fará uma análise mais profunda do problema e chamará o alinhamento entre o eleitor e o voto dado pelo seu representante no parlamento de moralidade constitucional, que seria a ética do governo representativo. Assim, só haveria como o eleitor cobrar o seu eleito se este agisse contra a Lei, mas em relação ao eleito não haveria qualquer vinculação.

Mill preocupou-se com o fato de que, uma vez no poder, o detentor do mandato poderia se render aos chamados da má política e abusar do poder que lhe foi conferido, exercendo-o em benefício próprio.

Para este pensador, a responsabilidade estaria com os eleitores, na medida em que caberia a estes escolherem, entre os candidatos, os mais sábios pois somente um sábio estaria em condições de conduzir os negócios do Estado sem se deixar influenciar pelas tendências de se valer do cargo em proveito próprio.

 Em certa medida, Stuart Mill pretende vincular o mandato do eleito ao desejo do eleitor quando o mandatário não é suficientemente sábio, e a desvincular esta exigência quando comprovadamente o eleito seja sábio o suficiente para proferir seus votos com vista ao bem do estado, ainda que esta opinião esteja em desacordo com o pensamento daquele que o colocou no cargo.

No fundo, os dois falaram quase a mesma coisa. A preocupação de Mill era a de que, com a universalização do voto – e devido a cada pessoa ser detentora de um voto igual – as classes operárias teriam maior número de votantes, o que relegaria à burguesia a condição de minoria.

Hoje sabemos que o mandato não é vinculativo. Após eleito, o candidato ao qual o eleitor depositou sua confiança pode votar diferentemente do modo pelo qual o eleitor votaria, se pudesse participar daquela decisão.

Em alguns países admitisse o chamado recall, isto é – um distrito eleitoral pode unir os eleitores e, obtendo determinado número de votos, destituir o representante, elegendo outro. Alguns estados dos Estados Unidos, por exemplo, admitem isso. Mas esse não é o caso do Brasil.

Por aqui, como na maioria dos lugares, a saída é o que o sociólogo alemão Max Weber chamou de democracia plebiscitária. É que não se pode esquecer de que o poder coloca-se sobre o julgamento popular periodicamente – ou seja, a cada eleição. Assim, partido político – e o candidato, tem de se ver com as urnas através do referendo popular. Portanto, ainda que o voto não seja vinculativo, existirá o momento do julgamento.

Os Partidos Políticos

Superadas tais discussões, foi no seio dos Parlamentos que os partidos políticos foram gestados. Também o surgimento dos partidos políticos modernos está ligado ao desenvolvimento dos processos eleitorais.

Os partidos de quadro têm sua origem entre os nobres

Foi durante o processo de universalização do voto – com o voto feminino e dos analfabetos, por exemplo – que a disputa pelos sufrágios acabou por institucionalizar os partidos políticos.

O parlamento existe, portanto, antes do partido político.

O partido político nasce no seio do parlamento, primeiro através da união daqueles parlamentares que eram mais liberais ou mais conservadores, progredindo depois para a necessidade da busca do voto fora do parlamento, ou seja, junto ao povo – o que vai dar origem aos partidos populares, estes mais ligados às causas sociais.

Mas, se neste primeiro momento o partido surge no interior do parlamento e vai para o povo, ocorrerá também um movimento inverso, especialmente em função da Revolução Industrial, pelo qual o povo vai passar a exigir o direito de também se ver representado no parlamento. Partidos irão surgir, então, fora do parlamento com a intenção de nele ingressar.

Já os partidos de massa tiveram origem em movimentos populares.

Estamos tratando, pois, dos dois tipos originais de partidos; aqueles que surgiram no interior do parlamento, e que são chamados de partidos de quadro e aqueles que surgiram fora do parlamento, conhecidos como partidos de massa.

Seria correto pensar que entre os partidos de quadro já existia partidos liberais e conservadores, preocupados com a maneira como os negócios eram regulados pelo estado, ao passo que dentre os partidos de massa o mais comum seria dali surgirem partidos liberais e reformistas e naturalmente mais voltado às causas sociais.

Foi com o aumento da importância das eleições e com a ampliação do direito ao voto, fatos que ocorreram de maneira incisiva nos países europeus no século XIX, que os partidos políticos surgiram da maneira com a qual nós os conhecemos atualmente.

Com o sufrágio universal foram organizados comitês eleitorais nos distritos. Os candidatos sabiam que precisavam do apoio destes comitês para conseguir os votos necessários para titular-se ao parlamento.

Maurice Duverger (1917-2014) enxergou na fusão entre os blocos parlamentares e os comitês eleitorais a origem dos partidos políticos tal e qual nós os conhecemos na atualidade.

Sociólogo e cientista político francês teorizou sobre os partidos políticos.

Então, são os partidos políticos instituições democráticas que oferecem opções ao eleitor, dando-lhes mais do que nomes que irão concorrer aos cargos eletivos, mas uma alternativa ancorada em sua proposta ideológica, ou seja, confere ao eleitor um menu e  um caminho seguro a seguir no momento da escolha de um candidato que irá representa-lo, seja no Parlamento, seja no Executivo.

A dicotomia direita – esquerda.  Partidos democráticos e Partidos ideológicos

Um partido político pode ter uma orientação mais à esquerda ou mais à direita. A dicotomia direito-esquerda tem sua origem na Revolução Francesa, quando, grosso modo os defensores da propriedade privada, os girondinos se posicionaram à direita e aqueles que pregavam igualdade social, os jacobinos à esquerda. Porém, será limitada uma análise que pretenda resumir todo um emaranhado de pensamentos que envolvem questões políticas, econômicas, religiosas e temporais em uma mera dicotomia capital-social.

Já vimos também que, quando do surgimento dos partidos políticos institucionalizados, os partidos de quadro, cuja origem está no parlamento se alinharam mais a temas ditos de direita enquanto os partidos de massa se identificaram com uma  temática mais afeta à esquerda.

Atualmente o espectro político é muito vasto e tem muitos matizes que vão da extrema esquerda à extrema direita, passando pelos moderados de cada hemisfério, e pelo centro, que também comporta inclinação para ambos os lados. Isso porque, no espectro político há pontos que se tocam e se comunicam, evitando, desta forma, visões radicais.

Espectro político – da extrema esquerda à extrema direita – fonte da imagem – politize.com.br

Se nos atermos ao seu viés econômico podemos perceber que aquele que pensa que o mercado de trabalho é capaz de oferecer as condições para que cada homem ou mulher, munidos de suas capacidades e esforço pessoal possam alcançar melhores condições de vida é uma pessoa – ou um partido – de direita, neste caso chamado de liberal e quanto mais à direita o for, mais radical o será.

Já aquele que pensa que o mercado liberal é cruel a ponto de desamparar aquele homem ou mulher que já no seu nascimento não encontrou condições de promover o crescimento pessoal que o liberalismo promete, tenderá a enxergar no Estado um ente regulador do mercado e obrigado a suprir as carências deste homem ou desta mulher oferecendo serviços básicos ou apoio financeiro nos momentos de dificuldades – como no momento do desemprego. Esta pessoa – ou este partido – pode ser vista como de esquerda e tanto mais o será na medida que radicaliza suas posições a favor da repartição de direitos e da socialização dos bens.

Isto para nos ater ao viés econômico. Quando falamos de valores e costumes outra dimensão se abre. É como se estivéssemos, agora, diante de um plano cartesiano, com as conhecidas coordenadas x e y e acrescentássemos a coordenada z, chegando ao sistema tridimensional de coordenadas.

Espectro político ampliado – fonte da imagem: materiapublica.com.br

Neste caso, ser de direita é ser conservador nos costumes e valores e ser de esquerda sigmifica ser liberal/progressista. Acontece que o que era progressista há 50 anos hoje pode estar na prateleira do conservadorismo neste momento eis que o tempo sempre tem algo novo a oferecer.

Isto tudo implica em uma miríade de divergências que vão atingir desde a religiosidade das pessoas até à maneira como a educação é oferecida às crianças nas escolas.

Outro ponto que ganha importância e notoriedade é a questão ambiental.  Aqui se percebe uma profunda relação entre a preocupação com a manutenção das condições de vida no planeta Terra contra os fortes interesses econômicos, o que poderia reduzir à clássica visão econômica da direita-esquerda.

Portanto, como se pode perceber, rotular uma pessoa – ou um partido político – como de esquerda ou de direita é algo complexo que corre o risco de se reduzir a uma só questão.

Até porque dentro de um mesmo partido pode haver divisões de pensamento sobre determinados assuntos, o que faz nascer no seu interior o chamado núcleo programático, que é exatamente o que divide liberais e conservadores.

E, apesar de tudo isto, não se pode esquecer que no parlamento os partidos podem fazer alianças para tratar de um ou outro tema, baseados exatamente nestes núcleos programáticos.

Aliás, é este núcleo programático que produz uma outra classificação entre os partidos, que pode ser definida como partidos democráticos e partidos ideológicos.

No Brasil o MDB é exemplo de um partido democrático.

Os partidos democráticos admitem em seu interior o surgimento de facções claras e bem definidas. Porém, o defeito que possuem é de, exatamente por permitir o ingresso de várias tendências, perder sua referência, deixando o eleitor sem informações de como será o seu comnportamento no parlamento.

O Psol é uma dissidência do PT que surgiu para manter-se firme em suas convicções.

Já um partido ideológico está normalmente rotulado como um partido radical e terá menos flexibilidade para aceitar visões que diferem de sua base fundante.

Possuem maiores restrições para conceberem alianças no parlamento porque, na falta de núcleos programáticos que possam aumentar a capilaridade do partido, estes se vêm confinados em suas propostas básicas. Mas isto não significa que não façam alianças, aliás, dependem delas para ganhar robustez no parlamento pois só desta maneira conseguirão ver suas demandas atendidas.

Mesmo com todas estas diversas possibilidades de se avaliar a condição de um partido político, ainda assim, é válida e necessária uma classificação a fim de municiar o eleitor de informações e pistas de como aquele partido conduzirá o Estado no caso de alcançar o poder.

Um inglês não tem dúvidas do que pretende quando dá o seu voto para o partido liberal ou o partido conservador ou o partido trabalhista. Um norte-americano também sabe qual será o encaminhamento do Estado ao escolher entre um republicano ou um democrata. Lá, estas posições já estão consolidadas.

O Brasil também precisa alcançar esta maturidade institucional se quiser, de fato, viver uma democracia plena.

Os vícios dos partidos políticos

 O pecado capital de um partido político é o de não representar satisfatoriamente os seus eleitores. Quando um eleitor não se vê representado por aquele partido ao qual ele se identifica, este buscará outra opção.

 Quando um partido político nada mais é do que o mal disfarce de um grupo oligárquico, isto é, quando se torna evidente que, estando no poder irá privilegiar seus comezinhos interesses em detrimento dos grandes interesses da sociedade então nada mais serão do que meros blocos parlamentares.

Robert Merton, no livro “Teoria Social e Estrutura Social”, de 1949 considera o chefe da máquina partidária como “qualquer outro boss e seus funções equiparáveis ao ‘chefe da empresa’, desejoso de aumentar seus lucros ao máximo”.

Este mesmo autor nos ensina que qualquer reforma política baseada na mera tentativa de limpeza ética não conduzirá aos resultados realmente desejados porque o fato de trocar velhas figuras por novos rostos não garante a durabilidade da nova moral que se intentou implantar. Desta forma, as reformas cujos pilares sejam o da mera busca moral certamente fracassarão – e, neste sentido, vide o decepcionante final da operação Lava Jato.

O que se faz necessário, nesses casos, é uma reforma que ofereça uma alternativa de substituição capaz de exercer as funções de fato ausentes no ordenamento político daquele país.

Portanto, para que um partido político atinja a razão de sua existência, é necessário que ele represente uma posição ideológica e que dentro de sua estrutura exista a possibilidade de ascensão de outras pessoas aos postos chaves do mesmo.

Um partido que não permita a alternância nem o surgimento de novas lideranças nada mais é do que uma empresa gerida por um oligarca que dele se utiliza para estar próximo do poder. Conforme uma democracia avança e se torna mais efetiva este partido, não resta dúvida, desaparecerá.

No caso do Brasil, especificamente, o fim destes partidos tem se dado com o fim do próprio sistema político-partidário. Isso acontece quando da ruptura institucional que nos leva a oscilar entre momentos democráticos a autoritários. A cada quebra de regime podemos vislumbrar um ciclo político. Não é por outro motivo que a cada ciclo político, novos partidos são fundados para atender as demandas daquele novo momento.

O país precisa superar esse mal e manter-se firme e aferrado à sua Constituição – ela é democrática o suficiente para nos conduzir a um sistema político que atenda as necessidades de seu povo sem quebra do regime ou novas aventuras autoritárias.

Recentes reformas na nossa Lei Eleitoral tem nos conduzido a isto – o objetivo destas reformas é diminuir o número de agremiações – hoje, existem mais de trinta no país! Isto pulveriza o parlamento de um modo prejudicial, forçando o presidente a negociar com uma série de partidos, o que nos levou ao Presidencialismo de Coalizão ou coisas piores.

Se um sistema bipartidário não é capaz de atender a uma sociedade tão multicultural como a nossa, também um número excessivo de partidos não tem sido a solução. Reformas pontuais que nos conduzam a ter algo em torno de dez partidos talvez seja o ideal para atender as nossas demandas sociais.

O que precisa ficar claro para o cidadão é que partidos políticos são peças essenciais se quisermos viver em uma democracia plena.

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Radar das eleições

Após ser dada a largada para as campanhas eleitorais ficou claro que os dois principais candidatos – Lula (PT) e Bolsonaro (PL) estão focados em acirrar a polarização política. Assim, o primeiro assunto debatido nos palanques foi a religião – parecem mais preocupados em conquistar o voto dos evangélicos do que em propor soluções para o país.

É que, enquanto houver democracia e processo eleitoral, o eleitor é o senhor. E se o eleitor tolera esse tipo de discussão rasa, melhor para quem não tem muito a dizer (ou muito a esconder).

E por ter mais a perder do que a ganhar, Lula e Bolsonaro tem recusado os debates eleitorais – preferem o conforto dos palanques. Diante disso, a campanha de Simone Tebet (MDB) estuda convidar Ciro Gomes (PDT) para os dois promoverem alguns debates, que seriam transmitidos pela internet. Seria uma forma de apresentarem propostas e discutirem rumos para o país, além de usarem o espaço para cobrar a presença dos dois principais candidatos.

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Ciro Gomes iniciou sua campanha dando destaque para o seu projeto de renda mínima para o brasileiro carente. O candidato batizou o plano com o nome do vereador paulistano Eduardo Suplicy (PT), o mesmo que durante o lançamento da chapa Lula-Alckmin tomou o microfone e acusou o partido de jamais ter apoiado o seu projeto de renda cidadã no país. Suplicy, que enquanto Senador tentou implementar o auxílo não fez objeção a Ciro por usar seu nome no programa.

No Senado Federal Suplicy lutou, sem sucesso, para implementar o Renda Cidadã para o brasileiro.
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Basta de atalhos!

Não foram apenas as manifestações a favor da Democracia que devolveram esperança ao país –  foi a firme determinação de defendê-la para além das palavras.

crédito da foto: www1.folha.uol.com.br
Arcadas do Largo de São Francisco foi palco de manifestação que uniu diferentes atores sociais em prol da Democracia brasileira.

O brasileiro é um povo que nas horas cruciais sempre soube defender o que interessa – a sua manutenção como Nação. Eis aí uma das razões pelas quais o Brasil se constituiu em um gigante com dimensões continentais enquanto a América Espanhola se esfacelou em diversos países.

Nesse sentido, o dia 11 de agosto de 2022 foi memorável – foi a demonstração de que a sociedade civil está antenada quanto a qualquer movimentação estranha que possa ser pretendida pelos inimigos da democracia. Foi uma resposta antecipada para o 7 de setembro, já que, ao que parece, alguns querem sequestrar e transformar esta data tão especial – nossos 200 anos de Liberdade! – em ato cívico que na verdade nada mais pretende do que retirar do povo sua real liberdade – a de viver em uma sociedade livre e quiçá igualitária, algo duramente conquistado e ainda em processo de maturação.

7 de setembro de 2021 – protestos questionaram a lisura das urnas eletrônicas.

Foi um sinal claríssimo de que, diferentemente de 1964, desta vez não haverá golpe e este é o grande passo que o Brasil está ensaiando – vencer uma triste sina que acompanha a nossa história, a verdadeira causa de fundo de nossa impossibilidade de desenvolver-nos  com consistência. 

É necessário que nosso sistema político amadureça o suficiente para que os frutos comecem a aparecer – primeiro se planta, depois se cuida para, enfim, colher. Mas o chamado ‘capital’ nem sempre pensou assim.

O capitalismo brasileiro se desenvolveu de costas para a base popular. Não compreendeu – ao menos até esse momento – que uma classe média vigorosa cria um mercado tão potente que inexoravelmente levará o Brasil a ocupar uma posição junto aos países desenvolvidos do planeta – potencialidade não o falta.

Acontece que os ganhos mais imediatos sempre foram a mola propulsora que conduziu o capital em relação à política do país. Esquece-se que essa multidão, órfã de Estado é que forma o amálgama que nos brindará com esta tão esperada e necessária classe média.

Deste modo, os donos do capital jamais se preocuparam com o sistema político. O que ocupava seus cálculos era se o sistema político daria a eles as ferramentas para a manutenção deste estado de coisas – benefícios fiscais, fechamento do mercado a produtos estrangeiros ou a criação de empresas “campeãs nacionais”. Acontece que, nesse momento, parece que o capital finalmente acordou e entendeu que a democracia é a chave para a criação deste mercado consumidor dinâmico. Quando a Inglaterra percebeu isso, no início da Revolução Industrial, passou a condenar a escravidão. Nossos capitalistas não perceberam isso ainda?

Assim, ao falar antecipadamente NÃO ao golpe, o capital se junta a outras áreas dinâmicas da sociedade para oferecerem ao cidadão comum um caminho a seguir – o respeito à ordem democrática. Sim, porque o cidadão comum fica de olhos abertos para este tipo de manifestação e logo se posiciona – e sem esse cidadão comum para apoiar qualquer golpe, impossível de se perpetrá-lo.

Em outros momentos da história – o mais agudo deles, em 1964 – a população acreditou na orientação que vinha do capital, de setores da classe artística, da imprensa e até mesmo da Igreja para chancelar um golpe de estado. Tempos depois, vislumbrando o engodo, essa mesma população foi às ruas, sentindo-se traída pelos militares.

Em 1964 a população acreditou que lutava contra o comunismo no Brasil.

Agora o próprio capital se manifestou e, unido a artistas, intelectuais e imprensa – ratifica um alerta o povo de que a Constituição tem de ser respeitada – não há outro caminho!

Que o vencedor ou vencedora do pleito que se aproxima governe o Brasil pelos próximos quatro anos a partir de 2023. É assim que se constrói uma sociedade mais justa e igualitária. É assim que se edifica uma Democracia. Basta de atalhos!

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Radar das eleições

O resultado do esforço que o presidente Jair Bolsonaro (PL) fez para diminuir a diferença para o candidato do PT Lula começou a aparecer assim que a gasolina ficou mais barata e os primeiros auxílios aos mais necessitados cairam na conta. Em Minas, estado que é tido como o melhor termômetro da disputa, a vantagem de Lula, que era de 18 pontos, caiu para 9 pontos, segundo pesquisa da Quaest.

Aliás, o imediato crescimento de Bolsonaro nas pesquisas fez com que as outras campanhas acendessem o sinal amarelo. Lula garante que tornará o benefício permanente e seu novo aliado, André Janones (Avante) se utilizou da grande audiência que possui nas redes sociais para afirmar que Bolsonaro, se reeleito, extinguirá o benefício no dia 1º de janeiro de 2023. Já Ciro Gomes (PDT) propõe um programa de renda mínima no valor de mil reais mensais para famílias necessitadas.

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A presidente do PT Gleisi Hoffmann e a secretária de finanças do partido Gleide Andrade não se entenderam em relação à distribuição da verba vinda do fundo eleitoral. O problema é a quem destinar a fatia que cabe a candidaturas à Câmara dos Deputados – apenas aos que tentarão a reeleição ou a candidatos que possuem condições de vencer mesmo sem ser deputados atualmente? Ainda tem o caso de se punir, ou não, parlamentares que votaram contra o aumento do fundo eleitoral. O clima anda quente por lá.

Presidente da sigla discorda da secretária de finanças do PT
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Radar das eleições

Encerrado o período das convenções partidárias as principais candidaturas que devem se confirmar à presidência, por ordem alfabética, são:

Ciro Gomes (PDT) e Ana Paula Matos (PDT)

Jair Bolsonaro (PL) e Braga Netto (PL)

Luiz Felipe D’Ávila (Novo) e Tiago Mitraud (Novo)

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin (PSB)

Simone Tebet (MDB) e Mara Gabrilli (PSDB)

Soraya Thronicke (União) e Marcos Cintra (União).

Desta maneira, PDT, PL, Novo e União Brasil apresentaram a chamada chapa puro-sangue, sem coligações.

Em relação a Pablo Marçal o seu partido, Pros, não ratificou seu nome como candidato e pretende apoiar Lula na corrida ao Planalto. Todavia, o coach recorreu da decisão do partido, que enfrenta uma disputa judicial por seu comando.

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Fera acuada

Bolsonaro dá mostras claras de que o sistema ainda o detém

O presidente Jair Bolsonaro (PL) vem dando mostras claras de que não está conseguindo romper a barreira institucional a qual ele jurou fidelidade – a Constituição. 

A despeito das investidas que tem feito contra o sistema eleitoral brasileiro, discurso programado para o caso de um fracasso nas urnas nas eleições que se aproximam, e contra o Supremo Tribunal Federal, suas palavras soam ocas e o eco delas não vai para além de uma parcela da população que, não se sabe bem o porquê, decidiu transformá-lo em mito, invertendo toda a lógica republicana, que privilegia cargos e postos em detrimento de pessoas e personalidades.

7 de setembro de 2021: Bolsonaro juntou multidões em SP e Brasília em atos contra o STF

A aberração é tamanha, que mesmo que alguns sinônimos para a palavra “mito” sejam quimera, absurdo, aparência, devaneio, fábula, fantasia, entre outras do gênero – parcela considerável da população a isto se agarra! 

Mas é o que se tem!, e democracia demanda respeito pela opinião alheia, isto é, quando certa fatia da população resolve colocar o atual presidente no rol de um detentor de qualidades que rememoram um passado glorioso – se é que o Brasil já o teve – há que se respeitar.

E, a despeito de tudo isso, Bolsonaro sabe bem qual é o limite que não pode ultrapassar.

Alguns eventos demonstram claramente que, estivesse o presidente tão confiante no sucesso de suas empreitadas contra o sistema, certamente não gastaria tempo e energia em os promover, a menos que os mesmos pudessem ser utilizados como uma cortina de fumaça para desviar a atenção da população sobre assuntos que gostaria de ver, de fato, encobertos, ainda que a prudência aconselha a não se arriscar tanto.

A título de confirmação desta suposição, citemos três que são bem atuais:

1 – As ações judiciais junto ao TSE que o seu partido impetrou contra o PT – e contra Lula – deixam claro que a ideia é tentar tirar do jogo o principal candidato da esquerda que, aliás, tem estado na frente da corrida pelos votos.

2 – A aproximação que ele tem feito à Febraban denota um certo desespero, já que a federação também assinou manifesto a favor da democracia. Não podemos esquecer que não faz muitos dias que o chefe da casa civil Ciro Nogueira (PP) disse claramente que os bancos estavam contra Bolsonaro por causa do PIX, que supostamente havia retirado algo em torno de 40 bilhões de reais destas instituições. E ainda assim, no encontro, driblando a saia justa, tornou a criticar o que ele chama de “cartinha” a favor da democracia.

O certo é que Bolsonaro perdeu a confiança do capital. Empresários o aconselharam a não ampliar a tensão a poucas semanas das eleições – um recado claríssimo que Bolsonaro não costuma acatar – eis que acatando, demonstra fragilidade.

Carta aberta de Jô Soares a Bolsonaro

3 – Mas o fato que parece ser mais simbólico foi a declaração que o presidente fez, através de um twitter, sobre a recente passagem de Jô Soares. O presidente, numa rara demonstração de pesar, enalteceu a capacidade do artista de tratar, comicamente, fatos da política e da vida nacional. Na verdade, ao tratar de Bolsonaro em algumas cartas abertas que assinou no Jornal Folha de São Paulo, Jô não foi nada cômico com o atual presidente -, falou sobre nazismo, entre outras coisas não muito favoráveis a Bolsonaro.

De se estranhar que alguém que não se dignou a visitar um único hospital ou uma única família enlutada durante uma pandemia que vitimou mais de 680 mil brasileiros, de repente se sensibilize com a morte de uma personalidade que não escondia seu desapego ao presidente. Porém, devemos dar ao presidente, neste caso, o benefício da dúvida em relação às suas intenções. 

Se olharmos o ato com boa-fé, talvez consigamos enxergar no carrancudo presidente visos de humanidade.

Se a tivesse demonstrado desde o início de seu governo, certamente estaria melhor posicionado na disputa eleitoral que se avizinha. Todavia, não foi o que demonstrou nesses quase quatro anos de governo.

O brasileiro é um povo que tem coração – lição que nos deixou Sérgio Buarque de Holanda. 

Talvez tenha ficado um pouco tarde demais para Bolsonaro mostrar que traz um coração de carne, e não uma pedra em seu peito.

FORMAÇÃO POLÍTICA

Radar das eleições

PRAZO PARA

Convenções Partidárias – definição de alianças e escolha de candidatas e candidatos: 05 de agosto

Registro de Candidatas e Candidatos: 15 de agosto de 2022

Lula (PT) continua trabalhando para aumentar ao máximo o arco de alianças em torno de sua candidatura. Após a desistência de Luciano Bivar (União Brasil) e da quase certa adesão de André Janones (Avante) à candidatura do petista, agora foi o Pros que retirou a pré-candidatura de Pablo Marçal e anunciou apoio à chapa Lula-Alckmin. Marçal, todavia, contesta, alegando que seu nome já foi aprovado em convenção e sinaliza que não aceitará passivamente a decisão do partido.

Aliás, existe nesse momento um disputa judicial pelo comando do Pros. Dessa maneira, a decisão de apoiar Lula teria se dado por uma direção temporária que, conforme o candidato do partido, não tem poder para tal. Para Marçal, o PT quer frear o crescimento de seu nome. A cúpula do partido esteve reunida, para tomar essa decisão, com Geraldo Alckmin (PSB) e com o ex-ministro Aluísio Mercadante.

Pré-candidato contesta decisão do partido.

Com dificuldades para compor alianças, o PDT deverá ter uma chapa puro-sangue. Desta maneira, a vice de Ciro Gomes deve vir das próprias fileiras do partido e deverá ser uma mulher. Ciro estará nessa quinta-feira em São Paulo, cidade que escolheu para se estabelecer durante o período eleitoral e onde ocorrerá, ainda neste dia 04, a convenção do partido, com o anúncio da vice.

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SP – Marina Silva (Rede) não aceitou o convite de Fernando Hadad (PT) para ser sua vice na disputa pelo governo de São Paulo. Decidiu disputar uma vaga de deputada federal por São Paulo. Segundo a ex-ministra, estar na Câmara dos Deputados para defender causas ambientais é mais importante do que estar no executivo. Quem está cotada para a vaga de vice de Haddad é a médica Mariane Pinotti (PSB).

Marina Silva irá concorrer ao cago de Deputada Federal